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Especialistas estudam mortes de 1.300 bebês por COVID-19 no Brasil

Nathan Vieira
·2 minuto de leitura

A COVID-19 por si só já é um enigma a ser decifrado pouco a pouco pela ciência. No entanto, sua relação com as crianças pequenas é uma preocupação ainda mais delicada para os especialistas. Apesar de evidências apontarem que a morte de crianças por COVID-19 é rara, no Brasil, 1.300 bebês morreram em decorrência de complicações causadas pelo vírus. Tudo o que os especialistas da área querem responder é a razão por trás desse número elevado de mortes ainda na primeira infância.

Entre fevereiro de 2020 e 15 de março de 2021, a COVID-19 foi responsável pela morte de pelo menos 852 crianças brasileiras de até nove anos, incluindo 518 bebês com menos de um ano, segundo dados do próprio Ministério da Saúde. No entanto, segundo a Dra. Fatima Marinho, epidemiologista da Universidade de São Paulo e conselheira sênior da ONG internacional de saúde Vital Strategies, houve o dobro desse número de mortes.

Para a especialista, há um problema sério de subnotificação devido à falta de testes da COVID-19 está reduzindo esses números. Ao conduzir uma pesquisa, a Dra. Fatima calculou o excesso de mortes por síndrome respiratória aguda durante a pandemia e chegou a uma assustadora conclusão: 10 vezes mais mortes por síndrome respiratória do que nos anos anteriores. O cálculo levou à estimativa de que o vírus matou, na verdade, 2.060 crianças menores de nove anos, incluindo 1.302 bebês.

Especialistas estudam mortes de 1.300 bebês por COVID-19 no Brasil (Imagem: Rawpixel)
Especialistas estudam mortes de 1.300 bebês por COVID-19 no Brasil (Imagem: Rawpixel)

O ponto de vista dos especialistas é que o grande número de casos de COVID-19 no país tenha sido diretamente responsável pelo aumento da probabilidade de crianças pequenas serem afetadas.

Em entrevista à BBC, Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, aponta que quanto mais casos tivermos, maior será o número de óbitos em todas as faixas etárias, inclusive crianças. Mas, se a pandemia fosse controlada, esse cenário seria minimizado.

O especialista alerta que a alta taxa de infecção sobrecarregou todo o sistema de saúde do país.Inclusive, no início de março, os médicos descreveram um futuro cenário dramático, submerso num colapso no sistema de saúde, ou seja, com as unidades de terapia intensivas (UTIs) com uma taxa de ocupação superior a 90%.

Outra questão apontada por Dra. Fatima é a falta de testes, responsável por impulsionar as altas taxas em crianças. “Temos um problema sério na detecção de casos. Não temos exames suficientes para a população em geral, menos ainda para as crianças. Como há um atraso no diagnóstico, há um atraso no atendimento à criança”, a especialista disse para a BBC.

Fonte: Canaltech

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