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'As escolas não estão preparadas para receber crianças com autismo', diz psicóloga

·5 min de leitura

SÃO PAULO — Atualmente, o Brasil não conta com um levantamento de quantas crianças são diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Há uma medida, porém, possível de ser realizada: o número de 500 mil pais inscritos no canal da psicóloga Mayra Gaiato, especialista no tema, no YouTube.

Por lá, esses "inscritos" — como são chamados os seguidores no YouTube — buscam informações sobre os aspectos gerais do transtorno e também dicas para estimular os meninos e meninas a realizar atividades cotidianas a exemplo de provar novos alimentos, falar e interagir com os pais. Trata-se de um tipo de conteúdo que desperta cada vez mais interessados — no último ano a página da especialista cresceu 53%.

Ao GLOBO, Gaiato falou sobre a dificuldade das famílias em encontrar uma instituição de ensino para crianças dentro do espectro, do futuro para os tratamentos e do desenvolvimento de um seu novo método de terapia para autismo. Na nova abordagem defendida por ela, a ideia é deixar os pequenos liderarem as atividades por meio de brincadeiras e com adultos participando de maneira menos rígida do que tradicionalmente é usado no método ABA (abreviação para análise comportamental aplicada), que pode ser traumática para os garotos e garotas.

Há em curso uma revolução no tratamento do autismo?

As pessoas, pelo menos no Brasil, estão se capacitando. O crescimento no canal é exponencial (o aumento foi de 53% no último ano). Há a busca pelo conhecimento e isso vai tirando as pessoas da ignorância sobre o espectro, amplia a visão delas. Daqui dez anos os pais estarão muito especialistas, talvez mais que os terapeutas porque eles são os mais interessados. As famílias leem todos os livros, assistem todos os cursos, veem várias vezes os mesmos vídeos do YouTube. Haverá uma revolução e será pelas mãos dos pais, que estão se capacitando — isso cobra um preço alto para quem é pai e mãe, mas vai incentivar uma mudança na sociedade.

Qual a situação de uma família que acabou de receber o diagnóstico do filho?

A pior coisa é não saber o que a criança tem. Essa é a pior angústia: não saber o que é, o que fazer. É difícil (lidar com essa notícia), será barra, mas tem um caminho, que são as terapias naturalistas — nos ambientes cotidianos da criança — as terapias comportamentais e também capacitações para os pais. É uma notícia difícil, uma mudança na estrutura familiar e no ambiente todo, mas pelo menos é melhor do que não saber. Conhecer o diagnóstico te tira da angústia.

O que são exatamente as terapias naturalistas?

Estou patenteando uma nova abordagem que chamamos de terapia comportamental naturalista, esse é o caminho, uma revolução. Esse desenvolvimento é baseado nos adultos que foram tratados (fora do Brasil) com ABA — a análise comportamental aplicada — muito radical, muito aversivo, e hoje falam que aquilo foi muito ruim. A repetição tem que existir, é fundamental, mas podemos nos guiar pelo sorriso da criança. A terapia naturalista é a que está inserida em todos os ambientes habituais, a escola, o parque e mesmo na cozinha de casa. Não precisa de uma mesa em uma sala de terapia para acontecer.

Como funcionaria na prática?

No ABA tradicional, por exemplo, ensinar uma criança a calçar o sapato consiste em pegar algum item que a criança queira e só entregá-lo após ela colocar o calçado, como um reforçador extrínseco (externo). Para isso, o adulto dá ajuda física total para ele colocar o sapato. Na terapia naturalista, eu vou fazer brincadeiras com o próprio material, sons engraçados, narração do que ele está fazendo. Se ele quiser girar o cadarço não vou repreender, vou deixar e até repetir o gesto. Posso colocar o sapato no pé do brinquedo favorito dela. Então, vou fazer algumas vezes o que a criança quer e, depois, vou pedir que ele siga meu comando. Peço por duas vezes — na segunda dando dicas gestuais — se na terceira ele não fizer, eu pego a mão da criança e a ajudo a calçar o sapato. Logo depois disso, eu faço o que a criança quiser fazer: jogo o calçado para o alto, brinco...

Qual a vantagem de usar a brincadeira dessa forma?

A ideia é seguir a liderança da criança. É muito mais trabalhoso, mas a gente ganha na motivação dela. A gente ganha tempo porque a criança foge menos e vai ter menos comportamento disruptivo (como acessos de fúria). Desse modo, você engaja a criança e faz ela observar variações daquele objeto. Por exemplo, se ela quiser jogar o sapato, eu posso pegar um balde e brincar de cesta. E ensino o que é um ponto. Eu apresento o conceito de uma ação e, assim, amplio muito o repertório da criança. Com essa técnica, mais as crianças evoluem com maior qualidade.

As famílias ainda relatam muitos problemas para encontrar escolas adequadas para as crianças, como você enxerga isso?

Ainda chegam muitos relatos de mães que não têm filhos aceitos de maneira direta e indireta. Há escolas que dizem ter vagas abertas até a hora em que aparece uma criança autista, aí não tem mais. Ou então (essas instituições) enfraquecem a segurança dos pais dizendo que a escola não é boa o suficiente para seus filhos. As escolas não estão preparadas. O ideal é que as escolas tivessem diversidade, neurodiversidades, que atendessem as crianças com diferentes habilidades. Isso não só para autismo, mas também Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH), dislexia, entre outros. As escolas deveriam entender que a forma de cada criança aprender é diferente. Para apresentar um conteúdo, deveriam apostar em diferentes tipos de projeto para acessar o melhor de cada criança.

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