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Esgotamento extremo dos funcionários da saúde na Itália

Por Franck IOVENE
Um membro do pessoal do hospital de Brescia, na Itália, vestido com equipamento de proteção

Uma enfermeira exausta dorme sobre o teclado do seu computador. A foto, compartilhada nas redes sociais, se tornou símbolo do esgotamento extremo do pessoal da saúde que atua no norte da Itália, principal local nos país a lutar para combater a pandemia de coronavírus.

Elena Pagliarini trabalha em um hospital em Cremona (norte), uma instituição especializada no combate ao contágio.

O novo coronavírus causou a morte de mais de 1.300 italianos e o mesmo número permanece hospitalizado em cuidado intensivo, o que representa um quarto das camas destinadas a isso no país.

Na última sexta, foram registrados outros 2.500 casos de contaminação. Em Lombardia, a zona com maior poder econômico do país, com 890 mortos, tem um dos melhores sistemas de saúde do mundo, mas os que o fazem funcionar, como Elena Pagliarini, não conseguem tomar fôlego.

"Por um lado estava envergonhada de ser vista por tanta gente, por mostrar minha fragilidade. Mas agora, sinto-me feliz, recebi lindas mensagens de pessoas que se sentiram tocadas por minha história", disse ao jornal Il Corriere della Será, sobre a foto tirado por um colega de trabalho depois de uma noite de trabalho.

"Não me sinto fisicamente cansada, poderia trabalhar 24 horas seguidas se fosse necessário, mas não escondo que nesse momento estou ansiosa porque luto contra um inimigo que não conheço", prossegue.

Médicos, enfermeiras e cuidadores. São muitos os que se expressam nos meios de comunicação ou que compartilham na internet sua vida cotidiana com os serviços de reanimação que estão saturados, e os pacientes cujo caso tem que ser classificado.

Mais ao sul, na Toscana, os hospitais também começam a sofrer.

- A pressão aumenta -

No hospital San Giovanni Bosco de Turín (norte), uma equipe de assistência psicológica voltada para os serviços de oncologia, e que se adaptou para a pandemia, tem dado apoio aos funcionários do serviço médico, desde a última quarta.

"A iniciativa é direcionada principalmente aos que trabalham com reanimação e primeiros socorros", explicou Monica Agnesone, que faz parte dos psicólogos da equipe, ao jornal La Stampa.

"Mas todos que precisarem do serviço podem solicitá-lo, estamos à disposição de todos", acrescentou.

Agnesone explica que a pressão e o estresse entre os cuidadores aumenta por causa do ritmo desenfreado de trabalho, mas também porque "a tensão é contínua, e portanto o medo também. Medo de cometer erros, de ser infectado, de não poder continuar nessas condições.

Na cidade de Bergamo, no norte do país, cerca de 50 médicos testaram positivo para o vírus, segundo os meios de comunicação italianos.

A psicóloga Monica Agnesone explica que ela e os seus colegas estão ensinando aos funcionários como lidar com as emoções e o estresse, "reservando momentos para desconectar, reorientar-se e baixar a tensão, fazendo exercícios de respiração, concentrando a atenção em outra coisa".

Porque senão, "o estresse termina de deteriorar a energia", conclui.