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ENTREVISTA-Elétrica chinesa CGN mira aquisições e quer triplicar ativos no Brasil até 2024

Por Luciano Costa
·4 minuto de leitura
Parque solar
Parque solar

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica chinesa CGN quer praticamente triplicar a capacidade de geração no Brasil nos próximos anos, o que deve passar pela construção de usinas eólicas e solares e pela aquisição de projetos novos e em operação, disse nesta quarta-feira um executivo do grupo.

A empresa, que chegou ao Brasil em 2019, ao comprar empreendimentos renováveis do fundo britânico Actis e da italiana Enel, possui atualmente cerca de 1,1 gigawatt em instalações em funcionamento no maior país da América Latina.

"Nossa estratégia para 2024 é chegar até os 3 gigawatts", disse à Reuters o vice-presidente da CGN Brasil Energia, Gabriel Luaces, ao apontar que a empresa tem desenvolvido uma carteira própria de projetos renováveis enquanto estuda outros negócios.

Entre as iniciativas próprias, a companhia traça planos para futura expansão de seu complexo eólico de Santa Vitória do Palmar (RS), que poderia quase dobrar de porte com 200 megawatts adicionais, e para implementar cerca de 600 megawatts em usinas solares, parte delas em áreas ocupadas por seus parques a vento.

"Esse seria o portfólio de expansão interno. Estamos analisando também projetos 'greenfield' (ainda no papel) tanto de solar quanto eólica, e esperamos encerrar (negociações) até o final do ano ou no primeiro trimestre de 2021", revelou Luaces.

"E, obviamente, estamos a ver a possibilidade de fusões e aquisições de ativos operacionais", acrescentou.

Especialistas têm apontado que a crise do coronavírus pode pressionar algumas empresas de energia no Brasil a venderem ativos para fazer caixa, mas Luaces disse que esse movimento não tem acontecido na intensidade esperada, uma vez que os efeitos da pandemia sobre o setor elétrico do país não foram tão graves como se imaginava de início.

Embora empresas de distribuição de eletricidade tenham sofrido impactos negativos no caixa, o que levou o governo a apoiar uma operação para garantir empréstimos bilionários ao segmento, geradores não tiveram perdas de receita.

A CGN, ainda assim, estará atenta a possíveis negócios que possam surgir dessa conjuntura, o que é esperado principalmente a partir de 2021.

"Sabemos que existe muito ativo que está no mercado e para nós não faz sentido. Mas tem também muitos 'players' de primeiro nível, que têm ativos de qualidade que já conhecemos, que conhecemos a performance. Se eles tiverem interesse em buscar caixa, temos todo interesse de analisar, de ver se agrega a nosso portfólio", disse Luaces.

A CGN deverá olhar a compra de usinas eólicas e solares ou ativos de outras fontes limpas, como hidrelétricas, desde que em operações com alguma escala, e poderá ser agressiva se entender que está frente a um bom negócio, acrescentou o executivo.

Ele disse não ver, no entanto, grandes mudanças nas estratégias das empresas de energia no país devido aos impactos da pandemia, com elétricas mais adiando e retomando planos de acordo com as notícias sobre a Covid-19 do que apostando em alterações maiores de rumo.

Os aportes previstos pela CGN para alcançar a meta para 2024 no Brasil devem somar cerca de 11 bilhões de reais, embora o valor esteja sujeito às condições do mercado.

BRASIL-CHINA

O interesse da CGN pelo Brasil veio em meio a uma expansão internacional da sua empresa-mãe, que primeiro mirou outros países na Ásia e a Europa antes da América Latina.

O movimento, no entanto, coincidiu com uma postura mais cautelosa em relação à China adotada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018.

Bolsonaro expressou ainda na campanha eleitoral preocupação com aquisições de empresas da China no Brasil, e mais recentemente passou a apontar dúvidas sobre a eficácia de uma vacina oriental contra a Covid-19, além de sinalizar possíveis restrições à participação da chinesa Huawei na tecnologia 5G.

Questionado sobre se a postura do presidente pode atrapalhar os planos da companhia no Brasil, Luaces afirmou que não.

"Evidentemente, não atrapalha. Somos todos profissionais e entendemos que opiniões pessoais não têm porque influenciar no ambiente de negócios."

Ele admitiu, no entanto, que a situação causa desconforto.

"Não enxergo que vai ser um problema para a operação das empresas, nesse sentido as companhias com capital chinês vão continuar investindo no Brasil. Agora, obviamente, para uma empresa com capital chinês e para funcionários chineses, é realmente constrangedor."

O executivo da CGN Brasil afirmou ainda que a empresa busca financiar seus projetos e investimentos no mercado doméstico, sem captações externas no momento devido aos riscos cambiais.

Mas a empresa fechou recentemente a compra de turbinas eólicas da fabricante chinesa Goldwind para a expansão de um parque eólico no Piauí.

Segundo Luaces, o negócio foi oportuno devido à pressa da CGN para concluir suas obras, uma vez que outros fornecedores de equipamentos eólicos teriam dificuldades para entregar máquinas com a potência desejada (mais de 4 megawatts) no curto prazo.

"Acabou a situação perfeita para termos essa parceria com a Goldwind", afirmou ele.

A CGN utiliza principalmente máquinas da Goldwind em suas usinas eólicas na China.