Mercado fechado

Espanha vê luz no fim do túnel com ambicioso plano de vacinação contra a covid-19

Álvaro VILLALOBOS, Diego URDANETA
·2 minuto de leitura
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez

Após oito meses de angústia e mais de 42.000 mortos, o governo espanhol lançou uma luz no fim do túnel nesta sexta-feira (20), anunciando um ambicioso plano de vacinação contra a covid-19 no primeiro semestre de 2021.

"Estamos preparados. Nossas previsões são, em quase todos os cenários razoáveis, de que uma parte muito substancial da população espanhola poderá estar vacinada, com todas as garantias, ao longo do primeiro semestre" de 2021, disse Sánchez, em um evento em Agoncillo, na região de La Rioja (norte).

A Espanha "será o primeiro país da UE, junto com a Alemanha, a ter um plano completo de vacinação. Estamos trabalhando neste plano desde setembro", completou Sánchez, acrescentando que os detalhes serão apresentados na próxima terça-feira em conselho de ministros.

O líder fez essas declarações em um momento em que se multiplicam os anúncios promissores sobre a comercialização dessas vacinas tão esperadas.

No mês passado, o governo espanhol autorizou a futura aquisição de 31,5 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, como parte de um acordo de compra da Comissão Europeia com esta farmacêutica, que prevê 300 milhões dose para todo bloco.

A Agência Espanhola de Medicamentos (AEMPS) também autorizou, na quarta-feira (18), o início da última fase do ensaio clínico de uma vacina de duas doses contra a covid-19 do grupo norte-americano Johnson & Johnson. O teste será realizado em outros oito países.

Além disso, o governo espanhol aguarda a Pfizer e a BioNTech, que anunciaram nesta sexta-feira que vão pedir autorização nos Estados Unidos para comercializar sua vacina contra a covid-19.

- Tendência favorável -

A Espanha é um dos países da Europa mais afetados pela pandemia, com mais de 42.000 mortos e 1,54 milhão de casos diagnosticados desde o início do ano.

Junto com a crise sanitária, veio também a econômica. Setores cruciais como turismo e restaurantes ficaram devastados. O FMI prevê uma das quedas mais fortes do PIB entre os países ocidentais, 12,8% em 2020.

As medidas de contenção do vírus continuam drásticas apesar de, diferente de outros vizinhos europeus, a Espanha ter conseguido evitar um segundo confinamento domiciliar como o da primeira onda, na primavera europeia.

Hoje, um toque de recolher noturno está em vigor em todo país, exceto nas Ilhas Canárias, e há inúmeras limitações de movimento.

Em algumas áreas, os espanhóis não podem sair de seu município, exceto por motivos justificados, como ir ao médico, trabalhar, ou cuidar de pessoas dependentes.

Na quinta-feira (19), o epidemiologista-chefe do Ministério da Saúde, Fernando Simón, destacou que a incidência do vírus segue abaixo pouco a pouco.

Ele ressaltou, porém, que a pressão sobre os hospitais continua a ser "importante".

As restrições sociais parecem dar fruto e, à vista do retrocesso generalizado da incidência do vírus em grande parte do país, o ministério da Saúde fala de uma tendência "favorável".

bur-avl/CHZ/eg/tt/aa