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Entenda a polêmica de laser em show de Alok

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 16.02.2020 - O DJ Alok, pela primeira vez em São Paulo com seu trio, dá show de música eletrônica para milhares de pessoas na avenida Faria Lima. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 16.02.2020 - O DJ Alok, pela primeira vez em São Paulo com seu trio, dá show de música eletrônica para milhares de pessoas na avenida Faria Lima. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

CURITIBA, PR, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um espectador do show do Alok no Rock in Rio relatou no Twitter que lasers teriam danificado a câmera de seu celular. O post, que viralizou, tem uma foto da apresentação que aconteceu na sexta (3), com a legenda "Última foto antes do laser do Alok queimar a câmera do meu iPhone. Que ódio".

O artista falou sobre o assunto em vídeo no TikTok. Ele diz que os feixes de luz de fato podem queimar a câmera do celular, e é por isso que as luzes ficam apontadas para cima durante o show.

"Senão ia queimar o celular da festa inteira e aí ia ser um prejuízo gigantesco", afirmou. "Então é isso aí, fake news. A não ser que ele estivesse na tirolesa, né."

A equipe de Alok declarou que toda a estrutura do show foi previamente testada e aprovada pelos órgãos competentes. "Os feixes dos canhões de laser tinham uma angulação acima do nível do público o que impedia contato direto com a retina ocular ou as câmeras de celulares."

Também informou que o direcionamento das luzes precisa garantir a segurança das câmeras de transmissão do evento e que os relatos de que lasers teriam danificado alguns aparelhos eletrônicos possivelmente se tratam de "uma brincadeira na internet".

Vinicius Wenzel, proprietário da empresa responsável pelos lasers no show do Alok, diz acreditar que a postagem foi uma brincadeira. Ele afirma que, por padrão, o laser é apontado para cima da cabeça das pessoas, porque, caso contrário, a luz forte pode queimar os pixels da câmera.

Para Lázaro Padilha, professor do Instituto de Física da Unicamp, embora seja possível que isso tenha acontecido, é improvável. Isso porque depende de fatores como a potência do laser, o tempo de exposição direta do sensor da câmera ao feixe e a distância do usuário.

"Como a lente desvia o feixe de luz para os sensores da câmera, isso pode queimar alguns pixels. O contato da luz com os componentes gera calor, e o calor danifica", disse.

O uso da cor verde, como aconteceu no show, por exemplo, é uma forma de iluminar mais com menor potência —o olho humano é mais sensível a essa frequência do que a do vermelho.

Para um contato instantâneo com o laser queimar a câmera de um celular, ele precisaria ser mais potente, o que poderia trazer desconforto aos olhos humanos. Mas, caso o usuário estivesse perto dos equipamentos e usando o zoom do aparelho, a probabilidade de danificação é maior.

A Apple, fabricante do iPhone, e o autor da postagem não responderam até a publicação desta reportagem.

A Xiaomi informou que em ambientes externos ou internos, quando há uma fonte de luz extremamente forte, existe a possibilidade de danos ao sensor da câmera do smartphone.

A Samsung não se pronunciou, mas o manual do Galaxy S22 recomenda não expor as lentes da câmera a fontes de luz muito intensas, como a luz solar direta. "Não é possível reparar um sensor de imagem danificado, e as fotos irão apresentar pontos ou manchas", diz o documento.