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Esquerda não detém monopólio de querer o bem social, e liberais têm o mesmo desejo, diz CEO da Natura

Arquivo* SÃO PAULO, SP, 16.12.2021 - Retrato do executivo Fabio Barbosa. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
Arquivo* SÃO PAULO, SP, 16.12.2021 - Retrato do executivo Fabio Barbosa. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a virada do ano, e do governo, o CEO da Natura&Co, Fábio Barbosa, exalta a frente ampla que ajudou a eleger Lula e ressalva que ela precisa ser ouvida.

"A eleição foi ganha pelo PT. Mas não se deve esquecer de que foi também graças a uma frente ampla, somados aos votos anti-bolsonaristas", diz Barbosa, que apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB) na eleição presidencial.

Na avaliação do executivo, a emedebista terá potencial de influência no comando do Ministério do Planejamento, mas é preciso observar se, na hora do jogo, ela também vai ter as condições de trazer sua visão de uma economia com viés mais liberal.

"As propostas ditas de esquerda não detêm o monopólio de querer o bem social. Os defensores de políticas mais liberais têm exatamente o mesmo desejo e entendem que o caminho é diferente", afirma.

Santista e fã de Pelé, Barbosa diz que a morte do ídolo deixa um legado nesta passagem para 2023: o da humildade. "Fora do campo, um gigante que nunca se negava a dar um autógrafo, um sorriso", diz ele.

PERGUNTA - O ano começa agora para o governo do presidente Lula. Como o sr. avalia os sinais dados até aqui para a gestão na economia?

FÁBIO BARBOSA - A recente entrevista do [futuro ministro da Fazenda,] Fernando Haddad, dando uma ênfase que não vinha sendo dada na questão fiscal e na necessidade de cortar gastos, foi bem recebida.

Destaco que a visão mais liberal na economia, assim como a ênfase no controle fiscal, leva a que se tenha mais investimentos, se gere mais empregos, mais oportunidades a todos e, assim, melhore a situação social do país.

As propostas ditas de esquerda não detêm o monopólio de querer o bem social. Os defensores de políticas mais liberais têm exatamente o mesmo desejo e entendem que o caminho é diferente.

Houve críticas sobre a grande presença petista na composição dos ministérios. O sr. concorda com essas críticas? A eleição foi ganha pelo PT. Mas não se deve esquecer de que foi também graças a uma frente ampla, somados aos votos anti-bolsonaristas.

Há um núcleo duro com pessoal do PT, mas o importante é que haja diálogo com outras correntes que se fizeram presentes na frente de apoio ao presidente eleito, e que podem colaborar e devem ser ouvidas.

P.- O sr. foi um dos apoiadores da candidatura da senadora Simone Tebet. Gostou de ver o nome dela no Ministério do Planejamento? Acha que ela terá espaço para influenciar?

FB- No Planejamento ela estará em uma posição com grande potencial de influenciar. Vamos ver se, na hora do jogo, terá as condições de desenvolver o seu trabalho e trazer sua visão de uma economia mais liberal, que busca ganhar produtividade, ser mais competitiva e, assim, gerar crescimento.

P.- E a indicação de Marina Silva (Rede) para o Ministério do Meio Ambiente? Por onde ela deve começar?

FB- Primeiro, deixemos claro que na área ambiental está uma grande oportunidade para o Brasil ser uma potência, gerar empregos e ganhar relevância internacional. E essa tem que ser a visão.

Há, claro, muitos acertos a fazer como o combate ao desmatamento, avançar na titularização da terra, se reintegrar a acordos e discussões internacionais etc.

A Natura tem feito um trabalho de conscientização, não apenas nas questões ambientais, com coleta de assinatura para projeto de lei em defesa da floresta amazônica, mas também desenvolveu uma abordagem política. Recentemente, lançou até um programa de educação política para a rede de revendedoras. A mudança de governo altera em alguma medida esse posicionamento da empresa? A Natura é apartidária. Continuará com o seu comprometimento com a questão ambiental, bem como com os programas de treinamento para as consultoras e representantes, apoiando-as na qualificação também como boas cidadãs.

P.- Qual deve ser a dimensão da preocupação com a inflação em 2023?

FB- Inflação alta é ruim para todos e ainda pior para os mais pobres. O presidente Lula sabe bem disso. A entrevista mais recente do Fernando Haddad, a presença da Simone Tebet e do [vice-presidente] Geraldo Alckmin [PSB], a independência do Banco Central sob Roberto Campos Neto me dão a esperança de que retomaremos o controle. Trabalharem ou não de forma coordenada definirá se será um processo menos custoso ou mais custoso para a sociedade.

P.- Torcedor do Santos que é, como o senhor recebeu a notícia da morte de Pelé? Qual legado ele deixou, na sua opinião?

FB- Edson Arantes do Nascimento nos preparou para a sua morte. Pelé, como muitos têm dito, vive. Legado de humildade: numa final de Libertadores, me sentei ao lado dele no Beira-Rio. Fora do campo, um gigante que nunca se negava a dar um autógrafo, um sorriso. Dezenas de camisas me eram passadas para o Pelé autografar. Ele não recusava nenhuma e sempre escrevia o nome da pessoa, pois, como me disse, receber algo personalizado seria algo inesquecível para aquela pessoa, e para ele era simples, além de um prazer.

Raio-X

Fábio Barbosa

Desde junho deste ano, CEO da Natura&CO, empresa que é dona de marcas como Avon e The Body Shop. Também faz parte dos conselhos de administração da Ambev e do Itaú Unibanco. Foi presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e já esteve na liderança do Santander. É membro do conselho da Fundação das Nações Unidas