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Entenda a diferença entre o IGP-M e o IPCA

·7 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Eles são ambos índices de inflação, mas, em alguns momentos, assumem trajetórias muito diferentes. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é conhecido por ser a inflação oficial do país, enquanto o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) é lembrado por corrigir os contratos de locação, sejam eles comerciais ou residenciais.

Em 2017, por exemplo, enquanto o IPCA fechou o ano em 2,95%, o IGP-M estava negativo em 0,52%. Dois anos depois, em 2019, a situação era inversa. O índice dos aluguéis encerrou o ano em 7,30%, e a inflação oficial, em 4,31%.

Esse descompasso entre os índices e também em relação ao que o consumidor vê no dia a dia seria então evidência de que o IPCA está errado? Não -e há uma explicação matemática e relativamente simples para a diferença.

Enquanto o IPCA considera somente produtos e serviços ao consumidor e faz uma média das variações, o IGP-M é uma cesta com três índices diferentes na composição. O IPC, o mais parecido com o IPCA, responde por apenas 30% do IGP-M. Quando comparados, eles não são assim tão diferentes, pois monitoram um conjunto similar de produtos.

Além disso, os índices de preços ao consumidor, como IPCA e IPC, fazem uma média entre centenas de itens -são 377 só no IPCA. Aquilo que cada família consome também influencia na percepção de alta.

O gerente do IPCA, Pedro Kislanov, diz que, em geral, tendemos a olhar apenas para o índice geral ou para os produtos que, em um mês específico, tenhamos notado alta de preço.

"A inflação é uma grande média ponderada de todos os produtos. É importante olhar individualmente as variações para perceber também as quedas."

Um exemplo desse sobe e desce pode ser visto entre os alimentos e bebidas, o mais importante e grupo de maior peso no IPCA. Quando a inflação dos alimentos desacelera -ou seja, sobe em velocidade menor- quer dizer que mais produtos tiveram queda de preços.

O quanto isso aparecerá para o consumidor dependerá da composição de sua cesta familiar. Por isso, olhar a variação ao longo de um ano é também importante para reduzir os impactos sazonais, como safra, entressafra e seca.

Arroz e feijão, alimentos que formam a base do prato-feito no Brasil, podem ficar mais baratos de um mês para o outro, mas o consumidor continuará sentindo no orçamento se houver alta acumulada.

No IGP-M, essas variações são relevantes para o cálculo do índice final, mas como elas correspondem a apenas 30%, o efeito é menor do que no IPCA. Conhecido por ser a inflação do aluguel, mais da metade do IGP-M refere-se aos preços no atacado, percebido pelos produtores agropecuários e pela indústria.

Commodities negociadas em dólar, como minério de ferro, milho e soja, fazem parte do IPA, esse componente majoritário no IGP-M. Com isso, oscilações do câmbio e períodos de estímulo às exportações acabam pesando mais nesse índice.

O outro braço do IGP-M é o INCC, que analisa os preços da construção civil. Nesse componente a FGV registra as oscilações de insumos da indústria e do custo de mão de obra. Eles respondem por 10% do IGP-M.

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IPCA (ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR)

É considerado a inflação oficial do país, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Como é o cálculo

O IBGE faz uma média ponderada da variação de produtos e serviços em 13 cidades; a cesta de produtos é definida a partir da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), que mostra o que as famílias mais consomem

Sistema de pesos

Os grupos de despesas têm pesos diferentes, de 0 a 100; um produto ou serviço que tenha subido muito passa a ter, naquele mês, peso maior no IPCA

IGP-M (ÍNDICE GERAL DE PREÇOS MERCADO)

É calculado pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas

Como é o cálculo

A FGV faz uma média ponderada de três índices de preços

60% - IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo)

Calcula a variação de preços na produção agropecuária e no atacado Inclui commodities e bens industriais, e sofre influência do dólar

30% - IPC (Índice de Preços ao Consumidor)

Acompanha os preços no varejo e de serviços consumidos pelas famílias

10% - INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)

Monitora a variação de materiais de construção e mão de obra

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Por que há tanta diferença entre a inflação oficial e os preços no supermercado?

