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Estúdio brasileiro de jogos mobile é acusado de assédio

·7 min de leitura

A desenvolvedora brasileira de jogos mobile Wildlife Studios, responsável por jogos como Tennis Clash e Sky Warriors, foi acusada de manter um ambiente de trabalho tóxico, segundo relatório supostamente criado pelo próprio departamento de Recursos Humanos (RH) da empresa. Funcionários antigos e atuais relataram casos de assédio moral, desigualdade salarial entre homens e mulheres e reforço de estereótipos nos personagens.

As informações foram reveladas pelo site Rest of World, que teve acesso ao relatório criado em maio de 2020, com 22 páginas. O portal ainda entrevistou oito funcionários, que teriam corroborado as informações do documento.

Tennis Clash é um dos jogos mais famosos da Wildlife (Foto: Divulgação/Wildlife)
Tennis Clash é um dos jogos mais famosos da Wildlife (Foto: Divulgação/Wildlife)

Um dos relatos revela que uma gerente foi promovida com salário 30% inferior ao de um homem na mesma posição. A empresa também estaria reforçando estereótipos sexistas em seus jogos, principalmente no jogo Tennis Clash, em que uma personagem feminina foi “apresentada de maneira extremamente sexualizada, com características exageradas e roupas completamente inadequadas para o contexto de uma jogadora de tênis”.

Em outro trecho, o documento diz que um gerente queria sexualizar de forma semelhante um personagem de outro jogo da Wildlife, tentando “silenciar as opiniões femininas da equipe sobre o assunto”. O executivo, que ainda trabalha na empresa, segundo a reportagem, teria dito que “nosso objetivo não é quebrar estereótipos, mas sim reforçá-los”.

O relatório traz mais três denúncias de comportamento sexista:

  1. teriam dito a uma funcionária que “fosse mais humilde” ao pedir melhorias no produto;

  2. outra funcionária teria sido sistematicamente ignorada durante uma reunião de trabalho;

  3. um gerente teria dito a uma funcionária, a sós, para ela parar de dar ideias em grupo e em reuniões.

Escritório da Wildlife Studios, em São Paulo (SP) (Foto: Divulgação/Wildlife)
Escritório da Wildlife Studios, em São Paulo (SP) (Foto: Divulgação/Wildlife)

Além disso, a equipe de arte de marketing teria criado um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp apenas com homens, para que eles “pudessem falar mais livremente” — o relatório aponta que isso era “apenas um eufemismo para comportamento machista”. Embora as mulheres se sentissem “aliviadas” por não serem convidadas para entrar no grupo, por conta das “piadas e comentários”, elas acreditam que deixaram de ser incluídas em assuntos de trabalho.

Por fim, o relatório termina dizendo que os esforços feitos pela empresa para evitar esses comportamentos, como conversas com os gerentes, não tiveram grandes resultados. Porém, o RH espera que um relatório completo dos problemas ajude a “tornar este ambiente mais seguro, mais frutífero e motivador”.

Em junho de 2020, a Wildlife criou um canal de atendimento, administrado por terceiros, para que funcionários possam “fazer denúncias anônimas que vão contra nosso código de conduta e políticas”. Porém, um ex-colaborador disse que já apresentou uma reclamação e não viu nenhuma ação adicional. Outras pessoas também relataram experiências semelhantes à reportagem do Rest of World.

Relatos de crunch, burnout e falta de diversidade no Glassdoor

Avaliações de funcionários antigos e atuais descrevem crunch, prática conhecida da indústria de games (Foto: Divulgação/Wildlife)
Avaliações de funcionários antigos e atuais descrevem crunch, prática conhecida da indústria de games (Foto: Divulgação/Wildlife)

O site de recrutamento Glassdoor, que mantém uma seção de avaliações e comentários sobre os bastidores das empresas, também traz outros relatos sobre a cultura da Wildlife. A nota da empresa é 3,9 de 5, sendo recomendada por 73% das pessoas.

Dentre os principais contras descritos pelos funcionários, está o de que a "cultura de diversidade não é aplicada internamente, está muito mais no discurso do que na prática". Em seguida, está o de que, por ser uma "empresa em amplo crescimento, se você não tiver espírito aberto, você irá se espantar com algumas coisas".

Uma das avaliações, feita por um ex-funcionário que trabalhou como QA Analyst, descreve que os trabalhadores são submetidos a crunch — a prática, já conhecida da indústria de games, consiste em trabalhar frequentemente além das horas estipuladas no contrato para cumprir prazos e metas. Leia abaixo:

"[...] Há muito overtime [hora extra] e julgamento caso o funcionário não se submeta a trabalhar overtime e com isso, a péssima gestão de QA segura a evolução do analista, promovem apenas aqueles que 'babam ovo' da péssima gestão, gerando assim ansiedade, burnouts [cansaço excessivo causado pelo ambiente de trabalho] e situações de abuso psicológico."

