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Espanha adota medidas para evitar situação da Itália com coronavírus

Por Mathieu GORSE
Prateleiras vazias em supermercado de Madri

Cancelamento dos voos vindos da Itália, partidas de futebol a portas fechadas, escolas sem aula. Diante da triplicação dos casos desde a noite de domingo, a Espanha anunciou nesta terça-feira (10) um pacote de medidas na tentativa de impedir a propagação do coronavírus.

Com 1.622 casos e 35 mortos, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde nesta terça-feira ao meio-dia, a Espanha é agora um dos países mais afetados do mundo e o mais afetado na Europa, depois da Itália. No domingo, registrava 589 casos.

Diante do crescimento exponencial do contágio, o governo de Pedro Sánchez, que manteve a expectativa sem tomar maiores medidas, iniciou a ofensiva nesta terça-feira.

“Algumas medidas que não gostaríamos de tomar e estamos cientes de que alteram a vida cotidiana das pessoas, mas acreditem que são necessárias”, afirmou o ministro da Saúde, Salvador Illa, em coletiva de imprensa após o Conselho dos Ministros.

“Todas as medidas que estamos tomando visam não chegar ao cenário da Itália”, afirmou Illa.

A Itália, país mais afetado depois da China, convocou seus 60 milhões de habitantes na noite de segunda-feira a ficarem em casa, para frear a epidemia.

- Futebol sem público -

A Espanha cancelou de 11 a 25 de março todos os “voos diretos de qualquer aeroporto localizado na República da Itália para qualquer aeroporto localizado no Reino da Espanha”, de acordo com a decisão publicada no Boletim Oficial do Estado (BOE).

Os dois países têm muitas conexões. Mais de 240.000 italianos vivem na Espanha e o tráfego aéreo da Itália responde por 9% do tráfego internacional da Espanha.

O governo também ordenou que todas as competições esportivas sejam disputadas sem público no país, incluindo as partidas de futebol dos times da primeira divisão, cujos próximos dois dias serão disputados com as arquibancadas do estádio vazias.

Também pediu às empresas que ajustem os horários de seus trabalhadores ou os autorizem a trabalhar em casa.

Nas regiões espanholas mais afetadas, como Madri, foram tomadas medidas complementares, como a suspensão de qualquer evento público em espaços fechados que reúnam mais de mil pessoas.

A região de Madri, com 6,5 milhões de habitantes, anunciou na segunda-feira o fechamento de todas as escolas e universidades a partir desta quarta-feira, por duas semanas. Também planeja desinfetar vagões do metrô, ônibus e trens.

O Parlamento espanhol anunciou o adiamento por uma semana de sua sessão plenária, em um momento em que um dos líderes do partido de extrema direita Vox, Javier Ortega-Smith, deu positivo para o coronavírus.

Outros eventos fora das áreas mais afetadas também foram suspensos, como o Festival de Málaga, um dos mais importantes encontros da sétima arte na Espanha, que deveria começar nesta sexta-feira, conforme anunciado por seus organizadores.

- Filas nos supermercados -

Em meio a essa recuperação, os supermercados de Madri registraram um movimento maciço de pessoas que buscavam coletar reservas.

“É uma loucura”, o local “está esgotado”, admitiu Clara Badena à AFP, funcionária de um supermercado no norte de Madri, onde as prateleiras de enlatados e papel higiênico estavam pela metade.

A associação que representa a grande distribuição (ANGED) assegurou que o fornecimento das lojas está “garantido” e, portanto, pediu para “não acumular desproporcionalmente alimentos e produtos”.

O governo espanhol planeja uma nova reunião na quinta-feira para analisar a situação e tomar medidas adicionais, se necessário. Pedro Sánchez se reunirá neste dia com sindicatos e organizações de empregadores para discutir um “plano de choque” econômico, do qual nenhum detalhe foi adiantado.