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Entenda a operação de investidores que derruba as ações da IRB

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As ações da resseguradora IRB operam em forte queda nesta terça-feira (30) na Bolsa de Valores, às vésperas do encerramento da oferta de ações —a empresa que busca o reenquadramento de indicadores regulatórios.

Por volta das 12h30, as ações da resseguradora recuavam cerca de 5,4%, negociadas a R$ 1,76, o que representava a maior queda do dia na B3, e renovava as mínimas históricas dos papéis.

No acumulado do ano, as perdas das ações do IRB na Bolsa já chegam a 56%.

Entenda por que a ação da IRB está despencando A recente pressão vendedora (grande número de investidores tentando vender a ação, o que derruba seu preço) vem na esteira de anúncio feito pela empresa em 24 de agosto, de que irá realizar uma oferta de ações em que pretende levantar cerca de R$ 1,2 bilhão, com o objetivo de cumprir exigências regulatórias mínimas de capital para operar no setor.

O IRB vai ofertar, inicialmente, até 597 milhões de ações ao mercado, em uma operação restrita a investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) ou profissionais (com mais de R$ 10 milhões). Também poderão participar investidores que já são acionistas do IRB, de modo a não sofrerem uma forte diluição das posições detidas.

Considerado o fechamento de 24 de agosto, de R$ 2,01, o montante de ações inicialmente ofertado seria suficiente para chegar ao valor estipulado de R$ 1,2 bilhão.

A resseguradora informou, no entanto, que o montante de ações a ser ofertado pode ser elevado em até 200%, ou quase 1,2 bilhão de ações, totalizando uma oferta de aproximadamente 1,8 bilhão de ações, caso haja excesso de demanda pelos papéis, segundo o prospecto da oferta.

"Se o IRB acabar emitindo o número máximo de ações permitido, a fim de chegar a R$ 1,2 bilhão, estaríamos falando de uma cotação de R$ 0,66", apontam os analistas do BTG Pactual em relatório.

Desde que fez o anúncio sobre a oferta, as ações do IRB já acumulam desvalorização de cerca de 12,5%, com os investidores apostando que a captação de recursos não será suficiente para colocar a resseguradora de volta aos trilhos.

O que significa a operação conhecida como 'vendida', que fez a IRB cair A aposta na queda se dá por meio de uma operação conhecida no jargão de mercado como "vendida", em que o investidor aluga a ação que ele espera que venha a cair de um investidor que detém os papéis, com a expectativa de que a ação recue e ele recompre por um valor mais baixo para devolvê-la mais tarde.

Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, lembra que há no mercado local uma limitação para o volume de ações "vendidas" no mercado de 25% do total de ações em circulação no mercado.

Com a alta demanda por aluguel de ações do IRB, a B3 aumentou este limite temporariamente para 30%, correspondente a cerca de 377 milhões de ações, assinala o especialista.

"Houve um aumento substancial de ações vendidas do IRB desde julho, atingindo 333 milhões de ações nos últimos dias. As taxas de aluguel também aumentaram, atingindo cerca de 48% ao ano", afirmou o analista da Guide em relatório.

Os analistas do BTG lembram ainda que o processo de "bookbuilding", em que os bancos coordenadores coletam a demanda dos investidores pelas ações ofertadas para definir o preço por ação, está previsto para terminar em 1º de setembro, na próxima quinta-feira.

Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander são os bancos coordenadores, sendo que os dois primeiros detêm participação de 15,8% e 11,5% no IRB, respectivamente.

IRB enfrenta descrença dos investidores desde o final de 2019 O IRB fez sua estreia na Bolsa de Valores via uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em julho de 2017, e, por algum tempo, foi considerada uma das "queridinhas" dos investidores.

No final de 2019, contudo, a empresa foi acusada pela gestora de recursos Squadra de maquiar os números nos balanços trimestrais de resultados, de modo a apresentar uma fotografia melhor do que era, de fato, sua real situação.

Além disso, a empresa também foi acusada de divulgar informações falsas a respeito de um aporte que nunca existiu do megainvestidor norte-americano Warren Buffett, fazendo com que suas ações tenham entrado em uma espiral negativa da qual ainda não conseguiram sair.

No segundo trimestre, a resseguradora reportou um prejuízo líquido de R$ 373,3 milhões, o que correspondeu a um crescimento de 80,4% frente à perda registrada um ano antes, com os números dando origem ao desenquadramento em indicadores regulatórios que forçaram a empresa a anunciar a atual oferta de ações.

"Continuamos cautelosos com as ações do IRB", dizem os analistas do BTG.

Com Reuters