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Estados Unidos continuam comprando petróleo russo, diz Ucrânia

Estados Unidos continuam comprando petróleo russo, ainda que sem saber
Estados Unidos continuam comprando petróleo russo, ainda que sem saber
  • Afirmação foi feita pelo principal conselheiro econômico do presidente ucraniano;

  • Intermediários estariam comprando petróleo russo e refinando-o em outros países;

  • Outros países não alinhados com os Estados Unidos tem histórico de contornar as sanções.

Apesar das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo, o produto continua a chegar aos postos de gasolina americano, afirmou Oleg Usteko, o principal conselheiro econômico do presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky.

"Os motoristas, talvez sem saber, continuam a encher os tanques de seus veículos com gasolina de origem russa", disse Ustenko em um editorial do Financial Times no domingo. "No que pode ser descrito como uma operação de lavagem global, o petróleo russo é levado para refinarias estrangeiras e depois importado para os EUA como gasolina. Uma vez que o petróleo tenha sido refinado em outros produtos, ele pode entrar legalmente nos EUA sem quebrar as sanções."

Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, confirma que o Irã e outros países fazem esforços para contornar as sanções "há algum tempo", então é "possível" que as empresas petrolíferas dos EUA estejam "inconscientemente" comprando petróleo russo, embora ele acredite que "provavelmente não é em grande quantidade."

"Atores desonestos com a Rússia ou intermediários podem lucrar significativamente pegando esse petróleo russo com desconto e misturando-o com petróleo legítimo, falsificando registros e enviando-o para os EUA", diz De Haan.

Segundo Ustenko, a recente queda nos preços globais do petróleo se deve, em parte, ao fato do petróleo russo ter conseguido chegar ao mercado dos EUA.

"As sanções ocidentais aos combustíveis fósseis russos são um fantasma", disse Ustenko no editorial do Financial Times. "As receitas que fluem para os cofres do Kremlin com as vendas externas de petróleo, gás e carvão são altas, dobraram nos primeiros 100 dias da guerra. O regime de sanções energéticas do Ocidente não está funcionando. Isso é por uma razão muito simples: não existem."

De Haan, por outro lado, não acredita que as sanções não estejam causando impacto em Moscou, mas lembra que o país conseguiu encontrar compradores na Índia e na China dispostos a desafiar os desejos ocidentais. “Não vivemos em um mundo perfeito”, diz De Haan, “e haverá casos em que atores nefastos farão esse tipo de coisa”.