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RJ decreta suspensão de eventos públicos e antecipa férias escolares

Cristian Klein e Alessandra Saraiva

Medida inclui atividades como cinemas, teatros, missas e até aglomerações em praias, segundo o governador Wilson Witzel O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, divulgou nesta sexta-feira um vídeo com medidas de combate ao avanço do novo coronavírus no Estado. As medidas veiculadas pelo político serão publicadas em decreto, em diário oficial do Estado e incluem suspensão pelo prazo de 15 dias de realização de eventos e atividades, como eventos esportivos, shows, feiras, eventos científicos, comícios, passeatas, em local aberto ou fechado.

O governador também informou que determinará a proibição de atividades coletivas de cinemas, teatros e afins, e a suspensão da visitação a unidades prisionais, inclusive íntimas.

Witzel foi além ao explicar as proibições. Afirmou que não permitirá aglomeração de pessoas nas praias do Estado ao explicar. “Não permitiremos aglomeração na praia, é hora de ficar em casa”, disse Witzel.

Witzel afirmou que a recomendação também vale para cultos e missas. “Há recomendação de haver uma pessoa por metro quadrado, o que aqui estamos absolutamente errados, isso não pode acontecer”, disse, em referência aos cerca de 50 repórteres aglomerados para a entrevista.

“Cancelei evento do meu partido, que haveria neste sábado. Para bares e restaurantes, a recomendação é a de reduzir, talvez restringir acesso. Salas de cinema, teatro, o recomendado é que fique tudo fechado neste fim de semana e possamos avaliar na segunda-feira”, disse.

Indagado se não seria uma “heresia” pedir ao carioca que deixe de ir à praia, o secretário de Saúde, Edmar Santos, afirmou que outros costumes do brasileiro, como o de beijar e abraçar muito, também estão sendo evitados. “A gente muda a cultura de acordo com a necessidade”, disse.

Na capital, a prefeitura do Rio de Janeiro informou ter entrado em estágio de atenção, com medidas similares às recomendadas pelo governo do Estado.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, proibiu eventos públicos para diminuir risco de contágio por coronavírus

Silvia Izquierdo/AP

“Vamos antecipar as férias escolares, a partir de segunda-feira [dia 16 de março] pelos próximos 15 dias, a fim de que avaliemos se há necessidade de se prorrogar por mais 15 dias. As escolas públicas e as escolas privadas vão antecipar as férias para que evitemos o contágio rápida do vírus”, acrescentou ele.

As aulas terão suspensão “sem prejuízo da manutenção do calendário recomendado pelo Ministério da Educação, inclusive nas unidades da rede pública e privada e ensino superior”, de acordo com o governador. Ele comentou ainda que a secretaria de educação do estado vai expedir ato infralegal para regulamentar medidas do decreto que tratam neste campo.

Witzel informou ainda que, em todas as repartições públicas do Estado, haverá redução de atendimento ao público para evitar aglomeração.

“Essa é a primeira medida. Reuni representantes do poder Judiciário, do Tribunal de Contas da União, do ministério público, da Alerj, da Defensoria Pública, e do MPF, para juntamente com o dr. Edmar [secretário estadual de saúde Edmar Santos], explicar as providências necessárias para não haver um imediato agravamento da crise, o vírus se transmite muito rapidamente quando há aglomeração, e se evitarmos as aglomeração não teremos uma crise aguda”, detalhou o governador.

Questionado sobre que tipo de punição haverá a eventuais infratores, o governador preferiu destacar que o momento é de união.

“Algumas punições são possíveis, mas vamos unir, o momento não é de punição, é de união, e de acreditar no nosso trabalho. Essas medidas serão reavaliadas nos próximos seis meses”, disse, embora o prazo do decreto seja de 15 dias.

O governador informou ainda a criação de gabinete de crise, para monitoramento 24 horas sobre evolução da nova doença no Estado.

Cidade do Rio de Janeiro

No âmbito municipal, a Prefeitura do Rio recomendou que ônibus e BRTs (transporte público de trânsito rápido) evitem superlotação de passageiros.

Também informou que não vai conceder licenças municipais para eventos que causem grandes aglomerações. Licenças já concedidas serão canceladas a partir de segunda-feira, detalhou a prefeitura.

A cidade do Rio também suspendeu períodos de férias do pessoal da saúde e assistência social enquanto durar a pandemia, além de reiterar suspensão em aulas em escolas municipais na próxima semana, mantendo os refeitórios abertos para o almoço a partir das 11h às 13h, conforme anteriormente divulgado.

“Estão suspensas também, a partir de segunda-feira, 16, atividades nas Casas de Convivência, cinemas, teatros, lonas culturais e museus da Prefeitura do Rio. A Prefeitura do Rio recomenda que pessoas com baixa imunidade (asma, pneumonia, tuberculose, câncer, renais crônicos e transplantados) evitem sair de casa”, afirmou a prefeitura, em comunicado, acrescentando orientar população a evitar frequentar cinemas e teatros particulares.

O município do Rio também recomendou jornadas de turnos de trabalho alternativos para empresas, com o objetivo de evitar a superlotação nos transportes coletivos. “E, sempre que possível, o trabalho em casa. O setor público deverá adotar o mesmo princípio de escala”, acrescentou.

Além disso, a prefeitura do Rio de Janeiro irá disponibilizar álcool gel em todas as repartições municipais de atendimento ao público, incluindo hospitais, abrigos, estações de BRT, escolas e equipamentos culturais. A prefeitura recomendou que as atividades esportivas no estádio de futebol do Engenhão, zona norte do Rio, não sejam abertas ao público.

As escolas municipais ficarão paralisadas por pelo menos uma semana, mas abrirão seus refeitórios para que os alunos almocem entre 11h e 13h. As escolas estaduais anteciparão o recesso do meio de ano, de 15 dias.

Isolamento da cidade

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, publicou decreto estabelecendo que poderá restringir os acessos à cidade, em casos excepcionais, por causa do coronavírus.

A medida permite a “restrição excepcional e temporária de entrada e saída da cidade" por rodovias, portos ou aeroportos. O decreto também prevê a realização compulsória de testes, exames médicos e vacinação.

De acordo com a assessoria de Crivella, o decreto “apenas abarca a possibilidade” de restringir os acessos ao Rio, mas “que não está em cogitação no momento”.

UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também informou, em comunicado, a suspensão por 15 dias de aulas da graduação e pós-graduação, tendo em vista da evolução dos casos da pandemia mundial de covid-19 na capital fluminense. A manutenção da suspensão será avaliada, após esse período.

Em nota, a UFRJ detalhou que mesmo com a suspensão das aulas, o funcionamento das unidades hospitalares está mantido, bem como a continuidade de todas as atividades administrativas das unidades acadêmicas.

A Universidade recomendou ainda, sempre que possível, manutenção remota das atividades acadêmicas iniciadas — e informou que, em breve, disponibilizará instruções sobre uso de aplicativos com essa finalidade.

A UFRJ também orientou que as bancas de monografia, dissertação e tese devem, sempre que possível, ocorrer de maneira remota. As decisões foram tomadas por grupo de trabalho da UFRJ montado para debater o tema.