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Estação espacial chinesa precisou se desviar duas vezes de satélites Starlink

·3 min de leitura

A China apresentou uma queixa ao escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a perigosa aproximação de satélites Starlink, da SpaceX, com estação espacial chinesa Tiangong-3. Segundo o documento, em duas ocasiões a unidade precisou realizar manobras de emergência para evitar um colisão e proteger a vida da tripulação.

O relatório foi encaminhado no início deste mês ao Escritório das Nações Unidas para Assuntos Espaciais (UNOOSA, na sigla em inglês), escritório da ONU responsável por regular o Tratado do Espaço Sideral.

A estação espacial chinesa precisou implantar medidas de controle de prevenção de colisão em julho e outubro. A China também pediu a ONU que lembro aos Estados que participam do Tratado de assumirem a responsabilidade de suas atividades no espaço.

O primeiro incidente aconteceu em 1º de julho, quando o satélite Starlink-1095 atravessou o caminho da estação chinesa, localizada a 390 km de altitude. Do ano passado até junho deste ano, o satélite migrou de uma altitude de 555 km para 382 km.

Um evento semelhante se repetiu em 21 de outubro, enquanto o Starlink-2035 realizava uma manobra desconhecida que atravessa o caminho da estação, que realizou uma manobra evasiva para garantir a segurança da tripulação.

Colisões no espaço

Cada vez mais satélites Starlink são lançados ao espaço próximo à Terra. Até agora, a SpaceX enviou mais de 1.600 unidades — com permissão da Comissão Federal de Comunicações dos EUA para alcançar 12.000 satélites.

Enquanto isso, a SpaceX envia cada vez mais satélites Starlink ao espaço (Imagem: Reprodução/SpaceX)
Enquanto isso, a SpaceX envia cada vez mais satélites Starlink ao espaço (Imagem: Reprodução/SpaceX)

O astrofísico Jonathan McDowell, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, disse ser “altamente incomum” um país apresentar uma queixa por meio de um boletim informativo, como fez a China.

McDowell também destacou que as colisões não são raridades no espaço, mas o número de ocorrências aumentou bastante nos últimos anos. “Starlink é uma grande parte disso”, acrescentou. Ainda assim, a China não seria inocente nessa trama.

lustração da colisão envolvendo um satélite russos em novembro deste ano, cujos fragmentos ameaçaram a ISS (Imagem: Reprodução/ESA)
lustração da colisão envolvendo um satélite russos em novembro deste ano, cujos fragmentos ameaçaram a ISS (Imagem: Reprodução/ESA)

Segundo McDowell, diversas vezes nos últimos anos a Estação Espacial Internacional (ISS) precisou se esquivar de lixos do teste antissatélite militar chinês realizado em 2007. “Não é como se os chineses tivessem um histórico limpo aqui”, ressaltou o astrofísico.

O dono da SpaceX, Elon Musk, é popular na China por conta de sua marca de automóveis, a Tesla, mas tem recebido uma série de críticas na rede social chinesa Weibo, onde usuários chamam os satélites de “armas americanas de guerra espacial.

Até o momento, nem a SpaceX e nem Elon Musk fizeram qualquer comentário sobre os recentes incidentes.

Fonte: Canaltech

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