Mercado fechado
  • BOVESPA

    122.038,11
    +2.117,50 (+1,77%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    49.249,02
    +314,11 (+0,64%)
     
  • PETROLEO CRU

    64,82
    +0,11 (+0,17%)
     
  • OURO

    1.832,00
    +16,30 (+0,90%)
     
  • BTC-USD

    57.993,92
    -846,94 (-1,44%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.480,07
    +44,28 (+3,08%)
     
  • S&P500

    4.232,60
    +30,98 (+0,74%)
     
  • DOW JONES

    34.777,76
    +229,23 (+0,66%)
     
  • FTSE

    7.129,71
    +53,54 (+0,76%)
     
  • HANG SENG

    28.610,65
    -26,81 (-0,09%)
     
  • NIKKEI

    29.357,82
    +26,45 (+0,09%)
     
  • NASDAQ

    13.715,50
    +117,75 (+0,87%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3651
    -0,0015 (-0,02%)
     

Entrei na onda e registrei o meu primeiro NFT; e agora?

Marcus Couto
·9 minuto de leitura
NFTs – no topo da onda. (Foto: Getty Images)
NFTs – no topo da onda. (Foto: Getty Images)
  • Relato em primeira pessoa descreve passo a passo de um registro de NFT.

  • Tecnologia promete ser o futuro da negociação para arte digital.

  • Tokens são vendidos em mercados online por milhões de dólares.

A primeira vez em que ouvi falar de NFT, tokens não-fungíveis, foi no início deste ano, acompanhando o noticiário de criptomoedas, como alguém que cobre e escreve sobre o assunto diariamente para o Yahoo Finanças.

O setor está aquecido, com novas moedas – cujas vantagens em relação ao bitcoin às vezes não são totalmente claras – surgindo a toda hora, e o bitcoin quebrando recorde atrás de recorde, chegando a ser negociado a US$ 65 mil em sua máxima, algumas semanas atrás.

Mas a história dos NFTs me chamou a atenção não apenas pelo volume de dinheiro movimentado, na casa dos milhões de dólares, mas também pelo fato de a tecnologia ser empregada para o que me pareceu uma excelente ideia: utilizar a blockchain para conferir à arte digital o mesmo caráter de escassez da arte produzida em meios físicos.

Afinal, pinturas, desenhos, esculturas e instalações artísticas funcionam como reserva de valor há séculos, adquiridas e negociadas por seus colecionadores, valorizando e gerando lucro (monetário e social) para quem souber apostar nos talentos certos. Mas, com é possível replicar infinitamente um arquivo digital, a lógica de escassez não funcionava em casos de arquivos JPG ou similares, por mais fabulosas que fossem as criações de alguns artistas especializados nesses meios (vide a impressionante obra de Beeple, recordista de vendas no mercado de NFTs).

Ocorre que a a blockchain mudou essa realidade, com a possibilidade de se criar e movimentar por uma rede confiável e aberta um registro único de propriedade sobre determinada arquivo em um plano virtual – exatamente o modelo NFT. Agora, o mercado de arte digital teria o seu momento de brilhar, e os negócios estão explodindo.

Outro motivo pelo qual me chamou a atenção a história é que eu, enquanto não estou escrevendo para o Yahoo Finanças, também desenho e faço pinturas – e apesar de nunca ter sido representado por nenhuma galeria de arte, cheguei a vender alguns dos meus trabalhos pontualmente, principalmente por meio do Instagram, para pessoas que gostavam de algo que eu publicava.

Ao investigar mais a fundo a história dos NFTs, conheci os mercados online onde essas obras digitais são vendidas, sites como o Rarible e o Foundation, que têm a vantagem de serem mais democráticos que o mercado tradicional de arte – são abertos, ou acessíveis por meio de convites relativamente fáceis de se conseguir, para artistas de todo o mundo interessados em participar do louco, aquecido e nascente mercado dos tokens não-fungíveis.

