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Entrave com BNDES influenciou entrada da Latam Brasil em recuperação judicial nos EUA

IVAN MARTÍNEZ-VARGAS
·3 minuto de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO CARLOS, SP, BRASIL, 15.04.2020 - Aviões da LATAM Airlines Brasil, anteriormente TAM Linhas Aéreas, durante preservação ativa e storage em solo no aeroporto Mário Pereira Lopes, em São Carlos (SP). A pandemia do coronavírus, que desde março golpeou a demanda por voos e prejudicou o setor. Para sobreviver, as empresas aéreas renegociam prazos de pagamento e isenções com arrendadores e concessionárias donas de hangares. Também cortaram salários e pedem ajuda financeira ao governo federal – que ainda não chegou. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO CARLOS, SP, BRASIL, 15.04.2020 - Aviões da LATAM Airlines Brasil, anteriormente TAM Linhas Aéreas, durante preservação ativa e storage em solo no aeroporto Mário Pereira Lopes, em São Carlos (SP). A pandemia do coronavírus, que desde março golpeou a demanda por voos e prejudicou o setor. Para sobreviver, as empresas aéreas renegociam prazos de pagamento e isenções com arrendadores e concessionárias donas de hangares. Também cortaram salários e pedem ajuda financeira ao governo federal – que ainda não chegou. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A demora para finalizar a negociação de um pacote de socorro com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a lenta retomada da demanda por voos influenciaram a decisão da Latam Brasil de incluir a filial no processo de recuperação judicial do grupo nos Estados Unidos nesta quinta (9), segundo o presidente da empresa, Jerome Cadier.

"Em maio, imaginávamos que estávamos mais próximos de encontrar um meio termo que satisfizesse o banco e a Latam para o financiamento do BNDES, e isso até agora não aconteceu. A gente esperava que isso acontecesse no fim de junho, e não se materializou", afirmou o executivo à reportagem.

Pessoas familiarizadas com as tratativas disseram à reportagem que o BNDES foi pego de surpresa pelo anúncio da Latam. O banco tem buscado uma solução única de financiamento para atender Azul, Gol e Latam, o que na visão de Jerome Cadier não é o ideal.

Com o ingresso oficial da Latam Brasil no processo de reestruturação negociado pela holding chilena do grupo nos EUA, a empresa deve obter recursos por meio de empréstimos DIP (Debtor in Possession, que garantem ao credor prioridade no recebimento dos créditos).

"Existe um receio natural do BNDES de tomar decisões diferentes das corriqueiras, o DIP não é um mecanismo que o banco está acostumado a usar, como debêntures conversíveis. Temos conversado nas últimas semanas e direcionando as negociações [para um DIP]", afirma.

"Na cabeça do BNDES, o ideal seria que Azul, Latam e Gol tivessem o mesmo mecanismo de financiamento, e eu tenho minhas diferenças em relação a isso. A Latam é quase do mesmo tamanho das outras duas somadas, opera mais internacionalmente, foi mais afetada pela crise e faz parte de um grupo. É difícil achar que o mesmo tipo [de empréstimo] sirva para as três".

Com a entrada da Latam Brasil no processo de recuperação judicial, qualquer aporte deve ser feito por meio desse mecanismo, de acordo com o executivo. Cadier afirma que um pedido de recuperação judicial no Brasil está descartado.

O grupo Latam anunciou nesta quinta que formalizou a proposta de um DIP de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,9 bilhões no câmbio atual) do fundo Oaktree Capital Management, que investe em empresas em dificuldade. A proposta, que ainda precisa ser aprovada pela corte de Nova York, sinaliza que investidores veem o grupo como economicamente viável.

Os recursos complementam o aporte de US$ 900 milhões anunciados em maio pela empresa, prometido pela Qatar Airways e pelas famílias Cueto e Amaro, controladoras da holding.

"Esse investimento é significativo e demonstra que a empresa consegue se sustentar", diz Cadier.

A dívida listada pelo grupo Latam em seu pedido de recuperação judicial é de aproximadamente US$ 18 bilhões.

A retomada da demanda por voos tem sido mais lenta que o esperado, segundo Cadier. A Latam Brasil opera hoje com 20% da sua capacidade e prevê chegar ao fim do ano a níveis entre 50% e 60%.

"A gente não imaginava uma recuperação tão lenta. Ela existe, mas é volátil e muda toda semana. A recuperação, principalmente no internacional, é mais lenta do que tínhamos imaginado", disse o executivo.

A Latam Brasil hoje é a companhia aérea brasileira com a maior fatia da receita vinda de voos internacionais. Segundo Cadier, a empresa tem 1.300 pilotos no Brasil destinados a voar em rotas internacionais, contra 700 que operam voos domésticos.

A empresa negocia com o Sindicato Nacional dos Aeronautas um acordo coletivo para reduzir jornadas e salários dos tripulantes por 18 meses.

Segundo Ondino Dutra, presidente da entidade, a empresa quer fazer reduções salariais mais acentuadas que Azul e Gol e busca aprovar a possibilidade de cortes de remuneração permanentes para quem ficar na empresa depois desse período.

"Nesses termos, não tem acordo possível, é uma oferta muito aquém das demais", diz.

Sem comentar o teor das negociações, Cadier afirma que a Latam tem mais custos e paga maiores salários que as concorrentes. Segundo o executivo, a companhia já aprovou acordos com outros 10 sindicatos que preveem a demissão de cerca de 1.200 profissionais.