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Escolas municipais de SP retomam ensino presencial; pais divergem entre mandar filhos às aulas por causa da Covid

João de Mari
·7 minuto de leitura
Foto: Anderson Bianchi/Prefeitura de Santos
Aluno mede a temperatura na entra de uma escola municipal em Santos, litoral de São Paulo (Foto: Anderson Bianchi/Prefeitura de Santos)

As escolas municipais da cidade de São Paulo retomaram o ensino presencial nesta segunda-feira (15). A reabertura, no entanto, foi marcada por críticas pela falta de estrutura de algumas unidades, que não têm condições de receber os alunos seguindo os protocolos de segurança contra a Covid-19, greve de professores e locais sem funcionários da limpeza.

No dia 8 de fevereiro, quando o estado de São Paulo retomou as aulas presenciais, pais e professores já relataram sentimentos controversos quanto à decisão, mesmo que o governo estadual alegue que está tomando as medidas necessárias para tornar a experiência segura para todos os envolvidos.

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O mesmo aconteceu com a reaertura das unidades municipais. Mas, neste caso, a desorganização apareceu antes mesmo do início das aulas. Na sexta-feira (12), a gestão do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou que ao menos 530 das 4 mil escolas da rede não abriram porque não têm funcionários de limpeza.

A prefeitura disse que a empresa responsável pelo serviço de limpeza de 530 unidades abandonou o contrato e será punida.

Esse foi um dos motivos para Ana* não levar o filho mais novo de 10 anos para a EMEF (Escola Municipal do Ensino Fundamental) localizada no Grajaú, periferia da Zona Sul de São Paulo. Mesmo atuando como líder de limpeza em uma unidade escolar da rede pública municipal, ela afirma que se sente mais segura com o filho em casa, pois não confia na segurança e limpeza das escolas.

“Eu não levei para a escola por falta de segurança, porque uma EMEF com apenas dois ou três funcionários não me da garantia de que meu filho não estará exposto ao coronavírus. Prefiro ele dentro de casa comigo, seguro, mesmo sem ser 100%, mas não vou ter que me preocupar por falta de limpeza escolar”, diz.

A funcinária terceirizada relembra que houve uma redução do quadro de funcionários logo no início da pandemia, em março do ano passado, e, por este motivo, as equipes já estavam sobrecarregadas. “A gente saiu da escola porque reduziu o quadro de funcionários para quatro pessoas. No dia seguinte, avisaram que diminuiria para apenas três. Com esse número não tem como garantir a limpeza de todos os lugares onde as crianças circulam”.

Durante a pandemia, Ana relata que tem a ajuda da mãe e do filho mais velho, de 17 anos, para auxíliar o mais novo com as atividades escolares.

“Ele faz as atividades dos livros, com aula online e também tem as aulas que passam na televisão, porque quando a internet cai, eles estudam pelo conteúdo da TV. O mais velho ajuda com o menor, pega no pé dele para fazer a lição”, conta, referindo-se ao Centro de Mídias da Educação de SP, plataforma que permite estudantes acessarem as aulas online ou pela TV Cultura.

10 meses em brincar

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo, mais de 1 milhão de alunos iniciaram o ano letivo na rede municipal nesta segunda-feira (15). As aulas presenciais ocorreram em 3,4 mil escolas da rede com ocupação máxima de 35% dos alunos como determinado pelo protocolo de retorno às aulas.

A designer Elisa Volpato, mãe de uma menina de dois anos de idade, decidiu voltar para escola porque a filha “estava sentindo muita falta” e “estava insustentável”, como ela mesma diz, fazer o revezamento em turnos com o pai da criança para trabalhar.

“Ficamos quase um ano trabalhando em casa, revezando pai e mãe em turnos para trabalhar e cuidar dela. Pensamos em babá, mas seria uma pessoa pegando transporte público para vir para cá todo dia”, conta.

Segundo Volpato, a filha passou cerca de 10 meses sem brincar com crianças da idade dela e isso poderia afetar o desenvolvimento da pequena.

“Minha filha ainda está na primeira infância e consideramos que o que é mais importante para ela não é conviver com adultos e sim com crianças. Só conseguimos encontrar amiguinhos duas vezes desde que começou a pandemia”, diz.

