Estação Grand Central de NY completa 100 anos de viagens, cinema e turismo

Jessica Martorell.

Nova York, 1 fev (EFE).- A icônica Grand Central de Nova York celebrará amanhã seu primeiro século de história no qual se transformou não só em uma estação de trens, mas em uma joia arquitetônica, uma locação de cinema, um centro comercial e em um ponto de encontro para nova-iorquinos e turistas.

Após mais de dez anos de obras, a estação que conecta a Grande Maçã com suas localidades vizinhas, abriu suas portas ao público em 2 de fevereiro de 1913 e durante um século conseguiu conservar seu estilo e aumentar sua popularidade.

"É um edifício precioso e útil para as pessoas. Não é só eficiente, mas também elegante", afirmou à Agência Efe o historiador de arquitetura e membro da comissão de conservação de monumentos de Nova York, Matt Postal.

Apesar de agora ser um dos símbolos da cidade dos arranha-céus, a maior estação ferroviária do mundo teve que lidar com diferentes obstáculos ao longo dos anos, como o "boom" do automóvel na década de 1950 que pôs em perigo seu futuro.

O terminal, situada no cruzamento da Rua 42 com a Park Avenue, foi erguido pela necessidade de soterrar as vias e aposentar os trens a vapor, mas com a eclosão do carro e o aumento dos preços do solo de Manhattan durante a década de 1960 cogitou-se a possibilidade de derrubá-lo.

No entanto, conseguiu resistir e seguir de pé graças principalmente à luta liderada pela ex-primeira-dama americana Jacqueline Kennedy Onassis, que utilizou seu poder social para salvar o edifício que posteriormente foi declarado monumento histórico.

"É um edifício excepcional, como estação de transporte público da área metropolitana e por sua conservação histórica graças a que em 1978 a Suprema Corte dos Estados Unidos se pronunciou para protegê-lo", explicou Postal.

Para resgatar a estação de sua complicada situação financeira, foram construídas áreas comerciais em seu interior e o edifício anexo em sua parte traseira foi vendido para se tornar o arranha-céu Metlife.

Com a zona comercial o terminal se transformou em muito mais que uma estação de trens, pois muitos turistas e nova-iorquinos se aproximam dali para comprar em suas lojas, comer em seus restaurantes ou adquirir em seu mercado algum produto culinário seleto.

Assim, andar pela Grand Central se torna uma missão quase impossível para os três quartos de milhão de passageiros que utilizam diariamente esta estação, já que o salão Vanderbilt, com mais de 1,1 mil metros quadrados, está repleto de turistas tirando fotos ou olhando para o alto, boquiabertos enquanto contemplam os astros.

Essa última peculiaridade se explica pelo fato que a cobertura do edifício é, na verdade, um mural das constelações representado ao revés.

Embora já tenha se especulado que isto foi um erro de seu artista, Paul Helleu, "está baseado em um mapa do Renascimento italiano que foi desenhado como se Deus estivesse olhando para baixo, por isso está ao revés para os que o contemplamos daqui", detalhou Postal.

Além disso, tirar uma foto na frente do relógio de quatro faces no centro da estação, ponto de encontro para os nova-iorquinos, é um ritual para todos os turistas que visitam a cidade.

O local também faz as vezes de estúdio de cinema, pois foi utilizada em múltiplas ocasiões como cenário para cenas para a grande tela que entraram para a história.

Cenas clássicas como o tiroteio na escadaria da estação protagonizado por Kevin Costner no filme "Os Intocáveis" (1987) justo no momento em que um carrinho de bebê roda escada abaixo, ou quando o terminal é destruído em "Os Vingadores" (2012) durante a luta dos super-heróis para salvar o planeta de extraterrestres.

O encantamento do terminal chega também ao andar subterrâneo, onde se pode comer em uma área ambientada em velhos vagões de trem e saborear, por exemplo, os famosos cupcakes da série de televisão "Sex and the City", da confeitaria Magnolia Bakery.

Este área também esconde outro dos segredos da estação, a acústica de seus arcos de cerâmica que podem causar um sussurro. Assim se duas pessoas se colocam nas esquinas opostas da entrada em arco e sussurram, a outra pode ouvir sua voz apesar de estarem a metros de distância.

Os festejos para celebrar o centenário começarão agora em fevereiro com a participação de rostos conhecidos como Caroline Kennedy, filha do assassinado ex-presidente John F. Kennedy, e o diretor de cinema Spike Lee, mas se prolongarão durante os próximos meses com várias exposições. EFE

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