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Entrega grátis pode ser solução para comércio on-line na África

Antony Sguazzin, Loni Prinsloo e David Herbling

(Bloomberg) -- Três anos depois de se tornar agente da empresa de comércio eletrônico Copia Global, Samuel Kihara quintuplicou a receita em sua loja de artigos variados, abriu uma segunda unidade, comprou terrenos e um caminhão e matriculou os filhos em uma escola particular.

“As comissões que ganho como agente da Copia têm sido meu capital de giro”, disse Kihara, de 48 anos, em entrevista em sua pequena loja em Kawaida, uma vila a 23 quilômetros ao norte de Nairóbi, capital do Quênia. “Tudo isso foi possível devido ao dinheiro do negócio.”

A Copia recebe pedidos feitos por celular de produtos que variam de utensílios de cozinha a alimentos enlatados e os entrega a partes remotas do Quênia em cerca de dois dias, sem custo adicional. É onde Kihara e cerca de 6 mil outros agentes do país entram. Eles possuem empresas como uma loja ou salão de beleza que a Copia pode usar como ponto de entrega central e ganham uma comissão por cada pedido.

O slogan da Copia, “Maisha Rahisi”, significa “vida simples” em suaíli. A empresa, fundada em 2013 pelos empreendedores sociais norte-americanos Tracey Turner e Jonathan Lewis, ainda dá prejuízo. Mas as vendas crescem a uma taxa de 15% ao mês no Quênia, um país cujos cidadãos adotaram rapidamente serviços de comércio eletrônico via dispositivos móveis, que vão desde transferências de dinheiro a empréstimos digitais.

“O modelo resolve uma série de questões em termos de merchandising nas áreas rurais do continente”, disse o fundador da Future Advisory, Herman Singh, ex-executivo da gigante de comunicação sem fio MTN Group e ex-membro do conselho da Jumia Technologies, maior empresa de comércio eletrônico da África. “O desafio é fazer isso com lucro. Os modelos não computam a menos que você tenha uma escala enorme a seu lado. ”

750 milhões

Embora a Copia atualmente atenda a pouco mais de 20% da população rural do Quênia, principalmente no centro do país, o diretor-presidente da empresa, Tim Steel, tem ambições maiores. Seu mercado-alvo são os 750 milhões de consumidores de renda média e baixa da África, que gastam US$ 680 bilhões por ano.

Dentro de 18 meses, Steel espera ter 18 mil agentes, disse, e começar a operar em Uganda, Ruanda e Tanzânia. O executivo projeta ter lucro dentro de dois anos, embora não tenha fornecido detalhes financeiros.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Antony Sguazzin Johannesburg, asguazzin@bloomberg.net;Loni Prinsloo em Johanesburgo, lprinsloo3@bloomberg.net;David Herbling Nairobi, dherbling@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: John McCorry, jmccorry@bloomberg.net, John Bowker, Karl Maier

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