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Está na hora de responsabilizar as grandes corporações pelos compromissos climáticos

·5 min de leitura

Enquanto os governos mundo afora seguem relutando em tomar as medidas drásticas necessárias, mais e mais empresas vêm anunciando compromissos climáticos ousados, tomando a dianteira onde os países se eximem.

Mas, ainda que aproximadamente 3 mil empresas tenham se comprometido com iniciativas da campanha Corrida Rumo ao Zero Absoluto, da UNFCCC, ainda há muito chão pela frente. Apenas 42,8% das mil empresas da Russell se comprometem a reduzir emissões, sendo que apenas 26% se comprometeram de forma mais rigorosa, como a zerar as emissões até 2050, ou aprovaram algum outro objetivo embasado cientificamente. Ou seja: é preciso mais compromisso climático.

Por outro lado, os compromissos firmados têm sido cada vez mais criticados. De acordo com ativistas como Greta Thunberg, compromissos de longo prazo estão “sendo usados como desculpas para postergar uma ação real”. O conceito de “emissões zero” está sendo apontado como inapropriado e inviável para entidades individuais e corporações, o que tem tornado esses compromissos não só potencialmente fracos, mas irrelevantes.

Como superar o abismo entre essas perspectivas? É preciso mais ação, e compromissos são uma das formas de caminhar para elas. E se, ao invés de focar no compromisso em si, focarmos na responsabilização por esses compromissos?

A responsabilização pode garantir que os compromissos firmados sejam relevantes, ambiciosos e alinhados com a ciência, tanto em seus cronogramas quanto em seu escopo. Ou seja, que eles toquem nos objetivos que realmente importam (como todas as emissões da cadeia de abastecimento e uso de um produto, e como os gases do efeito estufa para além do carbono) e nos métodos para alcançá-las (ou seja, reduções diretas, remoções, compensações e assim por diante). Isso também garante que os compromissos sejam de fato mantidos – não apenas até o “prazo final” do compromisso, mas em desenvolvimentos que mostram que o objetivo final é viável, e que se está em um bom caminho.

Compromissos são um meio válido de viabilizar a responsabilização privada. Uma vez que o compromisso é firmado, ele pode ser examinado e avaliado. Isso não é de todo mal: compromissos ousados podem ser aplaudidos por funcionarem como exemplos, como um reforço positivo. Já compromissos fracos podem ser criticados e condenados quando necessário. No entanto, uma vez que um compromisso é firmado, a transparência precisa ser estabelecida. A falta de transparência é algo que, em si, deve ser criticado. Somente quando há transparência é possível garantir que as empresas estão de fato cumprindo regularmente seus compromissos e avançando em níveis proporcionais de ação e de conquistas de resultados, rumo ao objetivo final.

É preciso admitir que responsabilização não é fácil, até mesmo para os que são vistos como líderes em sustentabilidade. No B Lab, onde trabalho, desenvolvemos em 2019 uma campanha para zerar as emissões até 2030, na qual a Certified B Corporations (grupo de empresas que cumprem padrões elevados de performance ambiental e social, responsabilização e transparência) e outras empresas se comprometeram a também zerar emissões até essa data. Esse compromisso ambicioso ressoou globalmente, com mais de 1500 negócios tendo aderido ao pacto. Contudo, em meio aos desafios econômicos da pandemia, muitas empresas do acordo ainda precisam dar seguimento às ações necessárias.

Para tratar essa questão, estamos trabalhando em mecanismos melhorados de responsabilização, que permitem mais recursos para os que se comprometeram. Também estamos no processo de considerar como ações mais específicas, incluindo ações climáticas ambiciosas, devem ser incorporadas como parte dos requerimentos para a certificação de qualquer empresa como B Corporations.

Mas nós somos apenas uma iniciativa e uma parte interessada em meio a um sistema mais amplo de responsabilização que poderia trabalhar em conjunto com os outros. Afinal, a responsabilização advém de todos nós. Jovens ativistas como Greta Thunberg, Ashley Lashley e Umuhoza Grace Ineza estão aí para nos lembrar do objetivo final, das consequências de falhar em nossa responsabilização e da necessidade de garantir que as metas climáticas não afetem de forma desproporcional os mais marginalizados e menos responsáveis pelo estado de crise atual (não por acaso, os benefícios dão uma vantagem desproporcional a esses mesmos grupos).

Dirigentes podem estabelecer um padrão que garanta que nenhuma empresa escape à sua parcela de responsabilidade, e, também, podem adotar diretrizes para garantir que todas as entidades corporativas são elas mesmas responsáveis e obrigadas a considerar os interesses das partes interessadas em suas decisões. Investidores podem alocar – e reter – capital das empresas.

ONGs e iniciativas como a Race to Zero, ou como a Science Based Targets e a B Lab podem prover infraestrutura para definir e apoiar as empresas que estão dispostas a se responsabilizar, demonstrando o caminho que deve ser seguido. Na ausência de uma regulação ou para além dela, consumidores, trabalhadores e cidadãos também podem responsabilizar empresas, pressionando-as a ir além e fazer mais.

Um sistema adequado de responsabilização precisa reconhecer que a cobrança mais firme deve sempre vir dos atores mais responsáveis – as empresas e sua cúpula composta de executivos, membros do conselho e outros responsáveis por decisões que incluem a “pessoa corporativa”, mas que são, antes disso tudo, seres humanos. Essas pessoas deveriam saber que as emergências climáticas não só afetam o seu próprio negócio e seus entes queridos, mas eles próprios e suas próprias obrigações morais. Você – e todos nós – somos responsáveis, então também é nosso papel agir. O restante de nós estará por perto para garantir que você faça o certo, e para ajudar ao longo do caminho.

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