Mercado fechado

Brasil precisa ter regulação forte para o 5G, diz diretor da Huawei no país

Rafael Bitencourt

O fornecedor chinês, contudo, é acusado pelo governo dos Estados Unidos de ameaçar a privacidade dos usuários O diretor de governo e relações públicas da Huawei do Brasil, Atilio Rulli, afirmou nesta quarta-feira que a telefonia celular da quinta geração (5G) será mais segura do que o padrão tecnológico anterior, o 4G.

“O 5G vai trazer mais segurança que o 4G. Da mesma forma que a tecnologia evolui, a segurança também evolui. Então, essa questão de segurança vai melhorar", afirmou o executivo da companhia chinesa, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Diretor de Relações Públicas da Huawei do Brasil, Atilio Rulli, fala em comissão na Câmara dos Deputados

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Rulli afirmou que existem componentes e mecanismos de segurança no 5G "muito mais avançados e melhores" e essa é uma evolução percebida em "todos os fabricantes".

O fornecedor chinês, contudo, é acusado pelo governo dos Estados Unidos de ameaçar a privacidade dos usuários que utilizarem seus sistemas de comunicação 5G. Hoje, a companhia puxa o desenvolvimento dessa nova tecnologia no mundo. O presidente Donald Trump tem estimulado outros países a adotarem medidas de restrição no âmbito comercial contra os chineses.

A polêmica levou as autoridades brasileiras a avaliarem o risco de equipamentos da Huawei dominarem a infraestrutura de serviço 5G e oferecer risco à comunicação dos usuários. “Gostaria de destacar que a Huawei não participará do leilão 5G, são as operadoras que participam. Isso tem sido colocado de forma errônea na mídia”, afirmou. O leilão está programado para o segundo semestre de 2020.

Rulli afirmou que, além de ter que contar com mecanismos técnicos mais sofisticados, o Brasil precisa ter leis e meios de regulação fortes. “Temos que ter estratégia de governo, com políticas e leis. O Brasil tem e está fazendo isso, como LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais], que entra em vigor em agosto de 2020. Nós [o setor] temos instituições de padronização, de certificação mundial”, afirmou.

“Todos os grandes players seguem esse padrão. Com a Huawei não é diferente. Somos certificados pelas mais diversas instituições certificadoras mundiais", acrescentou o diretor da companhia.

Rulli defendeu que o Brasil não deve tomar decisões para o setor de telecomunicações baseadas em questões geopolíticas. O argumento do executivo foi usado ao citar frase de quem ele classifica como “visionário” das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), o americano Nicholas Negroponte. "Uma boa política de telecomunicações deve basear-se em padrões e objetivos e não em questões geopolíticas", disse.

Ericsson se prepara para o 5G

Também presente na audiência, o diretor de relações governamentais da Ericsson, Tiago Machado, disse que a companhia responde por quase 50% das redes móveis do Brasil. Ele informou que, agora, a empresa se prepara para chegada do 5G, cujo

Diretor de Relações Governamentais da Ericsson, Tiago Machado, fala sobre o 5G em comissão da Câmara dos Deputados

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Machado afirmou que a nova tecnologia de comunicação móvel revolucionará o mercado de telecomunicações e os meios de produção. “O 5G é a infraestrutura estratégica e crítica mais importante da próxima década. Ela não é só um meio de comunicação para celulares, para evolução do que entendimento de serviço móvel pessoal ou serviço dos smartphones, que temos no nosso bolso, mas de toda a digitalização de diferentes setores da indústria".