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Entenda a heterocromia, uma linda anomalia genética

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Entenda a heterocromia, uma linda anomalia genética
Entenda a heterocromia, uma linda anomalia genética

Neste sábado (10), é celebrado o Dia da Saúde Ocular. A data é um alerta sobre a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças dos olhos. Uma condição que não é exatamente uma doença ocular, mas que, em alguns casos, pode estar relacionada a alguma patologia é a heterocromia: quando o paciente tem um olho de cada cor ou duas cores num mesmo olho.

De acordo com o médico Rubens Belfort Neto, especialista em oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), algumas doenças elevam o risco de ocorrência de heterocromia. “Tem um monte de doenças raras, como a Síndrome de Horner, a Síndrome de Sturge Weber, que aumentam a chance de a pessoa ter uma íris diferente da outra ou uma coloração alternada na mesma íris (a cor dos olhos, na verdade, é a cor da íris, que é a parte atrás da córnea)”, explica Belfort.

A heterocromia pode ser de origem genética, quando a pessoa nasce com ela, ou adquirida, quando provocada por algum fator externo, como uma doença ou trauma ocular, sangramento dos olhos, uveíte ou um golpe muito forte.

Clara Canthé nasceu com os olhos azuis muito claros e, com o tempo, a cor foi modificando, até que um ficou castanho e o outro, metade verde, metade castanho. Imagem: Arquivo Pessoal
Clara Canthé nasceu com os olhos azuis muito claros e, com o tempo, a cor foi modificando, até que um ficou castanho e o outro, metade verde, metade castanho. Imagem: Arquivo Pessoal

No caso da heterocromia congênita, que é quando a pessoa já nasce com ela, a condição aparece ou dá sinais logo na primeira infância. Foi o que aconteceu com a professora Clara Canthé, de 38 anos.

Clara conta que, segundo sua mãe, ela nasceu com os olhos extremamente claros, num tom de azul quase esbranquiçado. “Uma vez, no ônibus, quando eu era um bebê de colo, uma senhora lamentou para minha avó: ‘coitadinha, tão pequenininha e já cega’, de tão claros que eram meus olhos”.

Com o passar do tempo, as cores dos olhos de Clara foram se definindo. “Quando eu fiz seis meses, começou a escurecer um pouco, e aí meus olhos ficaram verdes. Depois, um acabou escurecendo mais, e o outro parou de escurecer. Então, eu fiquei com um olho todo castanho e o outro, metade verde, metade castanho”.

Clara usa óculos em razão de miopia e astigmatismo, mas diz que nenhuma das duas doenças têm relação com a heterocromia. “Sempre fiz acompanhamento com oftalmologista, por causa da miopia e do astigmatismo, e ele garante que eu não tenho nenhuma enfermidade relacionada à cor dos meus olhos. Ele só dizia que era uma coisa bonita e que era bem comum. Que não tinha nada de mais”.

Pessoas com heterocromia devem, primeiramente, procurar um oftalmologista

Segundo Belfort, é exatamente isso que pessoas com heterocromia ou seus responsáveis, no caso de crianças, devem fazer: procurar um oftalmologista para ter certeza de que a condição é somente estética. “O oftalmologista vai examinar e ver realmente se há algum problema na íris. Algumas doenças da córnea podem causar uma sensação de que cada olho é de uma cor quando se olha de longe. Quando o médico examina, ele vê se o problema é na córnea ou na íris, e se é um caso de heterocromia propriamente dita”.

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Ao conversar com o paciente e realizar os exames necessários, o profissional constata se há alguma outra doença atrelada e, se julgar necessário, pode indicar o acompanhamento conjunto de médicos de outras especialidades, se for uma dessas síndromes que afetam outras partes do organismo.

O profissional mais indicado para analisar a heterocromia é um geneticista. Caio Bruzaca, geneticista da Universidade de Campinas (Unicamp), explica que a heterocromia, como característica isolada, é uma condição multifatorial, em que vários genes interagem com o ambiente do organismo. “Como parte de uma síndrome, sendo a síndrome de Waadenburg a mais significativa dessa característica, é decorrente de uma alteração de um gene, e inclusive pode ser passada de pai para filho. Nessa síndrome, além da heterocromia de íris, sintomas como a surdez e mechas brancas no cabelo também estão presentes”.

Por isso a importância de se consultar com um especialista, pois se identificar que a condição faz parte de alguma síndrome, o tratamento pode ser iniciado mais rapidamente.

Não existe tratamento para heterocromia

Quando se fala em tratamento, é da possível síndrome à qual a heterocromia esteja associada, e não a essa característica em si. “Não há necessidade de nenhum tratamento para a heterocromia, e não é recomendada a ‘correção’ da diferença das cores dos olhos. Em caso do ponto de vista estético alterar a autoestima da pessoa, podem ser utilizadas lentes de contato coloridas para diminuir a diferença entre as cores dos olhos”, orienta Bruzaca.

“Em caso de algum dos olhos apresentar pigmentação muito clara, podem ser utilizados óculos escuros para minimizar o excesso de luminosidade. Fora isso, não há necessidade de nenhum outro cuidado”, garante.

Clara sabe bem como a estética ‘exótica’ da heterocromia chama a atenção. Embora garanta que nunca passou por nenhuma situação de bullying ou algo do tipo, ela relata que já sentiu certo desconforto ao conversar com algumas pessoas. “Às vezes, ficava um pouco incomodada porque, ao conversar com alguém, eu percebia que a pessoa ficava olhando fixamente no meu olho diferente, e isso incomodava um pouco, me sentia analisada”.

Preconceito é uma coisa que a professora nunca sentiu em relação à condição de seus olhos. “No geral, as pessoas sempre acham legal, acham bonito. Algumas fazem brincadeiras do tipo ‘olho de cobra’, pois a divisão do meu olho é tão central que parece a fenda do olho de uma cobra mesmo. Fora isso, nunca tive nenhum problema”.

Na imagem acima, é possível visualizar perfeitamente a divisão em um dos olhos de Clara. Imagem: Arquivo Pessoal
Na imagem acima, é possível visualizar perfeitamente a divisão em um dos olhos de Clara. Imagem: Arquivo Pessoal

A heterocromia pode acontecer não apenas em seres humanos, mas em alguns animais também, como gatos e cachorros, sendo a raça Husky Siberiano a mais conhecida entre as propensas a desenvolver essa condição.

Entre os cães, uma das raças mais propensas a ter heterocromia é o Husky Siberiano. Imagem: u4f_tol – Shutterstock
Entre os cães, uma das raças mais propensas a ter heterocromia é o Husky Siberiano. Imagem: u4f_tol – Shutterstock

Acredita-se que sua evolução nas temperaturas frias da Rússia possa ter relação com a predisposição da raça a essa característica que, com o tempo, foi sendo geneticamente transmitida.

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