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Especialistas criticam eventos-teste autorizados no Rio e pedem manutenção de máscaras e distanciamento

·5 minuto de leitura

RIO — Especialistas veem falhas no formato das propostas de eventos-teste que receberam a chancela da Prefeitura do Rio nesta quarta-feira, como o GLOBO noticiou. Os três eventos autorizados pelo Instituto de Vigilância Sanitária, de Zoonoses e de Inspeção Agropecuária, da Secretaria municipal de Saúde (Ivisa-SMS), estão marcados para outubro e não terão exigência de uso de máscara nem de distanciamento mínimo, desde que os participantes tenham sido testados e apresentem comprovante de vacinação.

O primeiro evento, programado já para o dia 1º, é uma festa de aniversário de 16 anos que acontecerá no Copacabana Palace, com um público estimado de 380 pessoas. O segundo, marcado para os dias 2 e 3, é uma festa para até 5 mil pessoas que acontecerá numa casa de eventos no Alto da Boa Vista. O terceiro é um festival de rock agendado para 13 a 31 de outubro e autorizado para acontecer na Praça da Pira, no Centro da cidade, ao ar livre.

Em defesa da decisão da prefeitura, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou ao GLOBO nesta quarta que “não faz sentido” exigir máscara e distanciamento social de pessoas vacinadas e testadas, mesmo que só com a primeira dose.

— Se as pessoas estão testadas e vacinadas, não faz o menor sentido exigir máscara e distanciamento. Não tem problema se nem todas as pessoas estiverem com as duas doses, pois elas vão ter sido testadas. Na maioria dos países em que foram liberados eventos-teste, nem imunização se exigia. A ideia dos eventos-testes é anterior à vacinação — afirma o secretário.

Segundo decreto municipal, o participante do evento-teste deve apresentar diagnóstico negativo de Covid-19 em exame de antígeno de SARS-Cov-2 realizado até 48h antes pelo(s) laboratório(s) vinculado à proposta. Também é preciso mostrar na porta a comprovação de esquema vacinal contra a Covid-19, o chamado “passaporte da vacina”, conforme o cronograma de vacinação da prefeitura. A partir de 1º de outubro, segundo calendário da SMS, serão exigidas as duas doses do imunizante para pessoas com 40 anos ou mais; as outras faixas etárias terão de apresentar comprovante da primeira dose.

Na avaliação da epidemiologista Gulnar Azevedo, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os indicadores da Covid-19 no município caíram, mas não a um nível confortável para a liberação do uso de máscaras e do distanciamento. Ela cobra ainda uma fiscalização rigorosa de toda a movimentação envolvida na preparação desses eventos, que não termina nos participantes.

— Antes de o evento começar, existe todo um fluxo que envolve funcionários, cozinheiros, motoristas… É preciso garantir que eles estejam vacinados e testados na porta do evento, mas também que houve precaução antes e depois, se usaram máscara no ônibus, por exemplo. Além disso, a eficácia da vacina é superior com as duas doses, mas, numa festa de aniversário de adolescente, certamente a maioria dos convidados terá uma dose só.

Ela pontua que esse tipo de evento é importante para mensurar o impacto das reuniões sociais no contexto epidemiológico local. Porém, no caso do Rio, a palavra-chave ainda é cautela, diz:

— É certo que esses eventos precisam acontecer para testarmos. Mas precisamos olhar com mais cuidado para a curva de casos do Rio de Janeiro e saber se é o momento. Ela caiu, mas não chegou a zero. Quando outros países fizeram eventos assim, os indicadores estavam em outro patamar

Pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, e membro do Observatório Covid-19 BR, Vitor Mori critica a decisão da prefeitura de abolir a obrigatoriedade do uso de máscaras e do distanciamento social.

— Quando a gente libera tudo em todos os eventos, a gente não sabe o que mudar na próxima etapa, qual providência você pode tomar no próximo evento. É como uma equação em que você altera todas as variáveis ao mesmo tempo — salienta.

Ele também destaca as diferenças em cada um dos eventos autorizados. Para Mori, apenas o terceiro acontecimento, a ser realizado num lugar totalmente aberto na segunda quinzena de outubro, poderia ser considerado seguro do ponto de vista sanitário — contanto que todos os participantes usassem máscaras.

— O primeiro evento eu acho um erro bem grande. Fazer um evento num espaço fechado como o Copacabana Palace não é seguro. Não sei se vai haver algum investimento em ventilação no ambiente, porque não adianta abrir a janela e dizer que está tudo bem. Sem contar que a maioria dos presentes não vai ter tomado as duas doses. Já o segundo evento, por acontecer numa casa de festas, provavelmente será híbrido, com instalações abertas e fechadas. Nesses casos, experiências de outros países já mostraram que é comum haver um momento da festa em que os participantes se concentram no lugar fechado, por causa da chuva ou por outra razão qualquer. Por isso eventos como esses se destacam pelas chances de um superespalhamento posterior — explica o especialista.

A Prefeitura do Rio, que inaugurou nesta terça-feira a primeira fase do calendário de reaberturas da cidade, autorizou as propostas com base no decreto n° 49336, do dia 26 do mês passado, que permite a organizadores quaisquer, sejam empresas ou pessoas físicas, solicitar autorização para um evento-teste mediante o cumprimento de determinadas medidas sanitárias.

De modo geral, a realização de eventos ao ar livre para até 500 pessoas está permitida na cidade desde ontem. No entanto, caso a proposta do evento exceda em algum ponto as restrições atualmente previstas pela prefeitura para reuniões de grande porte, o organizador do evento pode pedir aval para a realização de evento-teste, que prevê algumas especificações sanitárias.

A legislação atual prevê também que os eventos-teste aconteçam preferencialmente ao ar livre. A norma consta no decreto nº 49411, do dia 16 de setembro, que revê uma determinação anterior da prefeitura. Segundo o decreto nº 49336, do fim de agosto, os eventos-teste deveriam acontecer exclusivamente ao ar livre.

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