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Ericsson supera Huawei e vence contrato de 5G no Canadá

Stephanie Kohn

As ações da Ericsson atingiram a máxima deste ano após a fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações aumentar sua presença no Canadá ao ganhar um contrato de redes 5G da Bell Canada, superando a chinesa Huawei.

A Bell Canada, parte da BCE Corp, contou com a Huawei para implantar a infraestrutura 4G, mas escolheu a Ericsson enquanto o Canadá decide se permitirá que a Huawei venda equipamentos 5G no país.

Por volta de 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (3), os papéis da Ericsson subiam mais de 2%, a 89,36 coroas suecas. Na máxima, chegaram a 90,06 coroas.

Os Estados Unidos levantaram preocupações de segurança sobre a Huawei e alertaram que seus aliados que usam equipamentos da empresa em suas redes correm o risco de serem impedidos de compartilhar informações valiosas. A Huawei tem negado repetidamente as alegações.

A conquista do contrato, o 93° da Ericsson para equipamentos de próxima geração, ampliará significativamente a participação de mercado da empresa com a Bell em comparação com a sua participação em redes 4G, disse um porta-voz da Ericsson. Ele se recusou a informar o valor do contrato.

Embora a escolha da Ericsson elimine a incerteza sobre o fornecimento em relação à implantação das redes 5G, ela pode aumentar os custos operacionais da Bell Canada, pois a troca de fornecedores e a troca de equipamentos levam vários anos para serem finalizadas.

A Bell Canada, segunda maior operadora de celulares do Canadá em receita de telefonia móvel, teria que gastar cerca de 200 milhões de dólares nos próximos anos para trocar os equipamentos da Huawei, disse Jeff Fan, analista do Scotiabank.

Huawei X Canadá

A história da chinesa com o país tem raízes mais profundas. Meng Wanzhou, CFO e filha do fundador da Huawei foi acusada de fraude bancária por enganar o HSBC sobre o relacionamento da Huawei com uma empresa que opera no Irã. Segundo a Reuters, ela teria colocado o banco em risco de multas e penalidades por violar as sanções dos norte-americanos contra o governo iraniano. Com isso, a executiva foi detida em dezembro de 2018 no Canadá, a pedido do governo Trump e, desde então, está em regime de prisão domiciliar.

Na semana passada, a executiva sofreu um duro revés nesse processo. Isso porque a Justiça canadense negou o argumento da sua equipe de defesa. Eles alegavam que, como as sanções contra o Irã não existiam no Canadá no momento da prisão de Wanzhou, logo, suas ações não poderiam ser configuradas como crime em território canadense. No entanto, a juíza Heather Holmes, da Suprema Corte da Colúmbia Britânica, discordou. Ela declarou que o padrão legal de dupla criminalidade havia sido cumprido. Além disso, a magistrada afirmou que a abordagem de Meng limitaria seriamente a capacidade do Canadá de cumprir suas obrigações internacionais no contexto da extradição por fraude e outros crimes econômicos.

A China alega que a prisão de Meng foi política e, não muito tempo depois de sua prisão, dois canadenses na China foram presos sob a acusação de ameaçarem a segurança nacional. O Canadá, por outro lado, contesta que está exercendo o papel de auxiliar dos EUA através de um tratado de extradição, enfatizando que as acusações são uma questão legal. De acordo com o departamento de justiça do país, a audiência de extradição não é um julgamento onde se dá o veredito de culpado ou inocente, e um indivíduo, ao ser expulso do país, ”terá um julgamento no outro país".

Em comunicado, a Huawei disse que ficou decepcionada com a decisão do tribunal canadense e espera que o sistema judicial do país norte-americano acabe provando sua inocência. Além disso, a China interrompeu a importação de sementes de canola do Canadá, com os contratos futuros do produto caindo já na semana passada, tão logo a decisão do tribunal fora divulgada.

Fonte: Canaltech