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Espelho, espelho meu... Pesquisa revela: narcisistas têm mais sucesso na carreira e na vida

Creative Commons
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por Vitor Valencio (@vitorvalencio)

Confiança, objetividade, senso de superioridade. Características frequentemente retratadas de maneira positiva em pessoas de sucesso e… narcisistas. Aparentemente uma coisa leva à outra, ou pelos menos facilita. Pelo menos é o que diz uma pesquisa científica recente: pessoas egocêntricas têm mais possibilidade de sucesso na carreira, na educação, na vida… No entanto, esse comportamento pode se tornar altamente tóxico para outros ao redor. Até que ponto o narcisismo pode ser uma dádiva ou uma maldição?

Na era da do espetáculo, aparecer mais pode ser sinônimo de sucesso. As gerações mais jovens parecem saber mais sobre isso do que os mais velhos, que não cresceram sob os olhares incessantes de uma rede de compartilhamento social, onde cada instante de sua vida é um capítulo de uma grande narrativa chamada “eu”. Logo, quem é visto, é lembrado.

Essa é exatamente uma das conclusões do grupo de pesquisa da Universidade Queen’s, de Belfast, capital da Irlanda do Norte. Segundo os acadêmicos, o narcisismo pode ser uma faca de dois gumes. Tanto um indicativo de resiliência e autoconfiança, quanto um apontador de traços egoístas ou até mesmo psicóticos. Ambos caminhos para o sucesso, custe o que custar…

De acordo com os psicólogos, uma pessoa narcisista tende a cultivar um senso de superioridade, que por sua vez alimenta certa resiliência mais forte do que o comum. Uma espécie de resistência mental capaz de tornar a pessoa mais resistente ao fracasso e mais persistente quando decide perseguir objetivos.

Para o Doutor Kostas Papageorgiou, esse senso de autoestima superior garante a autoconfiança de que a pessoa vai conseguir o que anseia. “Se você é um narcisista, acredita fortemente que é melhor que qualquer outra pessoa e merece uma recompensa por isso”, revela o líder da pesquisa.

Autoconfiança, quem é que não quer? De acordo com o professor, confiar em si mesmo é uma das características do narcisismo, mas também um indício de grande força mental. “Se uma pessoa é mentalmente forte, ela é mais propensa a enfrentar desafios e encará-los como oportunidades de crescimento pessoal”, reitera Papageorgiou.

Até aí nada de negativo, uma vez que ouvimos o tempo todo que é preciso confiar em si mesmo, certo? No entanto, a pesquisa também levanta um lado sombrio maior que o senso de superioridade, a perseguição por ser, de fato, mais do que os outros. “O narcisismo é considerado socialmente como um traço malévolo e faz parte da ‘Tríade Obscura’ da personalidade – narcisismo, psicopatia e o maquiavelismo”, se aprofunda o especialista da Universidade Queen’s, de Belfast.

Para chegar a esse tipo de conclusão, o estudo contou com a participação de mais de 300 estudantes em três escolas de ensino médio diferentes, em Milão, na Itália. Os resultados foram obtidos depois da análise em conjunto com pesquisadores do King’s College e da Universidade de Londres, da Universidade Metropolitana de Manchester, da Universidade de Huddersfield e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

A metodologia comprovou que mesmo sabendo menos, alguns estudantes conseguiam resultados melhores que seus pares mais estudiosos ou mais capazes. As notas foram melhores por serem mais confiantes e resolutos que eram ou deveriam ser melhores. Ou seja, os narcisistas não eram mais inteligentes, mas eram mais obstinados a serem superiores a outros alunos, teoricamente, mais capazes.

Para o Doutor Kostas, embora possam ser extremamente carismáticas, pessoas narcisistas tendem a querer atrair a atenção para si sempre que têm oportunidade. Além disso, podem ser destrutivos aqueles ao redor. Mas isso não significa necessariamente um problema mental. “O narcisismo sub clínico inclui alguns sintomas de síndromes associadas, como grandiosidade, sentimento de realeza, dominância e superioridade”, pondera.

Apesar dos termos parecerem totalmente negativos, é necessário entender como a sociedade moderna lida com o ego. Afinal, a tecnologia pode deixar termos como ‘privacidade’ cada vez mais perto da extinção. Ou pode ser que as pessoas simplesmente não exijam mais certo anonimato. Talvez apenas seja preciso cuidado para evitar a obsessão de Narciso com a própria beleza.

“É importante considerar como nós, como sociedade, enxergamos o narcisismo. Percebemos emoções e traços de personalidade como bons ou ruins. Mas as características psicológicas são produtos da evolução; não são ruins ou boas, são adaptativas ou mal adaptativas. Talvez devêssemos expandir a moralidade social convencional para incluir e celebrar todas as expressões da natureza humana”, conclui o cientista.

Quem foi Narciso?

A mitologia grega se refere a Narciso como um ser famoso por sua beleza e orgulho. A versão mais famosa seria a do poeta romano Públio Ovídio Naso. Segundo ele, os pais de Narciso consultaram um oráculo assim que a criança veio ao mundo. De acordo com a entidade, o destino revelava longa vida ao menino, desde que ele jamais olhasse o reflexo da própria face.

O termo narcisismo veio justamente da quebra dessa profecia. Muito belo, Narciso despertava o desejo por onde passava. No entanto seu orgulho impedia qualquer aproximação. Até mesmo as mais belas criaturas, as ninfas, foram rejeitadas por ele. Para se vingar, pediram que deusa grega Nêmesis (ou representada por Afrodite, deusa do amor na mitologia romana) o condenasse a se apaixonar pelo seu reflexo.

Obcecado por sua própria beleza refletida na lagoa de Eco, Narciso morreu prostrado na margem do espelho d’água, definhando ao olhar para seu rosto refletido na água. Logo, para os gregos, Narciso representava a vaidade e insensibilidade humanas, bem como o despertar humano do próprio ‘eu’, seja positiva ou negativamente.

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