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2 mil metros de altura, teleférico e muitas bolas perdidas: como é o futebol no estádio mais alto da Europa

(Foto: Reprodução)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Poucos lugares são tão singulares quanto o Ottmar Hitzfeld Stadium. O estádio fica em Gspon, nos Alpes Suíços, e possui um cenário único: um campo de futebol em meio às montanhas e a 2 mil metros de altura. Mas o local guarda mais histórias do que apenas um belo cartão-postal.

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O Ottmar Hitzfeld Stadium é a casa do FC Gspon, time amador que disputa a Swiss Mountain League (Liga Suíça de Montanha), e fica em um dos pontos mais altos da aldeia localizada no cantão de Valais, no sul da Suíça. Em resumo, trata-se do estádio mais alto que se tem conhecimento na Europa.

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A paisagem ao redor conta com belas montanhas, árvores, florestas e geleiras.  A vila possui cerca de 70 chalés de madeira que servem de resort no inverno e uma variedade de beleza natural.

"É o lugar mais bonito para se jogar futebol", definiu Diego Abgottspon ao BBC Sports. O zagueiro do FC Gspon joga no estádio há 18 anos.

Mas desfrutar de tudo isso não é tarefa fácil. O estádio que leva o nome do ex-treinador do Bayern de Munique, Borussia Dortmund e seleção suíça é inacessível por estrada e a única forma de chegar até ele é fazendo uso de dois teleféricos. O ar também é rarefeito e a respiração se torna mais difícil do que em outros campos.

"Estamos acostumados a isso", acrescentou Abgottspon, que além de jogar no time também é instrutor de esqui e vendedor. "Para os adversários, é mais difícil. Se perdermos por 5 a 0 antes do intervalo, sabemos que ainda podemos voltar e vencer."

Outro ponto é que o campo, que desde 2009 conta grama sintética, possui tamanho menor, fora do padrão tradicional. O motivo: a dificuldade de encontrar áreas planas na região.

Há ainda outro inconveniente.

Imagine que um atacante “isolou” a finalização ou um chutão para longe do defensor. Agora tente adivinhar para onde a bola vai. Isso mesmo, montanha abaixo. Uma rede lateral protege o campo, mas nem sempre consegue evitar que uma bola (ou muitas) tomem um rumo bem distante das quatro linhas. Quando isso acontece, é missão para os “gandulas-jogadores”.

"Na maioria das vezes, as bolas viajam cerca de 100 metros abaixo da colina. Às vezes elas descem 200 ou 300 metros mais abaixo", contou o zagueiro Alfons Brigger.

"Há jogos em que você não perde nenhuma bola ou talvez uma. Mas em outros dez bolas somem e, antes do próximo treinamento, temos que ir lá e procurar por elas", completou. 

Nem sempre é possível recuperá-las no penhasco. O clube estima que mil bolas já tenham sido perdidas. 

No inverno, o local se transforma em uma pequena estação de esqui. Ao término da estação, os próprios jogadores são responsáveis por remover a neve do campo.

"Temos que limpar o campo, porque aqui em cima a neve não derrete tão bem", explicou Brigger. "Normalmente há meio metro de neve no campo e temos que tirar tudo. É um trabalho realmente chato e difícil".

É de se imaginar também que o acesso complicado e a localização remota dificulte a presença de multidões para assistir às partidas. Aqueles que se dispõe a encarar a viagem não são muitos. Na maioria das vezes, os jogos são realizados para uma plateia de 40 ou 50 pessoas no verão, e menos de cinco quando o clima é ruim.

"Toda vez que o tempo está bom, é realmente especial jogar aqui", diz Sebastian Furrer. Ele é capitão e meio-campista do FC Gspon.

Mas não há dúvidas, porém, que todo esforço é recompensado para quem se aventura até o estádio. Seja pelo futebol ou pela vista única.

Em junho de 2020, Gspon será a sede da quarta edição do European Mountain Village Championship (Campeonato Europeu de Montanha) - um torneio que reúne “times de montanha” de todo o continente.

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