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Estados Unidos continuarão os bombardeios no Afeganistão se a ofensiva do Talibã persistir

·3 minuto de leitura
Soldados afegãos em avenida de Cabul em 20 de julho de 2021

Os Estados Unidos continuarão seus ataques aéreos em apoio às forças afegãs se o Talibã continuar a ofensiva que realiza desde o início de maio, alertou neste domingo (25) o chefe das operações militares dos Estados Unidos no país.

"Os Estados Unidos intensificaram seus ataques aéreos em apoio às forças afegãs nos últimos dias e estamos prontos para continuar com esse alto nível de apoio nos próximos dias, se os talibãs continuarem seus ataques", disse o general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central do Exército dos EUA (Centcom).

Desde o início de maio, a violência aumentou em várias províncias depois que os insurgentes lançaram uma grande ofensiva, poucos dias depois que as forças estrangeiras iniciaram sua retirada final do país.

A ofensiva levou o Talibã a capturar dezenas de distritos e pontos de fronteira e cercar várias capitais de províncias, alimentando o espectro de insurgentes que retomaram o poder em Cabul.

"Gostaria de ser claro: o governo do Afeganistão será submetido a testes nos próximos dias, o Talibã está tentando tornar sua campanha irreversível. Eles estão errados", disse o general McKenzie.

- 22.000 famílias fogem de Kandahar -

As declrações de McKenzie, que lidera as operações militares americanas desde 12 de julho, ocorrem no mesmo dia em que as autoridades afegãs relataram que 22.000 famílias fugiram de Kandahar, no sul dos país, por causa dos combates.

"Todos se mudaram dos distritos voláteis da cidade para áreas mais seguras", disse à AFP Dost Mohammad Daryab, chefe do departamento de refugiados da província.

No domingo, os combates continuaram nos arredores de Kandahar, a segunda maior cidade do país, com 650.000 habitantes.

"A negligência de algumas forças de segurança, especialmente a polícia, fez com que o Talibã se aproximasse tanto", disse o vice-governador da província de Kandahar, Lalai Dastageeri, à AFP. “Agora estamos tentando organizar nossas forças de segurança”, explicou.

As autoridades locais montaram quatro acampamentos para os deslocados, estimados em 154.000.

Hafiz Mohammad Akbar, um residente de Kandahar, disse que sua casa foi ocupada por talibãs depois que ele fugiu.

"Eles nos forçaram a sair (...) Agora eu moro com minha família de 20 pessoas em um lugar sem banheiro", disse Akbar.

- Medo de novos combates -

Os moradores temem novos combates nos próximos dias.

"Se eles realmente querem lutar, eles deveriam ir para um deserto e lutar, não destruir a cidade", disse Khan Mohammad, que se mudou para um acampamento com sua família.

"Mesmo se eles vencerem, não podem governar uma cidade fantasma",acrescentou.

A província de Kandahar foi o epicentro do regime dos talibãs quando governaram o Afeganistão entre 1996 e 2001.

Expulso do poder em uma invasão liderada pelos Estados Unidos em 2001, após os ataques de 11 de setembro, o Talibã lidera desde então um movimento insurgente.

Sua última ofensiva, lançada no início de maio, permitiu que o grupo assumisse o controle de metade dos cerca de 400 distritos do país.

A ONG Human Rights Watch falou sobre atrocidades cometidas pelo Talibã contra civis nas áreas sob seu controle, incluindo a cidade de Spin Boldak, perto da fronteira com o Paquistão, que eles dominaram no início deste mês.

Por outro lado, as autoridades anunciaram que quatro pessoas, apresentadas como talibãs e supostamente envolvidas no ataque com foguetes ao palácio presidencial no primeiro dia de Aid al-Ada, foram presas.

Pelo menos três foguetes caíram perto do palácio na terça-feira passada, enquanto o presidente Ashraf Ghani e seus principais funcionários faziam orações ao ar livre para marcar o início do feriado muçulmano de Eid al Adha.

No entanto, o ataque foi reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

jds-ayv/eb/lpt/mb/tjc/ap

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