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Asteroides, meteoros e cometas: entenda a diferença entre eles

Asteroides, meteoros e cometas: entenda a diferença entre eles
Asteroides, meteoros e cometas: entenda a diferença entre eles

Eventualmente, temos notícias sobre o surgimento de fenômenos luminosos rasgando os céus pelo mundo. Esses eventos são chamados muitas vezes de meteoros, outras vezes de asteroides ou de cometas. No entanto, esses nomes designam coisas diferentes.

Para entender exatamente o que são esses objetos, é preciso voltar um pouco na história até o momento em que todos pertenciam à mesma coisa: o pó. Sim, no princípio do Sistema Solar, tudo que existia era uma enorme nuvem de gases e poeira cósmica em forma de disco, girando em torno de um centro de gravidade comum.

Representação artística de um disco de poeira e gás, semelhante ao que era o Sistema Solar em formação. Créditos: ESO/L. Calçada
Representação artística de um disco de poeira e gás, semelhante ao que era o Sistema Solar em formação. Créditos: ESO/L. Calçada

O hidrogênio e o hélio eram, e ainda são, os elementos mais abundantes do universo e, devido à ação da gravidade, eles começaram a se concentrar no centro dessa nuvem, formando uma enorme esfera de gases.

Em algum momento, há cerca de 4,6 bilhões de anos, uma explosão de supernova ocorreu em nossa vizinhança, e o calor liberado por esse evento forneceu a energia que faltava para que aquela imensa esfera de gás iniciasse o processo de fusão nuclear em seu interior, dando origem ao nosso Sol.

Em torno do astro, as partículas de poeira cósmica derreteram com o calor e começaram a se aglutinar em pequenas gotículas de metal e rocha derretidos. Os ventos solares varreram os materiais mais voláteis, como gases e água, para as regiões mais distantes do Sistema Solar. Tanto esses gases quanto as gotículas de material derretido começaram a se solidificar à medida que a temperatura caía, continuando a se chocar e se fundir.

Durante a formação do Sistema Solar, materiais mais voláteis foram ejetados para regiões mais distantes. Imagem: Sergey Nivens – Shutterstock
Durante a formação do Sistema Solar, materiais mais voláteis foram ejetados para regiões mais distantes. Imagem: Sergey Nivens – Shutterstock

Após alguns milhões de anos, esse processo já havia formado todos os planetas do nosso sistema: os rochosos, mais próximos do Sol (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), e, um pouco mais afastados, os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).

Em torno de vários desses planetas, também se desenvolveram satélites, cada um com um processo de formação distinto. Alguns, juntos com o planeta, outros, capturados por sua gravidade. E, em alguns casos, como parece ser o da Lua, a partir do material ejetado de um grande impacto com o corpo planetário.

Enquanto uma boa parte do material presente naquela nuvem de gás e poeira foi destinado para formar o Sol, os planetas e os satélites, outra parcela também se aglutinou e formou corpos menores, os chamados planetas anões. No entanto, ainda assim, sobrou muito material de construção do Sistema Solar.

Ainda hoje, uma quantidade significativa de matéria remanescente do processo de formação orbita o Sol, e é justamente dessas sobras que surgem os meteoros, meteoritos, cometas e asteroides.

O colunista do Olhar Digital Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da  Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e coordenador regional (Nordeste) do Asteroid Day Brasil, explica abaixo o que é cada um desses fenômenos.

Asteroides

Asteroides têm formatos irregulares, pois, diferentemente dos planetas, não têm massa suficiente para assumir uma forma esférica. Eles são pequenos em sua maioria, com poucos metros de largura, mas alguns podem ter centenas de quilômetros.

Imagem aproximada do asteroide Ryugu. Imagem: JAXA/Reprodução
Imagem aproximada do asteroide Ryugu. Imagem: JAXA/Reprodução

O Sistema Solar está repleto desses objetos, a maioria deles rodeando o Sol entre as órbitas de Marte e Júpiter, em uma região conhecida como Cinturão Principal de Asteroides. Entretanto, eles podem ser encontrados em toda a vizinhança, inclusive se aproximando perigosamente da Terra. Sempre que um asteroide se aproxima do nosso planeta causa um grande alvoroço nas redes sociais e várias previsões apocalípticas, que nunca se confirmam.

Pela definição da União Astronômica Internacional, para ser considerado um asteroide, o objeto deve ter, pelo menos, um metro de diâmetro médio. Objetos que orbitam o Sol e que sejam menores que um metro devem ser chamados de meteoroides.

Cometas

As regiões mais distantes do Sistema Solar abrigam pequenos corpos gelados formados essencialmente de gelo e gases congelados. São parte daquele material que foi levado para longe pelos ventos solares no período de formação do nosso sistema.

A grande maioria desses objetos está além da órbita de Netuno, mas, eventualmente, alguns deles são arremessados para o interior do Sistema Solar e formam os cometas.

