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Escassez de insumos faz indústria recuar no 2º trimestre

·3 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escassez de insumos é apontada como um dos fatores que explicam o recuo da indústria brasileira no segundo trimestre. Em relação aos três meses iniciais de 2021, o setor como um todo teve baixa de 0,2%.

O resultado faz parte do PIB (Produto Interno Bruto) do período, divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O PIB teve variação negativa de 0,1%.

Dentro da indústria, a indústria de transformação foi o ramo com a principal retração, de 2,2%. Foi justamente nesse segmento em que houve o principal impacto negativo da escassez de matérias-primas.

“A indústria de transformação é influenciada pelos efeitos da falta de insumos nas cadeias produtivas, como é o caso da indústria automotiva, que lida com a falta de componentes eletrônicos. É uma atividade que não está conseguindo atender a demanda”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Em razão da escassez de chips, montadoras chegaram a interromper linhas de produção no país. O setor automotivo espera que as paradas causadas por falta de insumos, em especial semicondutores, prossigam até o ano que vem, conforme estimativa feita em julho pela Anfavea, a associação das montadoras.

Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, também destaca que a falta de componentes prejudicou a indústria no segundo trimestre. Conforme o economista, a normalização do quadro só deve ocorrer a partir do final deste ano ou de 2022.

“Precisamos monitorar a importação de chips”, aponta.

Outro fator que prejudicou a indústria como um todo no segundo trimestre foi a crise hídrica. A seca prolongada, conforme o IBGE, abalou o desempenho de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos, que recuou 0,9%.

Com a escassez de chuva, o país teve de acionar usinas térmicas, que custam mais caro. O aumento nos custos de geração acaba se refletindo na conta de luz cobrada do consumidor e das empresas.

As outras duas atividades industriais ficaram no azul entre abril e junho. Houve alta de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção.

Em nota, o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) afirma que "a recuperação industrial da Covid-19 já não é a mesma da segunda metade do ano passado". "A indústria só não recuou mais devido ao ramo extrativo, que registrou alta de 5,6%, estimulado pela melhora do comércio exterior de seus produtos, e também devido à construção, com a reativação dos empreendimentos habitacionais, especialmente nos maiores centros urbanos do país."

A escassez de insumos tem sido acompanhada pela disparada de preços. De janeiro a julho, o IPP (Índice de Preços ao Produtor) acumulou inflação de 21,39%. É o recorde da série histórica, iniciada em dezembro de 2014, para o período. Mais do que isso: a inflação em sete meses já é maior do que a verificada em todo o ano de 2020 (19,38%), conforme dados divulgados pelo IBGE no último dia 27.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta de entrada das fábricas”, sem efeito de impostos e fretes. Ou seja, capta os preços de mercadorias usadas nas linhas de produção.

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