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Entenda o que é o NFT, que faz um meme virar fortuna de US$ 470 mil

·6 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Só 12% dos americanos sabem o que é NFT, sigla para token não fungível, em inglês. Se nos Estados Unidos —onde estão os grandes entusiastas desse criptoativo— o conhecimento é baixo, pouco pode se esperar de outros países. O NFT é uma raridade no mercado: está no centro de uma possível bolha, e poucos entendem do que se trata.

No primeiro trimestre deste ano, o mercado que movimenta esse ativo digital cresceu 131 vezes na comparação com igual período de 2020, segundo o NonFunglible, que monitora o setor. Foram transacionados US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões), grande parte para o pagamento de obras de arte digitais milionárias.

Antes de explorar os motivos da atenção que esse ativo recebe da mídia americana, das celebridades e do mundo da arte, é preciso entender sua utilidade na internet.

O NFT funciona como um certificado de propriedade ligado a um produto digital —uma ilustração, um meme, ou uma fotografia, por exemplo. No mundo físico, equivaleria à escritura de uma casa.

É considerado um criptoativo: carrega a promessa de valer algo no futuro, o que o difere de uma criptomoeda, que tem cotação diária (como o bitcoin, por exemplo).

Sua transação acontece em uma rede descentralizada de internet chamada ethereum (da criptomoeda ether), onde as informações ficam registradas e com inviolabilidade garantida pela criptografia.

O fato de ser não fungível significa que é insubstituível. É o contrário da lógica da moeda: uma nota de R$ 5 ou cinco moedas de R$ 1 têm o mesmo valor. Já o NFT é exclusivo.

Os investidores desse mercado —uma elite financeira jovem com boa noção de tecnologia— compram peças digitais raras da internet que garantem essa espécie de selo de ostentação. Apostam que, ao adquirir um JPEG original, ganharão dinheiro depois.

Essa é uma das poucas explicações para que um investidor adquira uma cópia original de uma imagem difundida centenas de milhares de vezes nas redes sociais. Esse movimento começou a ganhar força em 2020, com uma capitalização de cerca de US$338 milhões, sobre US$ 41 milhões em 2018.

O ápice chegou neste ano. Em fevereiro, um leilão online vendeu um GIF viral de 2011: um gatinho correndo e deixando um rastro de arco-íris. O lance foi de 300 ether. Na época, o ether valia US$ 600 mil (R$ 3,1 milhões). Desde então, outros dois casos foram emblemáticos para a popularização do NFT.

Em março, a obra "Todos os Dias: Os Primeiros 5.000 Dias", do artista americano Beeple, foi vendida na casa de leilões britânica Christie's por cerca de R$ 387 milhões.

Em abril, a fotografia da criança de sorriso sarcástico em frente a uma casa pegando foto —um meme que roda a internet mundo afora— foi leiloada por US$ 473 mil. Quem vendeu a imagem foi a menina da foto, Zoe Roth, hoje com 21 anos.

A imagem foi registrada por seu pai, em 2005, quando a família morava próxima ao Corpo de Bombeiros de Mebane, na Carolina do Norte. Toda vez que o meme for comprado em sites especializados, a família de Zoe receberá 10% do valor.

Jack Dorsey, fundador do Twitter, vendeu seu primeiro tuíte por quase US$ 3 milhões. A cantora Grimes, esposa de Elon Musk, da Tesla, vendeu quase US$ 6 milhões com suas músicas no mercado NFT.

Com tanto dinheiro gasto em pouco tempo, especialistas começaram a alertar para a formação de uma bolha digital, que envolve tanto o mercado de arte e entretenimento como o setor de criptomoedas, altamente volátil.

"Claro que é uma bolha, mas não acho que vá estourar e acabar com o mercado. Pelo contrário, vejo como o início de uma nova onda no mercado criativo de internet", diz Courtnay Guimarães, cientista-chefe de blockchain da Avanade e cofundador da Tropix —que mira esse mercado.

Elitista e muito específico, esse nicho passou a ser referenciado como o de colecionadores digitais. Tornou-se popular por três razões principais: a alta no mercado de criptomoedas, as mudanças de consumo na pandemia e o crescimento de fintechs baseadas em blockchain.

Investidores de moedas digitais que ganharam muito dinheiro em um curto período de tempo precisaram diversificar seus aportes. Em 8 de maio de 2020, o valor do mercado global de criptomoedas e criptoativos era de US$ 264,7 bilhões. Nesta sexta (7), ultrapassa US$ 2,36 trilhões, segundo dados da Coin Market Cap.

"O NFT é um mercado completamente experimental. Havia uma demanda reprimida por escassez com pessoas que ganharam muito dinheiro, e as obras desses artistas representam isso", avalia Gabriel Aleixo, desenvolvedor de negócios na rede Hathor, plataforma de blockchain. A escassez, como dita a regra, aumenta o preço do produto.

A bolha.com, que estourou de 1999 a 2000, matou todos os negócios não sustentáveis. Com o entusiasmo dos serviços na internet comercial, empresas do setor, mesmo sem modelos de negócio estruturados, atraíam dinheiro fácil de investidores. Sobreviveram as grandes companhias que hoje dominam o mercado de internet, como Google, Amazon e Microsfot.

Para alguns especialistas, o NFT pode tomar o mesmo rumo, nas devidas proporções. Mesmo que perca o apelo e a iminente bolha estoure, algum modelo dessa onda pode sobreviver e garantir uma nova forma de remunerar artistas e criadores de internet. "NFT é claramente uma bolha, mas a tendência a partir desse movimento não se restringe à bolha", diz Aleixo.

O próprio Beeple, artista que vendeu a obra na Christie's, concorda que é alvo de uma tendência financeira muito pouco estável. Por outro lado, trabalha há 15 anos com arte digital, e o NFT foi um meio de garantir o reconhecimento da sua peça em meio a tantas reproduções.

Uma corrente defende o modelo do NFT como uma opção inovadora para remunerar artistas independentes na internet. Outra, garante que tudo é fruto de especulação.

A tecnologia, no entanto, chama a atenção de pesquisadores do campo do direito autoral. "Há discussões que tratam o NFT como uma forma de criação de valor e escassez na cultura, garantindo que artistas tenham controle sobre suas obras", diz Mariana Valente, professora do Insper e diretora do InternetLab.

Um dos principais gargalos desse sistema é que não é possível comprovar que o criador do token é o autor da obra digital. Assim, o NFT garante exclusividade, mas nem sempre autenticidade.

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COMO COMPRAR UMA CRIPTOARTE

Embora o token NFT possa ser utilizado para a compra e venda de qualquer item digital —há quem considere um tuíte produto comercial—, a ideia foi abraçada pelo mercado de arte digital. Adquirir uma peça, no entanto, não é simples para quem não está acostumado com o mundo de criptomoedas. Além de arcar com o alto risco de desvalorização, é preciso transferir o dinheiro a uma corretora para que seja convertido em ether, criar uma carteira digital, pagar o imposto para a transação no blockchain e contar com a sorte para que criptoartista vendedor do NFT seja, de fato, o autor da obra. Os sites especializados na venda de ilustrações, GIFs e outras peças audiovisuais mais populares são OpenSea, Rarible e Nifty Gateway