Primeiros passos

Há algumas semanas, recebi a notícia de que um dos meus trabalhos, uma pintura digital chamada “Supernova”, havia sido selecionado para uma exposição virtual do projeto Homeostasis Lab, especializado em formatos de arte inovadora. O e-mail chegou à minha caixa de entrada bem no momento em que eu pensava sobre os NFTs, e esse foi o último empurrão que faltava para eu seguir em frente e saciar a curiosidade de finalmente cadastrar meu primeiro trabalho na blockchain – e tentar vendê-lo para os colecionadores de tokens não-fungíveis, é claro.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Ou seja, eu já tinha uma obra para o registro – agora só faltava entender quais os passos técnicos para concluir a tarefa.

Depois de assistir a alguns vídeos no YouTube, escutando a experiência de outros artistas, decidi que faria meu ingresso no mundo dos NFTs pelo site Rarible, que é um mercado digital aberto a qualquer artista que queira participar, e tem um público considerável fazendo as negociações todos os dias.

Se conectando à blockchain

Uma coisa importante de se entender é que, ao entrar no mundo dos NFTs, você ingressa profundamente no espaço das criptomoedas, também. Todos os tokens de arte digital são negociados em criptos, e a maioria deles está registrada na rede Ethereum – uma blockchain que permite o armazenamento de “contratos”, como esse token que eu estava prestes a criar, e que possui sua própria unidade de moeda para transações, chamada ether.

Uma unidade de ether custa atualmente US$ 2,7 mil, e ela é a segunda maior criptomoeda do mundo em valor, perdendo apenas para o próprio bitcoin.

Então, se o primeiro passo, pelo menos no caso do artista, é ter uma obra que você acredita ter algum valor, o segundo é configurar a sua carteira digital de criptomoedas, que será a base de todas as transações feitas no site – até alterações no seu perfil, como nome e foto, dependem de uma conexão com a sua carteira, e nada pode ser feito até que você faça essa sincronização.

O Rarible apresenta algumas opções de carteiras disponíveis para integração, e eu escolhi a da Coinbase, gigante americana que acaba de abrir capital na bolsa de valores dos Estados Unidos. Bastou baixar um aplicativo no celular, passar por uma configuração rápida, e eu estava pronto para seguir.

Registrar um NFT custa dinheiro (e não é pouco)

Mas meu saldo na carteira estava vazio, e precisei transferir algumas moedas adquiridas numa corretora brasileira. Nesse momento, você testemunha a força das novas tecnologias de transferência de valores pela blockchain – com envio de moedas de ponta a ponta, rápido e fácil.

Com algum saldo em ethers, agora eu estava pronto para seguir com o registro do meu NFT – pois já sabia, pelos vídeos que tinha assistido, que o processo custaria dinheiro, por conta das chamadas “taxas de combustível” usadas na rede Ethereum para a realização de qualquer interação com ela.

Tela de criação de NFT no Rarible
Tela de criação de NFT no Rarible

O passo a passo para o registro de um arquivo NFT no Rarible eu detalhei em uma outra reportagem que escrevi para o Yahoo Finanças, com especificidades como tipos de arquivos aceitos, e outras configurações menores.

Mas, basicamente, você precisa fazer o cadastro da obra de forma não muito diferente da necessária para se publicar uma foto ou vídeo em uma rede social como o Twitter ou o Instagram. Você sobe um arquivo – e ele pode ser de imagem ou som –, define se aquele NFT será único ou parte de uma série, estabelece um preço de venda etc.

A hora da criação

Com tudo configurado, era hora de clicar em “criar”. Note que todo o processo até aqui foi feito sem qualquer interação com agentes intermediários. Tudo, desde a seleção do trabalho até a definição do preço, e porcentagem sobre futuras revendas, foi feita por mim, autor da obra. E esse é um dos maiores atrativos da tecnologia de NFT para os artistas – a possibilidade de ter um maior controle sobre sua produção e comercialização dela.

Ao selecionar o botão de “criar”, o site imediatamente entra em contato com a sua carteira de criptomoedas, e aqui começam os custos. Preste atenção, pois as taxas variam radicalmente de uma hora para outra, porque as tarifas de combustível da rede Ethereum oscilam a todo instante; às vezes estão mais altas, outras, mais baixas.

