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Estátuas contestadas contam com proteção legal no Reino Unido

·4 minuto de leitura

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Um ano depois de terem sido cobertas de tinta vermelha, derrubadas, pichadas e atacadas, estátuas de figuras históricas controversas resistem em pedestais no Reino Unido e na Bélgica, dois dos países europeus em que esses protestos ocorreram após a morte de George Floyd, em maio de 2020.

Uma das poucas figuras que perdeu o lugar foi a de Edward Colston, derrubado e jogada por manifestantes no rio Avon, em Bristol, Inglaterra. Comerciante, Colston foi um dos grandes responsáveis por construir a cidade no século 18, doando várias escolas e hospitais.

Muito de seu lucro, porém, veio do tráfico de escravos, o que lhe rendeu a ira dos ativistas. Pescada do lodo em que afundou, a estátua agora será exposta em um museu local, após cuidadoso banho e meses de restauro.

Outro alvo de ativistas, o busto do aristocrata Cecil Rhodes na Universidade de Oxford já sobrevive há seis anos ao movimento Rhodes Deve Cair, iniciado na África do Sul --onde ele é tido como inspirador do apartheid.

Sua estátua na entrada do Oriel College, em que estudou, é consequência de uma doação milionária à instituição após sua morte, em 1902.

Dono da companhia de diamantes De Beers, Rhodes foi acusado de anexar terras e contribuir com a morte de milhares de africanos quando foi primeiro-ministro da região colonizada.

No mês passado, cerca de 150 professores se recusaram a dar aulas no prédio depois que a reitoria da instituição declarou que Rhodes continuaria em seu lugar.

Em vez de descompor a fachada, a escola se comprometeu a investir em bolsas de estudo para estudantes sul-africanos e melhorar a inclusão de alunos negros e de minorias étnicas, entre outras iniciativas.

A permanência foi elogiada pelo governo britânico: "Devemos aprender com nosso passado, em vez de censurar a história, e continuar a nos concentrar na redução da desigualdade", escreveu o ministro da Educação, Gavin Williamson.

Mais que um elogio isolado, a gestão do primeiro-ministro Boris Johnson anunciou em janeiro medidas legais para aumentar a proteção aos monumentos e "ajudar as pessoas a lidar com todos os aspectos da história britânica, sejam bons ou ruins".

Um dos principais gatilhos desse contra-ataque, baseado em "manter e explicar", foi a pichação no ano passado de estátua do ex-primeiro-ministro Winston Churchill como "racista", o que levou a um embate nas ruas entre ativistas do Black Lives Matter e grupos de ultradireita.

Em Londres, a prefeitura instituiu em fevereiro deste ano uma comissão de 15 membros com a missão de aumentar a diversidade refletida no espaço urbano não só em termos de raça mas de gênero, representação LGBTQIA+ e origem étnica.

A iniciativa havia sido anunciada no ano passado, dias depois da derrubada do monumento em Bristol.

Segundo a descrição de suas atribuições, o grupo vai discutir "quais legados devem ser celebrados" e fazer recomendações à administração municipal. "A comissão não foi criada para remover estátuas", avisa o texto.

Na Bélgica, o principal alvo de manifestantes é Leopoldo 2º, que reinou de 1865 a 1909 e foi responsável pela morte de milhões de africanos nas décadas em que foi o proprietário da única colônia particular da história, onde hoje fica a República Democrática do Congo.

A política imperialista, porém, tornou a Bélgica ainda mais rica e poderosa, e homenagens ao "rei destruidor" foram erguidas em muitas cidades do país.

São quatro as figuras de Leopoldo 2º em Bruxelas, e todas foram atacadas em junho do ano passado. Com 5 m de altura, a maior delas, em frente ao palácio real, foi cercada por ativistas que a escalaram e derramaram sobre ela tinta vermelho-sangue. Um ano depois, o único vestígio do ato é uma mancha rubra que resiste na palma da mão direita da estátua.

Das outras três, uma não voltou ao local de exposição, na praça do Soberano, em Auderghem. Após ser derrubada a marretadas por ativistas antirracismo, foi recolhida a um depósito da prefeitura para restauro e lá ficou.

No mesmo mês, o Parlamento nacional lançou uma comissão de verdade, reconciliação e reparações para examinar a atuação colonialista da Bélgica na África, e Bruxelas decidiu criar uma comissão para discutir o que fazer com suas estátuas.

Retirar das ruas homenagens a personagens racistas é uma das opções, mas "o principal é mostrar à comunidade negra que ela está sendo ouvida", afirmou então ao jornal Folha de S.Paulo o secretário de Urbanismo e Patrimônio de Bruxelas, Pascal Smet.

Além da derrubada de estátuas, a contextualização e a construção de monumentos, museus ou programas pró-inclusão são hipóteses discutidas pelos 16 membros do comitê, que inclui advogados, historiadores, jornalistas e professores.

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