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'Era de ouro' das Big Techs pode ter chegado ao fim; entenda

Big Techs estão sofrendo com cenário de juros altos e pouca liquidez
Big Techs estão sofrendo com cenário de juros altos e pouca liquidez

Enquanto no Brasil os números da economia são bons, com desemprego caindo e inflação controlada (mesmo que grupos como alimentação ainda sofram bastante com a alta dos preços, resultado de Guerra na Ucrânia e ainda ecos da pandemia de covid-19), a recessão no mundo que se avizinha atinge setores em cheio. O da tecnologia é um dos mais atingidos.

Os balanços mais recentes de algumas das chamadas Big Techs mostram números desanimadores.

Somente neste ano, oitos dessas empresas perderam US$ 3,6 trilhões em valor de mercado. É mais que o dobro do PIB do Brasil (US$ 1,6 trilhão)

A Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, viu suas ações caírem mais 20% após divulgação de um lucro líquido de quase US$ 4,4 bilhões – menos da metade do valor que fez durante o mesmo período do ano anterior e abaixo das projeções dos analistas.

Para piorar, mesmo com esse quadro ruim, o CEO Mark Zuckerberg deve aumentar de forma considerável os investimentos para 2023, sobretudo no metaverso, área que ainda não foi bem 'fisgada' pelo mercado.

Na Microsoft, tanto a receita quanto o lucro divulgados para o primeiro trimestre fiscal superaram as previsões do mercado, mas a empresa apresentou previsões pessimistas para o faturamento no trimestre seguinte. Um dos motivos para o pessimismo é a perspectiva de vendas menores de computadores. Com isso, a receita vinda da venda do Windows pode cair em 30%.

Já a Apple teve números de receita e lucro que superaram as estimativas do mercado, ficaram aquém das expectativas de receita nas principais categorias de produtos, como negócios e serviços do iPhone. A demanda estão tão fraca pelo iPhone 14 Plus, por exemplo, que a empresa de Cupertino determinou a redução na produção do gadget.

No caso do Google, a queda de receita com anúncios em suas ferramentas, como Youtube, ligou um sinal de alerta em toda a cadeia de empresas de tecnologia.

Uma carta nova nesse baralho pode ser o Twitter, agora sob o comando do bilionário e excêntrico Elon Musk. O sul-africano também promete criar um 'Super-App.

O que levou a esse cenário de terra arrasada das empresas de tecnologia?

"As empresas de tecnologia, durante a pandemia, se beneficiaram de um cenário de juros baixos e investidores dispostos a tomar mais riscos. A aposta era que as pessoas mudariam seus hábitos por causa da pandemia. A digitalização seria enorme. Foi mesmo, mas com a reabertura da economia, as pessoas voltaram a ter hábitos de antes, como ir a um supermercado, por exemplo. A partir daí, investidores passaram a cobrar por resultados dessas companhias. Sem retorno, os investimentos secaram e as empresas tiveram que fazer cortes para equilibrar as contas", explica Letícia Menegon, professora de administração e empreendedorismo na ESPM.

Essa visão é compartilhada por Pedro Raffy Vartanian, professor de Economia do Mackenzie. 'Foram 10 anos de boom das empresas de tecnologia. E agora se espera um período de acomodação. No cenário macro, temos alta de juros, diferente da ampla liquidez que se tinha antes. Há previsão de recessão dos EUA e da economia mundial", analisa.

Meta ainda tem chance de dar resultado?

Os resultados bem abaixo do esperado e persistente ambição de Mark Zuckerberg pelo metaverso, mesmo que isso ainda não tenha convencido os investidores, levanta a questão se a empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp ainda pode trazer números bons nos próximos anos.

"Zuckerberg sempre foi um visionário. Quando não se falava em redes sociais, ele enxergou que ali haveria um interesse das pessoas. No fundo, o Facebook é uma versão aprimorada do Orkut. Metaverso é na verdade uma interação no mundo virtual. A proposta é tornar mais real aquilo que já vivemos hoje. Hoje, passeamos por telas. No metaverso, quando fizer uma compra online, você vai ter a sensação de estar passando no meio dos corredores. Não acho que ele esteja desesperado. A Meta foi criada para ter novas fontes de receita porque ele percebeu que os antigos produtos deles estão ficando ultrapassados", pontua Menegon.

O professor Pedro Raffy, porém, é mais cauteloso. " Sobre o Meta, muitos já diziam que era uma empresa com um fim pré-determinado. Da mesma foram que o Zuckerberg teve a visão de que o Facebook se tornaria um fenômeno, é possível que ele enxergue no metatarso algo que a maioria das pessoas ainda não enxerga, com potencial de negócios. Essas tecnologias exponenciais são imprevisíveis. Um exemplo foram os óculos do Google com câmera que durou pouco tempo", diz.

As novas frentes da Microsoft

A empresa fundada por Bill Gates ficou famosa por fornecer o sistema operacional de computadores mais famoso do mundo, o Windows e seus pacotes, como o Office. No entanto, nos últimos anos, a companhia vem diversificando seus negócios para se manter nesse mercado tão competitivo. O serviço de nuvem, por exemplo, vem ganhando cada vez mais terreno. O desafio é maior principalmente após a empresa promover milhares de demissões ao longo dos últimos meses.

"O que a Microsoft está fazendo é uma adaptação. A tendência é que agora tudo migre para a nuvem com os serviços de assinatura. É a adaptação à realidade dos clientes que não vão mais à loja comprar uma mídia física", explica Pedro Raffy, do Mackenzie.

Apple enfrenta desafio nas vendas

A empresa de Cupertino vem recebendo críticas por muitos lançamentos de produtos que o consumidor praticamente não troca de forma tão recorrente – como iPhones e iPads.

Para piorar, a companhia de Cupertino demitiu 100 recrutadores, aquelas pessoas que tentavam pegar os melhores talentos do mercado para a empresa. A explicação para esse cenário pode ser a falta de inovação de uma linha para a outra.

"Vivemos um boom de tecnologia e agora as empresas estão desacelerando. Vendendo menos, precisam cortar custos. Por outro lado, as empresas também não estão inovando tanto mais assim e as pessoas estão comprando menos. Com essa inovação menos acelerada, é natural que o consumidor enxergue menos mudanças de uma versão para outra e comprar menos. Não só a Apple vai mudar. Todas as empresas de tecnologia vão espaçar um lançamento de outro até para eles terem tempo para repensar a tecnologia. As mudanças do iPhone 12 para o 13, por exemplo, foram inovações incrementais, que o consumidor passou a ver não com o valor que via antes. Essa empresas de tecnologia mais antigas já atingiram sua maturidade, mas mesmo assim os consumidores esperam grandes lançamentos deles. Elas, porém, não têm essa capacidade", explica Letícia Menegon, professora de administração e empreendedorismo na ESPM.