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Especialistas avaliam Coronavac em meio a debate sobre eficácia

Bloomberg News
·5 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O nível mais baixo de proteção das vacinas chinesas contra a Covid-19 coloca foco em imunizantes fundamentais para o combate à pandemia do Brasil à Indonésia, especialmente depois que sua eficácia foi questionada por um dos maiores especialistas em saúde da China.

A Bloomberg conversou com dois especialistas sobre as vacinas, com foco na Coronavac, desenvolvida pela Sinovac Biotech, que tem sido alvo de uma crise de confiança depois da divulgação de níveis de eficácia pouco acima de 50% em um ensaio de estágio final no Brasil, o mínimo exigido por agências reguladoras de medicamentos globais. Outros imunizantes chineses apresentaram taxas entre 66% e 79%, ainda muito abaixo das vacinas desenvolvidas pela Pfizer e Moderna e até mesmo da russa Sputnik, que mostrou níveis de proteção acima de 90%.

Mais de 30 países têm usado a vacina da Sinovac, a maioria deles no mundo em desenvolvimento, mas também em Hong Kong. O imunizante tem papel fundamental na gigantesca campanha da própria China para imunizar 560 milhões pessoas - 40% da população - até o fim de junho.

A boa notícia é que as vacinas funcionam muito bem no combate a casos graves de Covid, de acordo com Fiona Russell, do Murdoch Children’s Research Institute, em Melbourne, e com Paul Griffin, professor da Universidade de Queensland, em Brisbane. Os comentários foram editados e resumidos.

Qual é a eficácia da Coronavac?

Russell: O ensaio da Sinovac tinha como objetivo observar como a vacina atua contra toda a gama de sintomas clínicos, desde infecções leves a graves e morte. Os dados de eficácia de cerca de 50% são para casos muito leves, que não requerem tratamento. Para infecções que requerem alguma intervenção médica, é de cerca de 84% e, para casos de Covid moderados a graves, de 100%.

Isso é o que esperamos das vacinas contra a Covid: maior eficácia contra infecções mais graves e menor contra infecções mais brandas. Pelo que posso ver, parece uma vacina muito válida. O problema com os dados é que não incluíam muitos idosos ou muitas pessoas com comorbidades.

Griffin: Minha impressão é que a eficácia parece provavelmente estar acima do limite mínimo estabelecido pela Organização Mundial da Saúde, mas menos eficaz do que uma série de outras vacinas candidatas importantes. Embora possa ser menos eficaz contra a Covid sintomática (infecções leves), a eficácia em casos graves é muito alta, o que é uma propriedade incrivelmente valiosa de qualquer vacina, incluindo esta.

Por que mostra taxas de eficácia variáveis em diferentes estudos?

Russell: Isso causou um pouco de confusão. Os ensaios foram feitos no Brasil, Indonésia e Turquia. Cada um dos estudos apresentou resultados diferentes. No Brasil, você tem a variante P.1 circulando e, possivelmente, a eficácia da vacina pode ser diferente por causa disso. Não estou familiarizado com o que circulava na Turquia ou na Indonésia na época do estudo, mas isso obviamente poderia mudar os resultados.

Além disso, é muito difícil comparar diretamente os resultados de diferentes ensaios, porque eles devem ser interpretados no contexto do desenho do estudo. As definições de caso - a forma como um caso de Covid-19 é identificado em um ensaio clínico - usadas foram diferentes, assim como os desfechos dos estudos.

Griffin: Isso mostra como as variáveis nos ensaios clínicos podem afetar os resultados. Diferentes cepas circulando em um país são uma grande variável que pode alterar a leitura da eficácia. As cepas do vírus são de vital importância na determinação da eficácia da vacina.

O que pode ser feito para melhorar a vacina?

Russell: O prazo recomendado para duas doses da vacina de Sinovac no ensaio foi de duas semanas, embora algumas pessoas o tenham estendido por mais tempo, até com um mês de intervalo. Teoricamente, ajustar o cronograma é definitivamente uma opção. Combinar vacinas - começando com um tipo e depois reforçando com outro diferente - é outra opção, mas precisamos saber muito mais sobre essas variações.

Griffin: É muito provável que o intervalo entre as doses seja criticamente importante e certamente soa como uma variável nos ensaios clínicos da Sinovac também. Precisamos de outro ensaio clínico para verificar se incluir outro reforço aumenta a eficácia. Em termos de reforço heterólogo - usando um mix de vacinas diferentes -, pesquisas estão em andamento. Muitas pessoas estão otimistas, mas até termos os dados, é difícil saber.

É possível alcançar imunidade de rebanho com a Coronavac?

Russell: Isso depende de uma série de coisas: a variante circulante, a cobertura necessária e o grau em que a vacina evita a transmissão do vírus. Mas ainda não temos muitos dados sobre transmissão.

Griffin: Se tivermos uma vacina menos eficaz, precisaremos imunizar mais pessoas para conseguir isso. É provável que seu potencial para reduzir a transmissão do vírus também seja menor, mas, novamente, sem bons dados, é difícil ter certeza. Com uma cobertura muito alta, mesmo uma vacina moderadamente eficaz talvez seja melhor do que uma vacina altamente eficaz com cobertura ruim. Então, depende da aplicação, entre outros fatores.

As pessoas devem tomar a vacina da Sinovac?

Russell: Eu não hesitaria, desde que garanta a aprovação da autoridade reguladora. Para evitar que as pessoas acabem em hospitais, a vacina da Sinovac parece excelente, pois os dados de eficácia para prevenir hospitalização e morte são de 100%.

Griffin: Sim. Embora possa significar que não reduzimos os casos em geral ou alcançamos imunidade coletiva, ainda teremos sucesso na redução de infecções graves por Covid e, portanto, o fardo sobre o sistema de saúde. Se a vacina for aprovada por reguladores relevantes, então acho que precisamos ter confiança de que é segura e eficaz para essa população.

Se houver várias vacinas disponíveis, as pessoas podem optar por uma que tenha demonstrado superioridade em ensaios clínicos. Mas, se isso não for possível, ter essa vacina é melhor do que não ser vacinado.

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