Um ex-Senior Software Developer cita "nepotismo, liderança perdida, promessas que não cumprem, pessoas são gerenciadas como objetos e desvalorização dos funcionários, principalmente dos brasileiros". Outro ex-funcionário, que trabalhou como Technical Writer, afirma: "uma empresa não deve agir como um clube para se reunir com amigos, é necessário separar lado pessoal de profissional e ensinar aos funcionários esse caminho."

Já um designer que trabalha no estúdio atualmente escreveu: "sinto uma empresa que maquia o interesse pela diversidade. Só tem homem na liderança e nenhum esforço pra trazer mulheres, gays, lésbicas, pretos, trans +, para estes cargos."

Wildlife diz que denúncias vieram de funcionários, e não do RH

O Canaltech entrou em contato com a Wildlife. A empresa respondeu que “algumas informações fornecidas ao portal Rest of World não são verdadeiras”, afirmando que os relatos não vieram de um relatório conduzido pelo RH da empresa, mas sim de uma "denúncia vinda de três funcionárias", as quais criaram um documento e, então, o encaminharam para a área responsável.

O estúdio também disse que, após apurar os relatos, demitiu dois funcionários e aplicou “medidas disciplinares” a um terceiro envolvido nas denúncias. A empresa afirmou que investiu no fortalecimento das lideranças femininas: “a taxa de contratação de mulheres nessa área é bem acima da média da indústria”, afirma. A empresa também diz que “tem orgulho de dizer que homens e mulheres são promovidos na mesma proporção”.

Confira o comunicado da Wildlife na íntegra:

“A Wildlife Studios esclarece que algumas informações fornecidas ao portal Rest of the World não são verdadeiras. Há cerca de dois anos, a empresa recebeu uma denúncia vinda de três funcionárias, que disseram ter conversado com outros colaboradores para preparar um documento que foi então encaminhado para a área responsável.

Tão logo tomamos conhecimento sobre os fatos descritos no material, iniciamos um processo interno para sua apuração que resultou na demissão de dois colaboradores e medidas disciplinares aplicadas a um terceiro envolvido nas denúncias.

Diversidade é um tema de extrema importância para Wildlife e a empresa trabalha para criar um ambiente seguro e inclusivo. Como parte das nossas iniciativas temos um canal dedicado a denunciar as violações do nosso código de conduta, e todas as queixas recebidas são investigadas pelo departamento de compliance sendo que, após um rigoroso processo de apuração dos fatos, tomamos as medidas cabíveis para cada situação. Ao constatar que houve um problema nessa área, a empresa também investiu no fortalecimento das lideranças femininas, que hoje é composta majoritariamente por mulheres, desde a gerente da área, passando pela diretora e diretora sênior do departamento, que se reporta diretamente para o CEO. Além disso, a taxa de contratação de mulheres nessa área é bem acima da média da indústria.

Somos gratos a todas as pessoas que apontam problemas na companhia e sabemos que diversidade é um tema presente na indústria de tecnologia e, especificamente, na indústria de games. Por isso a Wildlife investe em garantir um ambiente inclusivo por meio de diversas iniciativas como grupos de representação de minorias, treinamentos e sessões de diálogos com os principais líderes de diversidade do Brasil. A Wildlife monitora o progresso na carreira dos diferentes grupos e tem orgulho de dizer que homens e mulheres são promovidos na mesma proporção. E também trouxemos para nosso time um colaborador especialista em pagamento justo e autor do livro 'Fair Play: How to Get a Raise, Close the Wage Gap, and Build Stronger Business', com o objetivo de continuar trabalhando para um ambiente de equidade.

Por fim, é importante esclarecer que a Wildlife Studios possui um canal de comunicação conhecido como ‘Talk to Us’, gerido por uma empresa externa. O canal é direcionado a funcionários e ex-funcionários, que podem realizar denúncias de maneira anônima sobre ações ou atitudes que estejam em desacordo com o código de ética e as políticas internas da empresa. Desde sua criação, todas as denúncias realizadas foram investigadas e endereçadas. Além disso, todas as medidas necessárias foram adotadas para evitar que novos fatos ocorressem, o que mostra o empenho da companhia em criar um ambiente de trabalho seguro para todos.”

O Canaltech também entrou em contato com a Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais), da qual a Wildlife Studios é associada, mas ainda não obteve resposta.

Fonte: Canaltech

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