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Entenda o segredo do sucesso do Fortaleza, semifinalista da Copa do Brasil pela primeira vez na história

·4 minuto de leitura

Dentro de campo, o Fortaleza de 2021 pouco lembra o de 2020. Quarto colocado no Campeonato Brasileiro, o Leão fez história na última quarta-feira, quando conquistou, pela primeira vez nos 102 anos de história do clube, uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. A vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo coroou o grande momento que o clube vive na temporada, resultado de um investimento a longo prazo, que ultrapassa as quatro linhas.

— Acho que (o acúmulo de bons resultados) é fruto de uma sequência de trabalhos, não especificamente deste ano, mas que vem sendo construído há alguns já. Isso se diz à estrutura, à previsibilidade de mercado, que faz com que você atraia jogadores que em outros momentos, talvez, não viessem. Também tem o fato de ter voltado a disputar a elite de futebol, que aí podemos entender melhor a forma em que os times jogam, a arbitragem — pontua Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

Para ele, o jogo mais importante da campanha na competição eliminatória foi o segundo, contra o Ceará, antes mesmo das oitavas de final. Na ocasião, o Fortaleza venceu o clássico com autoridade, 3 a 0. Ao todo, a trilha de vitórias seguidas no campeonato da CBF se converte em um montante de, até aqui, aproximadamente, R$ 17,2 milhões – cifra também inédita ao futebol cearense.

— Esse dinheiro não é de todo do clube. Para os impostos e dívidas de arena, vão 10%. Outra porcentagem vai como premiação e é dividida entre jogadores, comissão técnica e funcionários. O resto tem sido importante para manutenção do clube, despesas diárias, folha de pagamento. A quantia não chega ao longo prazo, é utilizada toda nesta temporada ainda — destaca o presidente.

Ponto de virada

Na temporada passada, nesta mesma 20ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Leão acumulava 24 pontos e amargava a 11ª posição da tabela. No fim da competição, o clube ficou apenas uma posição acima da Zona de Rebaixamento, com 41 pontos. Agora, o Fortaleza entra na etapa de número 21 do Brasileirão em quarto, com 33 pontos, e em uma disputa acirrada pelas duas posições acima, já que Palmeiras e Flamengo, segundo e terceiro respectivamente, estão com 34 e 35.

O ponto fora da curva na transformação do tricolor nordestino dentro de campo tem nome: Juan Pablo Vojvoda. Contratado em maio, o argentino conquistou o primeiro troféu, o do Campeonato Cearense, com apenas 19 dias no clube. Além disso, deu início a uma série de vitórias que chegou a 12 jogos — incluindo um marcante 5 a 1 contra o Internacional.

— Ele (Vojvoda) passou a atuar com três zagueiros, o que eu achei uma mudança bem interessante. Com isso, passamos a jogar com dois alas. No (Lucas) Crispim, um jogador que sempre foi meia, ele identificou um ala pela esquerda, apesar de ele ser destro. Foi uma grande surpresa — analisa Paz.

Mesmo com mudanças e testes arrojados, como a troca no esquema tático, ou a utilização de jogadores em novas posições, os resultados chegaram de forma quase que instantânea. Para Pedro Moreno, comentarista do SporTV, a rapidez nos triunfos se deu por conta da agilidade do argentino para se adequar ao cenário do futebol brasileiro.

— Acho que o grande fator do sucesso rápido do Vojvoda, em pouco mais de quatro meses de trabalho, foi a rapidez que ele entendeu o elenco que tinha em mãos e a rapidez que entendeu como é o futebol brasileiro. A forma que o Fortaleza joga, com consistência e equilíbrio em todas as fases do jogo, o que é muito difícil de encontrar até em equipes com orçamentos muito maiores, normalmente necessita de muito tempo para ser assimilada pelos jogadores. Acho que isso é fundamental. A organização como instituição em si, como clube de futebol, e a percepção dele de conseguir ter entendido tão rapidamente a característica dos jogadores que ele tinha em mãos — explicou Moreno.

Tudo isso foi possível também pela capacidade dos jogadores de absorverem a proposta do treinador, e a coragem do time de jogar, mesmo contra adversários de camisas pesadas no futebol brasileiro. É o que diz Conrado Santana, comentarista do Grupo Globo.

— Coragem. O gol do Ronald, por exemplo, foi marcando a saída de bola do São Paulo no campo de ataque. Tinham sete jogadores no ataque. E aí o time abre 1-0 e continua atacando. Mata-mata de Copa do Brasil, contra o São Paulo, quando você tá com o resultado, o normal é pensar “vou me defender, dar bico pra frente”. É o que vemos todo mundo fazendo. O Fortaleza não. Continuou com o estilo de jogo, pressionando, atacando. Claro, teve um momento que o São Paulo ficou mais com a bola e o time soube se defender, mas não deixa de atacar e pressionar. É um time muito organizado. O conjunto para mim é o principal — frizou.

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