Entre ‘islamofascistas’ é tradição fazer os mortos votarem, diz advogado de prisioneiros políticos na Turquia

© RFI / Marcia Bechara

Ahmet Kiraz Hukuk Bürosu nasceu na região que foi o epicentro de uma épica tragédia na história contemporânea da Turquia: o terremoto que, em 6 de fevereiro, deixou pelo menos 50 mil mortos (números oficiais, 200 mil de acordo com fontes paralelas) na região fronteiriça à Síria. O advogado, conhecido em seu país por militar pelos direitos humanos de presos políticos, conta como retirou com as próprias mãos os corpos de familiares dos escombros. Ele recebeu a RFI em Elvan, no centro de Istambul.

Marcia Bechara, enviada especial da RFI a Istambul

Formado em Direito pela Universidade de Estrasburgo, no leste da França, Ahmet Kiraz voltou à Turquia, onde se juntou à oposição pela legenda CHP, de Kemal Kiliçdaroglu, grande adversário de Recep Tayyip Erdogan nestas eleições de 2023. Nascido no vilarejo de Marash, epicentro da tragédia de 6 de fevereiro passado, onde houve cerca de 30 terremotos, na região montanhosa de Elbistan, ele recordou junto à reportagem os momentos dramáticos da retirada dos corpos e do resgate aos sobreviventes.

Desaparecidos, ou quando "os mortos votam"


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