O cometa Hale-Bopp, que passou pelo nosso Sistema Solar interno em 1997. Imagem: ESO/E. Slawik
O cometa Hale-Bopp, que passou pelo nosso Sistema Solar interno em 1997. Imagem: ESO/E. Slawik

Quando se aproximam da órbita de Júpiter, o calor do Sol faz evaporar os materiais mais voláteis que compõem o cometa, formando uma tênue atmosfera em torno do núcleo chamada de coma.

Ao atingirem o cometa, os ventos solares arrastam parte da coma na direção oposta ao Sol, formando uma enorme cauda. Tanto a coma quanto a cauda de um cometa brilham devido à ionização de seus gases pelo astro rei.

Cometas são, em sua maioria, relativamente pequenos, com apenas algumas dezenas de metros de largura. Alguns deles, no entanto, podem medir vários quilômetros e ter material volátil suficiente para formar uma coma maior que Júpiter e uma cauda que pode se estender por vários milhões de quilômetros, criando um espetáculo observável a olho nu por várias noites – algo raro mas que, quando ocorre, é o fenômeno astronômico mais bonito de ser observado.

Meteoros

Asteroides, meteoroides e cometas orbitam o Sol em uma velocidade altíssima. Algo entre 40 mil e 266 mil quilômetros por hora. Quando atingem a atmosfera da Terra nessa velocidade, mesmo fragmentos tão pequenos quanto um grão de areia são capazes de aquecer instantaneamente os gases atmosféricos, gerando um fenômeno luminoso, que é o que os astrônomos classificam como meteoro.

Assim, os meteoros são apenas esses eventos luminosos, nada mais. Meteoro não é sólido, não é líquido nem gasoso, é apenas luz. Popularmente, também é chamado de “estrela cadente”.

Rastro luminoso de maior duração observado em 2022, durante a chuva de meteoros Tau Herculídeas. Imagem: Observatório Espacial Heller & Jung
Rastro luminoso de maior duração observado em 2022, durante a chuva de meteoros Tau Herculídeas. Imagem: Observatório Espacial Heller & Jung

Como a maioria dos meteoros é gerada por minúsculos fragmentos de rocha, não é possível prever quando e onde poderemos vê-los. No entanto, há algumas épocas do ano em que as nossas chances de observá-los aumenta consideravelmente.

São as chamadas chuvas de meteoros, que ocorrem quando a Terra passa por uma região do Sistema Solar repleta de fragmentos deixados por algum cometa ou asteroide. Quando a Terra atravessa essa trilha, eles atingem a atmosfera, gerando dezenas ou até centenas de meteoros em uma única noite – um espetáculo de encher os olhos.

Leia mais:

O que acontece quando um objeto maior atinge a Terra?

De maneira geral, quanto maior o objeto, mais luminoso será o meteoro. E quando sua luminosidade supera o brilho de Vênus, o meteoro é comumente chamado de fireball – ou bola de fogo.

Algumas vezes, dependendo também da velocidade e do ângulo de entrada, o meteoroide ou asteroide é grande o suficiente para atingir as camadas mais densas da atmosfera. Nesses casos, além de formar uma bola de fogo mais espetacular, o meteoro geralmente termina com um evento explosivo.

Esse tipo de meteoro também é chamado de bólido, e popularmente, também é associado ao “fim  dos tempos”, “Jesus voltando” e outras profecias apocalípticas.

Se o objeto (meteoroide ou asteroide) for realmente grande, além de gerar um bólido, ele pode resistir à passagem atmosférica e chegar ao solo. Esses pedaços são chamados de meteoritos.

Os meteoritos são uma importante fonte de pesquisa científica, pois nos trazem fragmentos de asteroides, cometas e, em alguns casos raros, até de outros planetas ou da Lua.

Análises de meteoritos são a forma mais barata de se estudar esses objetos distantes e ajudar a contar a história da formação do Sistema Solar.

Côndrulos no interior de um meteorito. Créditos: AMS/André Moutinho-BRAMON
Côndrulos no interior de um meteorito. Créditos: AMS/André Moutinho-BRAMON

A principal característica dos meteoritos mais comuns – os chamados condritos – é a presença de côndrulos em seu interior, que são minúsculas esferas de minerais e metais. A formação de condritos se dá a partir do resfriamento e aglutinação das gotículas de material derretido pelo calor da supernova que deu origem ao Sistema Solar.

Isso quer dizer que quando um meteorito chega ao solo ele poderá trazer consigo 4,6 bilhões de anos da nossa história.

Créditos: AMS/André Moutinho-BRAMON
Créditos: AMS/André Moutinho-BRAMON

Para facilitar ainda mais o entendimento das diferenças entre asteroides, meteoros, cometas e meteoritos, o infográfico acima traz um resumo do que foi abordado aqui.

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