Mercado fechado
  • BOVESPA

    115.202,23
    +2.512,05 (+2,23%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    46.342,54
    +338,35 (+0,74%)
     
  • PETROLEO CRU

    66,28
    +2,45 (+3,84%)
     
  • OURO

    1.698,20
    -2,50 (-0,15%)
     
  • BTC-USD

    47.696,63
    +361,64 (+0,76%)
     
  • CMC Crypto 200

    982,93
    +39,75 (+4,21%)
     
  • S&P500

    3.841,94
    +73,47 (+1,95%)
     
  • DOW JONES

    31.496,30
    +572,16 (+1,85%)
     
  • FTSE

    6.630,52
    -20,36 (-0,31%)
     
  • HANG SENG

    29.098,29
    -138,50 (-0,47%)
     
  • NIKKEI

    28.864,32
    -65,79 (-0,23%)
     
  • NASDAQ

    12.652,50
    +197,50 (+1,59%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,7797
    -0,0062 (-0,09%)
     

Esposa de Beto, morto no Carrefour, relata medo de sair de casa por trauma

Alma Preta
·2 minuto de leitura
Em 2020, mesmo ano em que o homem negro foi assassinado por seguranças em uma unidade da rede de supermercados, a marca teve lucro de 2,8 bilhões de reais
Em 2020, mesmo ano em que o homem negro foi assassinado por seguranças em uma unidade da rede de supermercados, a marca teve lucro de 2,8 bilhões de reais

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões 

Aos 43 anos de idade, a cuidadora de idosos Milena Alves vive em estado de tensão e tristeza desde o dia 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, quando o seu companheiro, João Alberto Freitas, o Beto, foi assassinado por dois seguranças do Carrefour, em Porto Alegre (RS).

Três meses depois do crime que tirou a vida do esposo que era um homem negro, Milena contou ao site GZH que continua muito traumatizada. Ela disse que tem medo e não sai mais de casa sozinha. Em contrapartida, o balanço do Carrefour mostra que 2020, mesmo diante da pandemia e da repercussão que o caso teve, o lucro líquido da empesa foi de R$ 2,8 bilhões.

“Somos a favor de um boicote internacional. Não há espaço para diálogo com empresa assassina, racista e genocida. Não toleramos empresas que, através da violência racial e do genocidio, multiplicam os seus lucros”, lembr Douglas Belchior, educador e integrante da UneAfro Brasil, entidade que compõe a Coalizão Negra por Direitos.

O ativista aponta também que o racismo estrutural dos grandes varejistas como o Carrefour afetam funcionários e clientes. “O Beto não foi o único e, infelizmente, não será o último. A família continua desamparada e em luto”, comentou Belchior. No caso do Carrefour, de acordo com ele, é necessária uma punição severa e exemplar.

“O Carrefour tem responsabilidade em seguidos crimes de violência racial. A empresa deveria ter fechado o mercado em Porto Alegre e entregue a estrutura à comunidade, dado uma indenização justa para a família de acordo com a gravidade do crime”, avalia Belchior.

Em novembro, após o assassinato de Beto, houve uma série de protestos contra lojas do Carrefour em diversas cidades do Brasil. A rede se manifestou com uma declaração de compromissos antirracistas e um plano de ação de longo prazo. No dia 25 de novembro, o Carrefour anunciou a criação de um comitê externo para acompanhar as ações antirracistas.

A Alma Preta questionou o Carrefour sobre o tipo de assistência que a rede está dando à família de Beto e se eles estão acompanhando a saúde emocional da companheira dele, que presenciou a morte e é testemunha do crime. A assessoria do Carrefour, contratada para gerir a crise de imagem, não se posicionou. Caso a empresa se manifeste, esta reportagem será atualizada.