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Essas bactérias "comem" eletricidade e poderiam amenizar o aquecimento global

·2 minuto de leitura

Cientistas da Universidade de Washington em St. Louis anunciaram em estudo, nesta semana, que bactérias que vivem em sedimentos de água salgada conseguem "comer" eletricidade, absorvendo e bloqueando o dióxido de carbono responsável pelo aquecimento do planeta. De acordo com Arpita Bose, professora de biologia e líder do estudo, essa habilidade, antes da descoberta, era limitada à água doce.

Atualmente, os oceanos de todo o mundo são capazes de absorver cerca de 25% dos do dióxido de carbono que é liberado na atmosfera quando acontece a queima de combustíveis fósseis. Então, essas bactérias comedoras de eletricidade, chamadas de fotoferrotróficas, aceleram esse processo tão essencial para amenizar o aquecimento global.

"Bactérias fotoferrotróficas usam ferro solúvel como fonte de elétrons para a fotossíntese enquanto fixam o dióxido de carbono. Os ambientes marinhos são lugares ótimos para elas porque eles são ricos em muitas dos nutrientes que eles precisam", conta a pesquisadora, dizendo ainda que a exploração desse fenômeno pode resultar em uma ferramenta para combater as mudanças climáticas.

<em>Imagem: Reprodução/bedneyimages/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/bedneyimages/Freepik

A primeira vez em que uma bactéria fotoferrotrófica foi isolada por cientistas aconteceu na década de 1990, a partir de ecossistemas de água fresca. Até então, somente duas versões marinhas haviam sido descobertas, mas como é bastante difícil manter a bactéria viva em ambiente laboratorial, pesquisas passadas acabaram sendo prejudicadas. Nesse novo trabalho, Bose "caçou" e coletou a bactéria em regiões do estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, e então a cientista e sua equipe isolaram 13 novas cepas de uma bactéria marinha fotoferrotrófica anaeróbia comum, chamada Rhodovulum sulfidophilum.

Eles descobriram que todas as cepas da bactéria eram capazes de fazer fotoferrotrofia e de consumir eletricidade. No laboratório, a bactéria coletou elétrons diretamente de uma fonte, e na natureza o processo é feito através da ferrugem e outros minerais ferrosos que são abundantes em sedimentos marinhos. Os pesquisadores ainda fizeram testes adicionais com uma das cepas para descobrir o caminho usado pelas bactérias para o consumo direto de elétrons, e a resposta parece estar em uma proteína desconhecida de transferência eletrônica. Para termos uma conclusão sobre esse processo, mais pesquisas ainda precisam ser realizadas.

<em>Imagem: Reprodução/Marcin Jozwiak/Unsplash</em>
Imagem: Reprodução/Marcin Jozwiak/Unsplash

Dinesh Gupta, co-autor do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley, explica que bactérias como a Rhodovulum sulfidophilum são amplamente distribuídas em ecossistemas marítimos. Este, inclusive, é o primeiro estudo a explorar a possibilidade de usar substâncias insolúveis ou em fase sólida como doadores de elétrons, e a investigar se esse processo pode estar conectado ao "sequestro" de carbono ou à fixação de dióxido de carbono nos oceanos.

O estudo completo está disponível para consulta na revista científica ISME.

Fonte: Canaltech

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