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Equipe da OMS visita laboratório de Wuhan objeto de polêmica teoria sobre covid

Héctor RETAMAL
·3 minuto de leitura
Membros da equipe da OMS chegam ao Instituto de Virologia de Wuhan, na província central de Hubei

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) visitaram nesta quarta-feira (3) o Instituto de Virologia de Wuhan, objeto de uma polêmica teoria que o coloca como possível origem do coronavírus nesta cidade chinesa.

A inspeção do instituto, que tem vários laboratórios de alta segurança onde os cientistas trabalham com perigosos coronavírus, era uma das etapas mais aguardadas da equipe da OMS.

O regime comunista esperou mais de um ano para autorizar a visita dos especialistas da agência da ONU, que passaram por uma quarentena de 14 dias antes de iniciarem o trabalho na semana passada.

Com a demora, muitos analistas duvidam de que os especialistas internacionais encontrem indícios reveladores da epidemia.

O comboio de veículos passou pelo controle de segurança durante a manhã para entrar no Instituto de Virologia. Um dos cientista, Peter Daszak, disse à imprensa que a equipe de dez pesquisadores espera "um dia muito produtivo e fazer todas as preguntas que devem ser feitas".

Horas depois, Daszak tuitou que foi um "encontro extremamente importante com os funcionários e uma discussão aberta e franca".

Mas, no momento, não há respostas definitivas.

Os especialistas da OMS passaram quatro horas nas instalações, antes de deixar o local sem falar com a imprensa.

Policiais de máscaras se posicionaram na rua para separar os repórteres dos veículos.

De acordo com o jornal Global Times, a equipe também visitou o laboratório P4. Trata-se do primeiro de segurança máxima na Ásia equipado para manipular agentes biológicos do tipo 4, como o ebola, que representam um elevado risco individual de contágio e são perigosos para a vida.

- A teoria do laboratório -

O ex-presidente americano Donald Trump acusou o instituto de Wuhan (centro de China) de deixar escapar o vírus que provocou a covid-19, provocando una pandemia mundial.

Seu secretário de Estado, Mike Pompeo, insistiu no ano passado que havia "evidência significativa" de que o vírus saiu do laboratório, sem apresentar provas e admitindo que não tinha certeza a respeito.

A China, que nega ser responsável pelo início da epidemia em 2019, dá a entender, sem demonstrar, que o vírus pode ter sido importado.

Pequim insiste, ao mesmo tempo, no êxito da China para conter os contágios e em sua produção de vacinas, exportadas para vários países.

No sábado, as autoridades chinesas organizaram um percurso com a equipe da OMS para mostrar a recuperação da cidade desde a explosão da pandemia.

Um dia depois, os especialistas da OMS visitaram o mercado em que foi detectado o primeiro foco de contágio, há mais de um ano, uma etapa "crucial" na missão da OMS, segundo Daszak.

Ele informou que a equipe se reuniu nesta quarta-feira com Shi Zhengli, uma das maiores especialistas chinesas em coronavírus de morcegos e vice-diretora do laboratório de Wuhan.

Esta virologista provocou dúvidas em uma entrevista em junho de 2020 a uma revista científica americana, na qual afirmou que ficou preocupada em um primeiro momento com a possibilidade de o vírus ter escapado do laboratório.

Inspeções posteriores revelaram, porém, que nenhuma sequência de genes coincidia com os vírus armazenados no instituto. "Não fechei o olho por várias noites", disse.

Depois ela afirmou que "apostava sua vida em que (o novo coronavírus) não tinha nada a ver com o laboratório", segundo a imprensa estatal chinesa.

bur-bar/ybl/erl-mar/tjc/fp