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Era de notícias grátis para Google e Facebook pode chegar ao fim

Angus Whitley
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Durante anos, Facebook e Google funcionaram como vitrines de notícias, oferecendo a seus bilhões de visitantes trechos de artigos gratuitos na web. Uma disputa antitruste na Austrália pode mudar isso.

A agência reguladora da concorrência na Austrália publicará neste mês um projeto de regras que obriga os dois gigantes de tecnologia dos EUA a compartilharem a receita gerada pelas notícias com as editoras originais, incluindo a News Corp., de Rupert Murdoch. Uma versão final do código, o primeiro do gênero no mundo, deve ser lançado logo depois.

Facebook e Google, controlado pela Alphabet, tem posição dominante no mercado de publicidade online e estão no radar de reguladores e políticos nos EUA e na Europa, e a Austrália agora acrescenta outra frente de ataque.

Os investidores também estão de olho. Se os cães de guarda de outros mercados seguirem a Austrália, isso eliminaria dois dos modelos de negócios mais bem-sucedidos do século 21, construídos em grande parte com conteúdo gratuito para todos. O Facebook e a Alphabet têm valores de mercado combinados em Nova York de cerca de US$ 1,7 trilhão.

“Esta seria uma grande jogada do ponto de vista regulatório“, disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities, em Nova York. “Poderia abrir uma caixa de Pandora sobre monetização e compartilhamento de dados.”

Em entrevista, o presidente da Comissão Australiana da Concorrência e do Consumidor (ACCC, na sigla em inglês), Rod Sims, disse que vários pares estrangeiros avaliam tomar medidas semelhantes. Com a mídia tradicional eliminando empregos e enfrentando ataque de políticos populistas que divulgam notícias falsas, Sims, de 69 anos, está inclinando o pêndulo a favor das editoras. Para Sims, trata-se de mais do que simplesmente obrigar empresas a jogar limpo.

“Isso é importante porque o jornalismo é importante”, disse. “O quarto estado é uma parte fundamental do que faz nossas sociedades funcionarem.”

Empresas de mídia tradicional reclamam há muito tempo que seu conteúdo está sendo explorado por plataformas digitais sem a devida compensação. Mas isso é apenas parte do quadro.

Embora as plataformas e editoras concorram por cliques que podem ser transformados em receita publicitária, também são aliados. As notícias, ou mesmo apenas os links, fazem parte do apelo do Facebook e do Google, ajudando-os a atrair visitantes e a capturar mais dados. Os gigantes de tecnologia, por sua vez, direcionam o tráfego de volta para os sites das editoras.

Em comunicado, o Google afirmou que tem “trabalhado de maneira estreita e construtiva com as empresas de mídia, a ACCC e o governo como parte desse processo e continuará a fazê-lo”.

O Facebook “continuará trabalhando em estreita colaboração com organizações de notícias, a ACCC e o governo australiano para sustentar um forte ecossistema de notícias”, disse Mia Garlick, diretora de políticas da empresa para a Austrália e Nova Zelândia. Mas acrescentou: “Uma abordagem regulatória que agrupa duas empresas de tecnologia e beneficia apenas as editoras mais poderosas não faz isso”.

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