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Esta vizinha anã da Via Láctea tem muito mais matéria escura do que se imaginava

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Uma equipe de astrofísicos do MIT encontrou mais uma evidência da existência da matéria escura, um tipo de matéria que não podemos enxergar e que só pode ser detectada através da influência gravitacional com objetos observáveis. O trabalho, em si, é interessante, mas o que o torna realmente importante é o fato de a matéria escura ter sido detectada em uma galáxia “anciã”.

Estamos falando da Galáxia Anã de Tucana II, vizinha da Via Láctea. Ela é considerada uma das mais antigas galáxias conhecidas, e certamente a mais antiga dentre as anãs catalogadas pelos astrônomos. Eles sabem disso porque, no universo antigo, a produção de metais ainda era uma raridade, e a Tucana II possui baixíssima quantidade de metais. Ela é classificada como anã esferoidal ultra apagada e faz parte das galáxias satélites da Via Láctea.

Galáxias antigas como esta são relíquias importantes para os astrônomos, pois revelam muito sobre um passado distante. E, para os pesquisadores do MIT, a Tucana II revelou a possível presença de uma grande quantidade de matéria escura. É que a equipe detectou estrelas na borda da galáxia, em uma posição tão distante do centro galáctico que somente uma enorme quantidade de massa poderia explicar o elo gravitacional. A distância entre as estrelas e o centro da Tucana II é surpreendente, mas mesmo assim elas continuam capturadas pela gravidade da galáxia anã.

Os arredores onde está a galáxia anã Tucana II (Imagem: Reprodução/Anirudh Chiti/MIT)
Os arredores onde está a galáxia anã Tucana II (Imagem: Reprodução/Anirudh Chiti/MIT)

Essa é a primeira vez que uma evidência de um halo de matéria escura estendida — ou seja, uma região na qual a matéria escura envolve o disco galáctico e se estende bem além da borda visível da galáxia — é detectada na Tucana II. Uma vez que se trata de uma galáxia muito antiga e que foi detectada nela de três a cinco vezes mais massa do que havia sido estimado antes, os cientistas podem deduzir que as primeiras galáxias do universo também eram mais massivas e estendidas do que se imaginava.

Outras descobertas interessantes sobre a Tucana II incluem o fato de que as estrelas em suas extremidades são mais primitivas do que as estrelas no centro da galáxia. É a primeira vez que uma equipe encontra evidências de uma configuração galáctica como esta em uma anã ultra fraca. Considerando as características da Tucana II, eles também suspeitam que ela é o resultado de uma das primeiras fusões galácticas do universo, ou seja, duas galáxias colidiram para a formação desta. Possivelmente, uma delas era ligeiramente menos primitiva que a outra, mas ambas eram muito jovens na época da colisão.

Anna Frebel, pesquisadora envolvida no estudo publicado na segunda-feira (1°) na Nature Astronomy, afirma que “podemos estar vendo a primeira assinatura de canibalismo galáctico”, referindo-se à possibilidade de que essa tenha sido a mais antiga fusão já detectada. “Uma galáxia pode ter comido uma de suas vizinhas ligeiramente menores e mais primitivas, que então espalhou todas as suas estrelas nos arredores”, completou Frebel. Ela também explicou que, um dia, “a Tucana II acabará sendo comida pela Via Láctea, sem piedade”.

Agora, a equipe planeja usar a abordagem utilizada neste trabalho para observar outras galáxias anãs "apagadas" ao redor da Via Láctea, cogitando que há muitas outras parecidas com a Tucana II. O estudo ajudará pesquisadores do mundo inteiro a compreender melhor como a matéria escura influencia a formação e evolução das galáxias.

Fonte: Canaltech

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