A filha de Elisa estuda em um colégio particular em Pinheiros, bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo, e retornou às atividades presenciais no dia 4 de fevereiro. A Prefeitura liberou as aulas presenciais na rede de ensino da cidade, com limite de 35% da capacidade, a partir do dia 1 de fevereiro.

A decisão, que abrangia as unidades das redes municipal, estadual e privada na cidade, passou a valer prioritariamente às unidades particulares. No estado, as aulas retornaram no dia 8 de janeiro.

O retorno presencial é facultativo aos estudantes. Os que optarem pelo ensino remoto deverão realizar obrigatoriamente as atividades na plataforma Google Classroom ou em outros meios disponibilizados – inclusive material impresso a ser retirado pelos responsáveis.

“Ela começou aos poucos, apenas uma hora por dia, agora vai a tarde toda. Escolhemos uma escola que tinha um protocolo de segurança bem detalhado, para confiar. Mas para ser sincera fiquei decepcionada quando vi uma educadora com a máscara caindo do nariz”, conta Volpato.

Por este motivo, a mãe diz ter medo. “Apesar de risco ser pequeno para crianças, ela tem um quadro recorrente de convulsão febril. Qualquer febre, convulsiona. Temos medo também de a gente pegar Covid e não ter como cuidar dela”.

“Fazemos o possível para amenizar a distância”

Em outras cidades do estado, pais e mães também divergiram sobre a decisão de mandar os filhos para escola.

É o caso de Marcos Amorim. Morador de Santos, no litoral de São Paulo, ele conta que decidiu manter o filho de sete anos, que estuda em uma unidade do SESI (Serviço Social da Indústria), em casa.

As aulas presenciais das escolas da rede municipal de ensino da cidade retornaram no dia 8 de fevereiro, na modalidade híbrida, o que corresponde a 8% do número de alunos matriculados na rede no Ensino Fundamental (1° ao 9° ano), segundo a Prefeitura santista.

Ainda de acordo com a admnistração municipal, nesta segunda-feira (15), o número de comparecimento foi um pouco maior: 9% dos 24.501 alunos do Ensino Fundamental, o que corresponde a 2084 estudantes.

“Minha decisão foi basicamente não expor meu filho ao risco de contágio e também tem o receio caso ele seja assintomático e volte com o vírus para casa. Temos o meu sogro acima dos 70 anos que mora comigo. Então sempre há o risco”, explica Amorim.

O pai afirma que a educação presencial seria “muito melhor”, mas que ele e a esposa fazem o possível para amenizar a distância da escola.

“Seria melhor, pois qualquer dúvida o professor estaria lá para auxiliar, não teria distrações que, por se tratar de uma criança de 7 anos, sempre ocorre em casa. Mas fazemos ao máximo para suprir e amenizar isso”.

Além disso, Amorim diz que não vê sentido voltar com as aulas presenciais na escola e mesmo assim continuar com algumas matérias feitas remotamente. “Fiquei realmente sem entender. Os alunos teriam que ficar ‘expostos ao vírus’, mas os professores ficariam acomodados em suas respectivas casas”.

Segundo a Prefeitura de Santos, os professores terão a jornada dividida em duas vezes presenciais e três vezes remotas, com exceção dos que atuam com a EJA, que farão ao contrário (3x presenciais e 2x remotas). Todos os profissionais das escolas que tiverem comorbidades ou maiores de 60 anos poderão atuar exclusivamente de maneira remota.

O que diz Prefeitura

A Prefeitura de São Paulo explica que “conforme o próprio secretário da educação já se manifestou, caso alguma escola apresente problemas para a volta às aulas, ela não será aberta no próximo dia 15 até que o caso seja solucionado”.

“A empresa responsável pelo serviço de limpeza abandonou o contrato e será sancionada. A contratação emergencial está em andamento e, seguindo os trâmites legais, será finalizado nos próximos dias”.

Segundo a pasta, as 530 unidades que tiveram rompimento do contrato para serviço de limpeza pelas prestadoras de serviço, iniciarão suas atividades de forma online e voltarão a atender os estudantes nos locais nos dias 22 de fevereiro e 1º de março.

“Também foram adquiridos 760 mil kits de higiene (sabonete líquido, copo e nécessaire), 2,4 milhões de máscaras de tecido, 6,2 mil termômetros digitais e 75 mil protetores faciais que serão destinados a alunos e servidores, com investimento total de cerca de R$ 20 milhões”, diz trecho da nota.

*o nome foi alterado a pedido da fonte.