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Escolha sutil da China reacende esperança para IPOs em Hong Kong

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- Na China, uma escolha sutil de palavras na versão revisada das regras para listagem no exterior alimenta especulações de que as autoridades poderão deixar mais fácil o registro de empresas em Hong Kong do que em outros centros financeiros mundiais.

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O principal órgão regulador da internet na China divulgou o regulamento final nesta terça-feira, determinando que todas as empresas com mais de 1 milhão de usuários que buscam listagem “estrangeira” devem passar por um rigoroso exame de segurança de dados a partir de 15 de fevereiro. É uma mudança notável em relação a um comunicado divulgado em novembro, quando o mesmo órgão afirmou especificamente que as listagens em Hong Kong passariam por análise caso envolvessem questões de segurança nacional, além de usar o termo “além-mar” — frequentemente empregado para descrever Hong Kong, que é uma cidade chinesa semiautônoma.

A escolha de palavras reacendeu esperanças de que as empresas que buscam listagem em Hong Kong não serão automaticamente forçadas a passar por uma verificação formal de segurança de dados. Esta seria uma boa notícia para investidores e para o centro financeiro que por muito tempo foi o destino preferido de companhias chinesas em busca de capital e presença global.

O ritmo de grandes aberturas de capital (initial public offerings ou IPOs em inglês) praticamente cessou em 2021, após diversas agências governamentais iniciarem um esforço conjunto para controlar as gigantes da tecnologia que são, de longe, as maiores captadoras de recursos fora do país.

As companhias interessadas em listagem em Hong Kong “não são obrigadas” a obter aprovação na área de segurança de dados com base nos regulamentos finalizados na terça-feira, avaliou Chen Jihong, especialista em segurança de dados do escritório de advocacia Zhonglun, com sede em Pequim. Isso ressalta o maior apoio do governo chinês a Hong Kong e a maior confiança das autoridades em relação ao controle da ex-colônia britânica, acrescentou.

“Os reguladores chineses acreditam que o risco de segurança de dados em Hong Kong não é tão alto quanto nos mercados externos”, disse Chen. “O mercado de capitais de Hong Kong definitivamente verá mais oportunidades como resultado disso.”

Representantes da Agência do Ciberespaço da China não retornaram telefonemas da reportagem solicitando comentários. Um funcionário público de uma agência separada que lida com consultas sobre o comunicado de terça-feira disse que as regras não devem incluir listagens em Hong Kong porque “a cidade não é um país estrangeiro”.

Durante duas décadas, corporações como Alibaba Group Holding e Tencent Holdings empregaram estruturas para atrair capital estrangeiro que contribuíram para sua rápida ascensão na última década. A pressa de listar no exterior gerou bilhões de dólares não apenas para as empresas de tecnologia, mas também para seus parceiros em Wall Street.

Pequim bloqueou esse caminho em 2021. Como parte dos esforços para exercer maior controle sobre as gigantescas quantidades de dados que sustentam uma influência crescente, a Agência do Ciberespaço propôs em julho legislação exigindo que as empresas passem por verificação de segurança de dados antes de abrir o capital. A decisão veio dias após a Didi Global dar seguimento a uma IPO em Hong Kong apesar das objeções do órgão. Nem o regulamento finalizado na terça-feira nem o esboço original especificam requisito para listagens em Hong Kong.

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©2022 Bloomberg L.P.

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