Essas taxas (“gas fees”, no inglês) são pagas aos mineradores do Ethereum, responsáveis pela manutenção e checagem de transações na blockchain, e até aqui, nada vai para o Rarible, já que o site fica apenas com uma taxa de 2,5% sobre o valor de uma eventual venda do NFT.

A primeira taxa a ser paga (apenas no primeiro registro) é por uma “abertura” de canal entre o Rarible e sua carteira – no meu caso, essa taxa foi de US$ 5, ou cerca de R$ 26. Depois, vem a taxa mais alta, pelo registro em si do token na blockchain, que me custou US$ 20, ou cerca de R$ 107. Assim, no total (sem contar as taxas de transferências que paguei anteriormente para mover minhas moedas para a carteira), o processo me custou cerca de R$ 133. Mas, em outros momentos que conferi as taxas, elas chegavam a US$ 60, ou cerca de R$ 321 só pelo cadastro – e com a rede da Ethereum cada vez mais demandada, os valores tendem a subir, apesar de seus desenvolvedores prometerem uma atualização que deve suavizar os custos.

Depois de aceitar as taxas, o processo de “minting” (registro) do meu token começou, e em alguns minutos ele já aparecia como um item colecionável tanto na minha carteira quanto no meu perfil no Rarible, pronto para futuras negociações.

NFT já criado no Rarible
NFT já criado no Rarible

O registro é só o começo

Depois de fazer o meu primeiro registro de um trabalho de arte digital como NFT, e conhecer mais a fundo esse espaço, algumas lições aprendidas e reflexões sobre o assunto:

  • Esse mercado está definitivamente em seu início, e apesar de ficar uma sensação de que há mesmo uma bolha em formação, como sugeriu o próprio Beeple, considerando o volume de material e os valores envolvidos, a impressão é de que este pode mesmo ser o futuro da negociação de trabalhos de arte digital.

  • Se esse primeiro ponto se provar verdadeiro, muitos tokens negociados hoje por valores relativamente baixos poderão ver seu valor disparar nos próximos anos (décadas?).

  • Registrar seu token é apenas o primeiro passo. É preciso entrar em contato com a comunidade de NFTs no Twitter, onde ela é especialmente ativa, para interagir com outros artistas e potenciais colecionadores interessados no seu trabalho. Cultivar um público que goste do que você faz. Hashtags como #NFT, #NFTCommunity são algumas das usadas para divulgação. 

  • Mais do que os altos valores, talvez o maior apelo da tecnologia de NFT para o artista seja a capacidade de manter o controle sobre seu trabalho, e sobre sua comercialização, sem depender de intermediários, como ocorreu historicamente com o mercado de arte em meio físico.

  • Independente da tecnologia, o mais importante continua sendo a qualidade dos trabalhos, o talento de seus criadores, e o valor gerado para a comunidade. Ou seja, o importante é continuar criando, e pouco a pouco lapidar seu trabalho.

Meu token de “Supernova” ainda não recebeu um lance sequer no Rarible – a lista de “bids” está às moscas. Mas a experiência, para mim, não foi mal-sucedida, pelo contrário. Todo o aprendizado e reflexões que surgiram ao longo do processo aumentaram a minha compreensão sobre o novo universo dos NFTs, sobre o meu próprio trabalho artístico, e as direções que quero dar a ele daqui para frente. Também não ficou a sensação de ter perdido dinheiro – pois agora o token está registrado, em minha carteira de criptomoedas, e na blockchain do Ethereum, por todo o tempo em que essa nova e empolgante tecnologia subsistir. E claro, pronto para futuras negociações.

Não pretendo registrar um novo NFT tão cedo, principalmente por conta das altas taxas. Pelo menos não antes de entender melhor para onde esse mercado está indo. Mas uma coisa é certa: continuarei desenhando e pintando, e de olho na tecnologia de tokens não-fungíveis. 

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube