Mercado abrirá em 9 h 39 min
  • BOVESPA

    128.767,45
    -497,51 (-0,38%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.129,88
    -185,81 (-0,37%)
     
  • PETROLEO CRU

    73,08
    +0,02 (+0,03%)
     
  • OURO

    1.782,90
    +5,50 (+0,31%)
     
  • BTC-USD

    33.830,11
    +1.034,72 (+3,16%)
     
  • CMC Crypto 200

    809,87
    +15,54 (+1,96%)
     
  • S&P500

    4.246,44
    +21,65 (+0,51%)
     
  • DOW JONES

    33.945,58
    +68,61 (+0,20%)
     
  • FTSE

    7.090,01
    +27,72 (+0,39%)
     
  • HANG SENG

    28.677,56
    +367,80 (+1,30%)
     
  • NIKKEI

    28.916,68
    +32,55 (+0,11%)
     
  • NASDAQ

    14.295,25
    +37,00 (+0,26%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,9130
    -0,0068 (-0,11%)
     

Entrevistamos a brasileira que descobriu quatro asteroides em projeto com a NASA

·5 minuto de leitura

Lorrane Olivlet, brasileira de 26 anos e criadora do grupo de divulgação científica InSpace, tem como missão motivar, capacitar e engajar pessoas de todo o país em carreiras científicas relacionadas à área espacial. Recentemente, ela descobriu não apenas um, mas quatro asteroides no Sistema Solar — tecnicamente, em estágio de detecção preliminar —, no último dia 13 de maio, os quais poderão ser nomeados por ela. Seu trabalho foi desenvolvido pela parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e também com a NASA. Mas não é algo tão simples assim: além dos processos burocráticos, estas descobertas levam um certo tempo até serem confirmadas.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Segundo dados da organização Minor Planet Center (MPC), da União Astronômica Internacional, atualmente existem cerca 1,1 milhão de asteroides no Sistema Solar interno e externo, sendo que a maioria desses objetos se encontra no Cinturão de Asteroides — ou Cinturão Principal —, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Apesar disso, o número de objetos menores desconhecidos é estimado em mais de 400 mil, com diâmetro superior a um quilômetro. Por serem pequenos, esses corpos se tornam um desafio para serem descobertos, afinal, refletem pouca luz do Sol e, consequentemente, rastreá-los é uma tarefa bastante difícil.

Por isso, além do MPC, existem muitas iniciativas que trabalham a todo vapor na busca por estes asteroides. Uma delas é o projeto de ciência cidadã da NASA chamado International Astronomical Search Collaboration (IASC), o qual proporciona aos seus voluntários de todo o mundo a oportunidade de descobrir asteroides desconhecidos. E, para isso, eles analisam dados os dados obtidos pelo Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System (Pan-STARRS), que, em tradução literal, significa “Telescópio de Pesquisa Panorâmica e Sistema Rápido de Resposta”, operado pelo Instituto de Astronomia do Havaí. Seu principal objetivo é mapear constantemente o céu em busca de objetos próximos à Terra, em especial aqueles que possam apresentar risco de colisão com o planeta.

Em entrevista para o Canaltech, Olivlet compartilha um pouco dos bastidores desse processo de busca por asteroides, revelando quais etapas e técnicas foram utilizadas neste trabalho de ciência cidadã.

Conheça a brasileira fez descoberta preliminar de 4 asteroides

Ciência cidadã

Os dois primeiros asteroides detectados por ela (Imagem: Reprodução/Lorrane Olivlet/Arquivo pessoal)
Os dois primeiros asteroides detectados por ela (Imagem: Reprodução/Lorrane Olivlet/Arquivo pessoal)

Para quem nunca ouviu falar, ciência cidadã são iniciativas de pesquisas feitas com a participação de cidadãos comuns — que não sejam cientistas profissionais. É uma ciência baseada na atuação informada, consciente e voluntária destes cidadãos, os quais geram dados e apresentam resultados. E é assim que ele funciona no trabalho de caça aos asteroides desenvolvido pelo IASC, com participantes de todo o mundo. Olivlet explica que há quatro anos ela procurava por esta oportunidade, mas apenas no ano passado veio a descobrir como funciona o programa.

