Mercado fechado
  • BOVESPA

    113.750,22
    +1.458,62 (+1,30%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    43.646,03
    -288,18 (-0,66%)
     
  • PETROLEO CRU

    46,09
    +0,45 (+0,99%)
     
  • OURO

    1.842,00
    +0,90 (+0,05%)
     
  • BTC-USD

    18.932,96
    +38,44 (+0,20%)
     
  • CMC Crypto 200

    365,19
    -14,05 (-3,71%)
     
  • S&P500

    3.699,12
    +32,40 (+0,88%)
     
  • DOW JONES

    30.218,26
    +248,74 (+0,83%)
     
  • FTSE

    6.550,23
    +59,96 (+0,92%)
     
  • HANG SENG

    26.835,92
    +107,42 (+0,40%)
     
  • NIKKEI

    26.751,24
    -58,13 (-0,22%)
     
  • NASDAQ

    12.509,25
    +47,00 (+0,38%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2497
    +0,0137 (+0,22%)
     

Erika Hilton, vereadora mais votada de São Paulo: “Estamos metendo o pé na porta para fazer justiça social”

Anita Efraim
·4 minuto de leitura
Erika Hilton recebeu mais de 50 mil votos em São Paulo (Foto: Rafa Canoba)
Erika Hilton recebeu mais de 50 mil votos em São Paulo (Foto: Rafa Canoba)

Erika Hilton (PSOL) foi a mulher mais votada para integrar a Câmara de Vereadores de São Paulo, 6ª na lista geral, com 50.508 votos. Ela é a primeira mulher trans a se eleger vereadora na capital paulista. Para Erika, ocupar este lugar é retomar um espaço que foi tirado e negado de pessoas como ela: mulher trans, negra e periférica.

“É importante construirmos novos marcos civilizatórios, fazermos uma guinada nessa máquina política que há anos elege homens brancos e cisgêneros”, afirma. A partir de 2021, São Paulo terá 13 mulheres na Câmara, sendo 4 delas negras.

Erika é a única trans eleita em 2020, mas há outras duas mulheres que não são cisgênero, ambas são parte de candidaturas coletivas: Carolina Iara, co-vereadora na Bancada Feminista (PSOL) e Samara Santana, co-vereadora no Quilombo Periférico (PSOL).

“A estrutura branca cisgenera é muito dura e não vai ceder de forma fácil, mas estamos conseguindo caminhar”, pondera a vereadora eleitra. “Chegar sendo a mulher mais bem votada do país, logo após a eleição do bolsonarismo, isso mosra que nós temos uma lógica de trabalhar a pedagogia das nossas bases.”

A vereadora eleita considera o momento como uma virada de chave, uma mudança no pensamento estrutural. Ela reforça que pessoas trans não servem só para estar nas esquinas da prostituição ou nas manchetes policiais, mas para ocupar espaços na política também.

“Minha presença não soluciona os problemas estruturais, mas dá um tapa na cara do fascismo e da transfobia”, pondera.

Erika Hilton se vê como um sobrevivente de um projeto de morte. Dados de janeiro de 2020 divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais mostram que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Segundo o Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras, em 2019, foram 124 mortes.

Leia também

“Quando eu chego viva, muito bem votada naquele lugar que não deveria ser meu, representa que nós estamos avançando. Que somos muitas, estamos nos articulando para retomar nossos espaços que nos foram negados”, avalia.

No primeiro ano de mantado, Erika Hilton pretende focar na população em situação de rua e na situação do desemprego em São Paulo, agravado pela pandemia do novo coronavírus. “As calçadas de São Paulo passaram a ser moradia de famílias inteiras”, ressaltou. Em janeiro, a cidade de São Paulo tinha 24 mil pessoas vivendo nas ruas.

Outro objetivo da vereadora eleita é fazer uma revisão do projeto Transcidadania, criado na gestão de Fernando Haddad (PT), para melhora-lo e amplia-lo. Além disso, Erika Hilton pretende apresentar um projeto de moradia para homens trans. Na avaliação dela, são pessoas totalmente abandonadas e sem nenhum tipo de abrigo.

O único homem trans na Câmara de Vereadores é Thammy (PL), posicionado em outro espectro político. Isso, no entanto, não é um impeditivo para Erika. “Enquanto população trans, espero que o parlamentar possa me apoiar e que a gente possa fazer esse projeto de forma conjunta”, diz. “Espero poder dialogar com ele enquanto parlamentar, não enquanto partido.”

ESTRUTURA PARTIDÁRIA

Ao longo da eleição em todo o Brasil, membros de partidos progressistas denunciaram que a estrutura do partido foi pouco voltada para minorias. Sobre o assunto, Erika Hilton lembra que as legendas não são bolhas e refletem o que acontece na sociedade.

“Os partidos refletem coisas boas e ruins que temos na nossa sociedade. Não é diferente em partidos de esquerda, são hegemonicamente brancos, cisgênero e construídos pela masculinidade. Eles refletem o que a sociedade é”, pondera. Por outro lado, ela vê o PSOL diferente, porque tem dirigente e militantes abertos ao questionamento.

“Não é um partido perfeito, mas um partido que está aberto a nos ouvir. Eu, enquanto mulher que tive uma longa trajetória independente, consegui colocar essa pressão. Eu não negociei em nenhum momento e não negociarei. Minha pauta não se discute. O genocídio não espera, a fome não espera, a falta de moradia não espera”, coloca Erika, que se diz orgulhosa do partido que integra.

Ela lembra ainda que, mesmo antes de eleita, sempre foi política e militante, defensora da causa própria. “Tudo que foi conquistado e tudo que consegui para me eleger como a mulher mais bem votada do país partiu do não negociar, partiu de me impor.”