A diferença existe principalmente porque cada família acaba tendo a própria inflação, de acordo com seus hábitos de consumo e necessidades. O IPCA e o IPC são médias de uma cesta de produtos.

"Também é muito importante lembrar o fato de que cada pessoa tem sua própria cesta, enquanto o IPCA é uma média de todas. Para uma pessoa que não tem carro, o impacto da alta da gasolina é indireto. Para a população idosa, os medicamentos têm peso maior", diz Pedro Kislanov, gerente do IPCA.

Como a cesta de produtos é definida na inflação?

Tanto o IPC, da FGV, quanto o IPCA, do IBGE, usam a Pesquisa de Orçamentos Familiares, para definir os produtos consumidos pelas famílias e atribuir pesos a essas despesas.

Kislanov, do IBGE, diz também que não se pode descartar a possibilidade de a pandemia ter alterado o equilíbrio da cesta de produtos, uma vez que ela trouxe novos comportamentos de consumo.

Para mudar o peso de cada item na inflação seria necessária uma nova pesquisa de orçamentos familiares, que permitiria sistematizar essas transformações ao medir o quanto os hábitos de compras e os tipos de serviços mudaram no último ano.

Não há previsão, contudo, da realização de uma nova POF antes de 2022, e isso ainda é incerto, uma vez que dependerá de disponibilidade orçamentária -basta lembrar que o Censo foi cancelado por falta de dinheiro.

"Os institutos de pesquisa estão com esse dilema da cesta ter mudado, mas, ao mesmo tempo, fazer uma nova POF agora pegaria um cenário muito atípico. Não conseguiria capturar perfeitamente o comportamento das famílias".

Um exemplo desse comportamento atípico foi o que aconteceu com os preços dos combustíveis no início da pandemia. Em abril de 2020, o primeiro mês inteiro sob efeito da crise sanitária, o Brasil teve deflação, ou seja, na média dos produtos analisados pelo IBGE, a variação ficou negativa em 0,31%.

Naquele momento, a principal contribuição veio dos combustíveis, que tinha recuado 9,59%. Gasolina e etanol ficaram mais baratos, refletindo a queda dos preços dos barris de petróleo, impactados pela redução da demanda.

Por que o IGP-M virou o índice padrão dos aluguéis?

O pesquisador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e coordenador do índice Fipezap, Eduardo Zylberstajn, diz que o IGP-M como indexador dos contratos de aluguel é uma herança do período de hiperinflação, quando era necessário proteger os acordos das oscilações monetárias.

Além disso, o índice é divulgado pelo Ibre/FGV antes da virada de cada mês, permitindo que os proprietários de imóveis calculem os reajustes com antecedência.

É obrigatório ter o IGP-M nos contratos de aluguel? Não, a lei do inquilinato, de 1991, prevê que todos os contratos tenham um índice para a correção e que ela não pode ocorrer antes de 12 meses. Desde o ano passado, imobiliárias passaram a oferecer a possibilidade de os proprietários usarem o IPCA.

Outros contratos, além dos aluguéis, também são reajustados em mais de 30%?

O IGP-M também é utilizado em reajustes e revisões tarifárias dos setores de energia elétrica e de telefonia e em concessões de pedágio.

Segundo André Braz, coordenador de índices de preços do Ibre/FGV, os contratos usam fórmulas que consideram apenas parte do índice. O cálculo considera o quanto cada segmento é exposto às variações cambiais.

Portanto, se um setor tem 30% de sua cesta de custo afetada pelo dólar, ele usará esse percentual do IGP-M. "Os contratos usam fórmulas paramétricas que pegam uma fração de diversos índices. O IGP-M não tem mais o poder de indexar como tinha no passado".

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