Para participar, é necessário montar um grupo de estudos ou um time e, nesse caso, Lorrane já participava do seu próprio, o InSpace. Segundo ela, no início do trabalho os participantes recebem um treinamento com o software chamado Astrometrica: “aprendemos a analisar as imagens, a detectar objetos em movimento e a utilizar o software para reportar os possíveis asteroides”, explica. A astrometria é um ramo da astronomia responsável por medir a dimensão e a posição dos astros e determinar seus movimentos — o que alguns chamam de astronomia de posição.

Em branco, a localização do Cinturão Principal de Asteroides, onde se encontra a maior parte destes corpos e os que foram detectados por Lorrane (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Mdf)
Em branco, a localização do Cinturão Principal de Asteroides, onde se encontra a maior parte destes corpos e os que foram detectados por Lorrane (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Mdf)

Após aprender a utilizar o programa, os participantes recebem um banco de imagens do telescópio para treinar as técnicas recém-aprendidas e, só então, recebem as imagens para as análises oficiais. Olivlet conta: "tive que analisar diversas imagens por algum tempo, pensei que não iria encontrar nenhum, até que em uma noite eu encontrei quatro asteroides seguidos e foi extremamente gratificante; esses asteroides nunca haviam sido detectados ou catalogados”.

No dia seguinte, em 14 de maio deste ano, o IASC publicou em um grupo oficial da NASA a detecção preliminar de quatro asteroides no Cinturão Principal do Sistema Solar. “Nessa caça aos asteroides, eu inscrevi todos do grupo para poderem participar também. Até então, temos 6 asteroides descobertos, contando com os meus 4 e um da Cindy Tiso e um da Camilla Mendes, temos outros em análise. É bem provável que essa lista vá aumentar”, acrescenta.

E agora, como dar os nomes?

O processo de oficialização da descoberta pode levar alguns anos, pois confirmar informações como posição e movimentos de objetos tão pequenos não é nada simples. A divulgadora científica conta que é um processo extremamente burocrático, mas que é uma oportunidade única; afinal, é muito rara a chance de catalogar um asteroide e poder dar um nome a ele. “Eu analisei os nomes que já foram colocados em outros asteroides e vi que você pode colocar o seu próprio nome ou um nome que goste em sua descoberta”, ressalta Olivlet, que também compartilha sua intenção de nomear suas descobertas com os nomes de seus pais e avós — e, se possível, um com o seu próprio.

(Imagem: Reprodução/Lorrane Olivlet/Arquivo pessoal)
(Imagem: Reprodução/Lorrane Olivlet/Arquivo pessoal)

Lorrane, que também é autora do livro Meu Primeiro Contato Com o Céu, compartilha sua emoção e gratidão por estas descobertas e declara sua admiração por tudo o que é relacionado ao espaço desde os três anos. “Muitas pessoas não entendem por que isso me chama tanto a atenção, mas, quando eu estou observando o céu, me sinto em paz e feliz. Ter a oportunidade de participar de algo tão especial, e ainda sendo criado pela NASA, me trouxe uma grande felicidade”, revela.

Além de divulgadora científica e escritora, Lorrane é formada pela Universidade FUMEC em engenharia biomédica e, aos 26 anos, se dedica à astronomia, inclusive produzindo conteúdos didáticos em seu canal no YouTube — onde ela pretende publicar, muito em breve, um vídeo explicando cada detalhe do seu trabalho desenvolvido com o projeto de ciência cidadã da NASA. Entre seus temas favoritos, está o Sistema Solar — e, ao pensar em ter seu nome ou de seus entes queridos eternizados em um asteroide, ela diz ser “a melhor sensação de todas!”.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos