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Especialistas: falta de vacinas pode afastar hesitantes da campanha e dificultar mais a luta contra a Covid-19

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO — A falta de vacinas em várias capitais brasileiras na última semana afeta a credibilidade da campanha e afasta dos postos um grupo especialmente complicado quando o tema é imunização: os hesitantes. Ao lado dos faltosos à segunda dose, eles são mais um percalço no alcance de uma eficácia coletiva contra a Covid-19 no país. E a escassez de vacinas, dias depois de São Paulo e Rio terem anunciado antecipação de calendários de imunização, contribui para que mensagens difusas cheguem à população, alertam especialistas.

— O desabastecimento de vacinas é perigoso porque influencia a baixa cobertura em geral. Se é um hesitante, chega ao posto e não tem vacina, não vai voltar. Com a Covid-19 é um pouco diferente, mas se perde uma oportunidade. E é essencial que o máximo de pessoas se vacine. O desabastecimento descredibiliza esse esforço — alerta a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Mayra Moura.

Ao menos seis capitais brasileiras relataram falta de doses nesta semana. Na cidade de São Paulo, a imunização foi suspensa por um dia com a ausência de novas remessas que suprissem o estoque. Foi uma surpresa, dias depois de o governador João Doria ter anunciado que anteciparia para até 15 de setembro a imunização com a primeira dose de todos os maiores de 18 anos do estado. Na última quinta, mais postos da cidade relataram esgotamento das doses logo após as primeiras aplicações da manhã.

— Quando se faz uma campanha, se considera o número de pessoas a serem vacinadas, e a distribuição é feita aos estados com base nesse quantitativo da população. O que acontece agora com a Covid-19 é que o PNI (Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde) distribui as vacinas de acordo com as doses disponíveis, e não segundo o número de pessoas a serem vacinadas. Aí se deu um descompasso — explica Mayra, que defende uma campanha de comunicação com informações claras e corretas à população.

A disponibilidade de vacinas tem ditado o ritmo da vacinação, considerado ainda lento para o tamanho do país. A chegada de novas remessas permite adiantar o calendário, em uma prática que faz parte de toda campanha do gênero. A questão é quando não se consegue cumprir a promessa.

— Se, por exemplo, em um lugar se vacinou muito rápido certo grupo e ainda há vacina sobrando, a imunização pode ser ampliada para outra população que não estava definida pelo PNI. Mas não temos uma condução nacional. A falta de vacinas expõe a dificuldade que é realizar uma campanha desse porte de forma descentralizada — diz a diretora da Sbim. — Se o PNI dissesse: "Vamos vacinar agora todos acima de 50 anos" e na minha cidade já vacinei essa população e ainda tenho sobra porque não vieram todos que deveriam ou porque já estou nessa faixa etária há muito tempo, posso decidir ampliar as outras faixas. Mas só se faz isso com vacina no estoque ou cobertura vacinal atendida. Não apenas contando que a vacina vai chegar.

Burocracia e fura-fila

Especialistas criticam outras questões de logísticas adotadas no caminho, como burocracias com os atestados e as brechas abertas com os critérios de comorbidades.

— Ouvimos que em alguns postos tinha mais gente conferindo atestado do que aplicando vacina. Se tivesse sido feito um escalonamento por idade, a fila já teria andado mais rápido — diz o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). – A classe média que estava apostando na vacina privada para se vacinar antes conseguiu fazer isso com os atestados de comorbidades.

Cada estado e município adotou logística própria para seu calendário de imunização, de acordo com a disponibilidade de vacinas enviadas pelo governo federal via Ministério da Saúde. Em Campinas, no estado de São Paulo, a vacinação funcionou com agendamento, para garantir a aplicação das doses.

— Adotamos um raciocínio para não ter falta. Só abrimos agendamento quando a vacina já está na geladeira, para não quebrar a expectativa da população de vir e não ter – conta a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas, Andrea von Zuben. — Imagina, a pessoa se organizou, tinha trabalho, outra coisa, foi se vacinar e não tinha. Com medo de ir de novo e não ter, ela pode não voltar mais. Às vezes é uma hesitante, foi convencida por um parente ou amigo a se vacinar, e a falta de doses a faz deixar de acreditar no programa (de vacinação).

Campinas vacinou 47,7% da população com a primeira dose, e 17,5% com a segunda. Todos os maiores de 70 anos estão com as duas doses, diz Andrea. Os faltosos representam 0,6%. A vacinação está na faixa de 43 anos. Quando chega uma nova remessa, o agendamento é estendido aos sábados, e às vezes aos domingos. Tudo que chega é aplicado, diz Andrea.

— Hoje não temos estoque. Só temos o que chamamos de provisionamento de segunda dose — conta a diretora do Devisa. — Um dia antes mandamos SMS e e-mail para lembrar. Quando a pessoa não vem, uma equipe liga.

O agendamento de novas aplicações está parado, aguardando a chegada de vacinas na próxima semana.

O Ministério da Saúde afirma que semanalmente a pasta coordena reuniões entre União, estados e municípios, para definir a estratégia de vacinação e o percentual que deve ser usado como primeira e segunda dose, a partir das entregas dos laboratórios. E diz, em nota, que "recomenda que os gestores locais do SUS sigam à risca as orientações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, para completar o esquema vacinal de todos os grupos".

No entanto, estados e municípios "têm autonomia para seguir a própria estratégia de vacinação, conforme as demandas regionais". A responsabilidade pela distribuição de doses aos municípios, diz o Ministério da Saúde, é da gestão estadual.

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