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Escritórios compartilhados aumentam no Brasil; saiba mais sobre essa tendência

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Por Melissa Santos

A ENVIOU, startup que reúne uma suíte de ferramentas para ajudar o e-commerce a vender mais, nasceu na sala de casa. Após começar a conquistar clientes, Felipe Rodrigues, fundador e CEO da empresa, saiu do home office para um escritório convencional, porém todos os sócios gostavam da ideia de ir para um lugar mais próximo da região comercial de São Paulo.

 “Quando colocamos os custos na ponta do lápis, chegamos a conclusão que gastaríamos menos indo para um coworking e, ainda, nos deixaria com tempo mais livre sem precisar nos preocupar com cadeiras, mesas, segurança física. Ganharíamos, ainda, por  poder participar de um ambiente colaborativo, onde o networking é forte, assim como a possibilidade de conquistar novos clientes entre os presentes no mesmo espaço”, conta.

O coworking é um escritório compartilhado com profissionais de diferentes áreas e empresas, em um conceito de espaço aberto, que proporciona a constante troca de ideias e informações. E a decisão de sair dos escritórios convencionais para os compartilhados é uma tendência. Segundo o Censo Coworking Brasil, em 2016 eram 378 espaços no país, crescimento de 52% em relação a 2015.

Para Paulo Moraes, Diretor da Talenses no Rio de Janeiro, o formato está em ascensão por conversar com as mudanças do mundo moderno. “Um dos cernes do coworking é o compartilhar o espaço com outras cias. E esse networking facilita a identificação de eventuais oportunidades de negócios, o que é um dos principais benefícios desse modelo”, fala. 

Mas antes de sair do escritório tradicional para o compartilhado, Rodrigues pesquisou se a região seria boa e acessível para todos os funcionários da ENVIOU. “Também avaliamos o custo para nos manter atualmente e fizemos uma projeção de um futuro em pleno crescimento”, conta. 

Marcia Vazquez, Gestora de Capital Humano da Thomas Case & Associados, consultoria de gestão de carreiras e RH, concorda que tanto as empresas quanto os profissionais freelancers que aderem ao cowroking devem avaliar alguns pontos antes de arir a esse modelo.

“É preciso avaliar, acima de tudo, se o coworking adapta-se ao seu modelo do negócio seja da empresa ou do freelancer, profissional liberal, empreendedor e etc. Pode, por exemplo, não fazer sentido para quem desenvolva atividades que exijam alta confidencialidade, tarefas de criação, e fazer todo o sentido para um profissional liberal que precisa de apoio entre suas atividades comerciais (um representante comercial).

Só depois da reflexão do modelo de negócio, dos objetivos empresariais/profissionais que se deseja, da estrutura física e tecnológica que se necessita para a atividade de trabalho é que o modelo de coworking pode ou não ser eleito como o melhor”, fala Vazquez. 

Após essa análise, é preciso avaliar as vantagens e desvantagens do modelo. De acordo com Moraes, as vantagens estão relacionadas tanto ao custo, já que um coworking só é pago pelo momento em que é utilizado e, de forma geral, é muito mais acessível que um escritório tradicional e exclusivo para uma única empresa.

“Fora que ter pessoas de diversas áreas de atuação ao redor facilita a integração, a troca de ideias e informações que podem gerar ideias inovadoras para o seu projeto, ou até mesmo, facilitar a busca por parceiros ou fornecedores. Além disso, acredito que os coworkings têm funcionado como comunidades que constroem a cultura empresarial”, explica o diretor da Talenses no Rio de Janeiro. 

Para o CEO do ENVIOU, os benefícios de terem migrado para um coworking foi justamente estar em um ambiente mais descontraído e cheio de mimos agrada muito os funcionários e pode colaborar para aumento da produtividade. “Um dos grandes diferenciais – que nos fez escolher vir para o espaço Inovabra – Habitat, que é um coworking idealizado pelo Bradesco – foi a questão das conexões que poderiam surgir entre as startups polos de negócio do banco, fora, é claro, o networking com as demais startups que habitam o mesmo espaço”, conta.

No entanto, nem tudo são flores no coworking. Moraes fala que é preciso se adaptar a algumas situações diferentes de um escritório convencional.

“Não haverá um espaço para guardar seus pertences pessoais por vários dias consecutivos. Fora que no escritório compartilhado, como o espaço é pago de acordo com as horas utilizadas, é preciso ser produtivo nesse tempo contratado. Por isso, é realmente necessária uma mudança de visão de produtividade. Os profissionais precisam exercitar a concentração e não se deixar influenciar pelas distrações do ambiente externo”, explica. 

Rodrigues conta que teve uma fase de adaptação da equipe do ENVIOU ao espaço, que é cheio de novidades, eventos e novas pessoas. “Todos precisam ponderar essas interações para não deixar o trabalho de lado. A única desvantagem que vejo, se é que posso chamar assim, é um pouco de falta de privacidade, mas que pode ser contornado. Temos pouquíssimas reclamações no espaço em que estamos e entendo que boa parte das vezes em que há problemas, eles ocorrem, pois as pessoas que estão no ambiente não respeitam muito o próximo e as regras existentes”, finaliza.