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Estímulo do BOE não eliminaria impacto econômico de Brexit duro

Lucy Meakin
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Autoridades do Banco da Inglaterra realizam a última reunião de política monetária de um ano tumultuado ainda sem saber se o Reino Unido conseguirá um acordo comercial para o Brexit. E também com a constatação de que podem fazer muito pouco para aliviar os problemas econômicos caso não haja acordo.

Economistas esperam que a política monetária atual seja mantida na quinta-feira, embora reconheçam que isso poderia mudar caso a impossibilidade de acordo seja confirmada antes disso. O BOE aumentou o estímulo para combater a crise causada pelo coronavírus há apenas seis semanas.

No entanto, como o presidente do BOE, Andrew Bailey, destacou na semana passada, embora o banco central ainda tenha espaço para comprar mais títulos e injetar recursos no sistema financeiro, isso não impedirá longas filas de caminhões se os controles nas fronteiras aumentarem.

“O que quer que façam, não fará diferença”, disse George Buckley, economista-chefe para o Reino Unido na Nomura International. “Não é realmente algo que a política monetária possa ter como alvo. A única coisa que podem tentar fazer é mitigar o impacto nos mercados financeiros.”

Como bancos centrais de outros países, o BOE está atualmente focado em manter os juros para o governo altamente endividado, empresas e famílias no nível mais baixo possível durante a pandemia. A taxa básica está em uma mínima histórica de 0,1%, e o programa de compra de títulos dobrou neste ano para 895 bilhões de libras (US$ 1,2 trilhão).

O Brexit é um risco extra. As tensas conversas do Reino Unido com a União Europeia estão nos dias finais, após vários prazos adiados. O fracasso em chegar a um acordo de livre comércio significaria a introdução imediata de tarifas e controles alfandegários para mercadorias quando o período de transição terminar em 31 de dezembro.

A reposição de estoques antes do fim do ano já causa problemas em portos como Dover e Felixstowe. Uma pesquisa com diretores financeiros realizada pelo BOE no mês passado revelou que apenas 6% das empresas estavam totalmente preparadas.

A Bloomberg Economics estima que o choque de curto prazo caso não haja acordo pode totalizar 1,5% do PIB do Reino Unido em 2021 e que, se as negociações fracassarem antes de quinta-feira, o banco responderá.

Se uma decisão sobre o Brexit vier depois de quinta-feira, o BOE já mostrou que pode agir fora da agenda de reuniões, tendo anunciado duas decisões de emergência em resposta à crise de Covid-19 neste ano.

Intensificar o ritmo de flexibilização quantitativa é visto como uma primeira opção provável. Autoridades de política monetária dizem que têm muito espaço e podem acelerar as compras rapidamente, se necessário.

Um relatório na quarta-feira mostrou que a taxa de inflação ficou em apenas 0,3% em novembro, influenciada pelos preços de roupas e alimentos em meio ao novo lockdown no país. Isso aumenta a probabilidade de uma política expansionista.

Autoridades ainda avaliam os riscos da implementação de juros negativos, sugerindo que não se apressariam em tomar tal medida imediatamente, mesmo se as negociações com a UE fracassassem. As apostas do mercado foram influenciadas pelas negociações do Brexit nos últimos dias. Traders já não precificam totalmente um corte dos juros para 2021. Na semana passada, a previsão apontava para uma redução em maio.

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