Mercado abrirá em 2 h 27 min
  • BOVESPA

    115.062,54
    -1.118,01 (-0,96%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    52.192,33
    +377,16 (+0,73%)
     
  • PETROLEO CRU

    72,52
    -0,09 (-0,12%)
     
  • OURO

    1.779,90
    -14,90 (-0,83%)
     
  • BTC-USD

    47.739,61
    +148,86 (+0,31%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.227,03
    +29,81 (+2,49%)
     
  • S&P500

    4.480,70
    +37,65 (+0,85%)
     
  • DOW JONES

    34.814,39
    +236,82 (+0,68%)
     
  • FTSE

    7.050,78
    +34,29 (+0,49%)
     
  • HANG SENG

    24.667,85
    -365,36 (-1,46%)
     
  • NIKKEI

    30.323,34
    -188,37 (-0,62%)
     
  • NASDAQ

    15.475,75
    -28,25 (-0,18%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,1446
    -0,0514 (-0,83%)
     

Entenda como se forma no campo a inflação de alimentos

·5 minuto de leitura
*ARQUIVO* CANARANA, MT, BRASIL 04.04.2017 Colheita de soja em Canarana (MT) (Foto: Mauro Zafalon/Folhapress)
*ARQUIVO* CANARANA, MT, BRASIL 04.04.2017 Colheita de soja em Canarana (MT) (Foto: Mauro Zafalon/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A pressão sobre os preços dos alimentos reflete uma sequência de fatores que vai desde o dólar alto até os recentes prejuízos com a seca e as geadas no país. Juntos, os ingredientes elevam os custos de produção no campo e ameaçam o bolso das famílias nas cidades.

No acumulado de 12 meses até julho, a inflação do grupo de alimentos e bebidas subiu 13,25% para os consumidores no país. O dado integra o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice geral de inflação avançou 8,99% no mesmo período.

Após o baque inicial da pandemia, em 2020, houve uma corrida por commodities agrícolas no mercado internacional, pressionando os valores de itens como soja e milho. Em paralelo, a desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para deixar as cotações dos produtos em patamar ainda mais elevado. A situação se refletiu nos preços finais dos alimentos.

O professor Geraldo Barros, coordenador científico do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), diz que o avanço do dólar também gerou uma escalada nos custos de produção no campo. "O principal impacto [na inflação de alimentos] veio do dólar. Quando sobe, também sobem os insumos agropecuários."

Fertilizantes estão entre as mercadorias com avanço nos preços. Esses produtos, também chamados de adubos, fornecem nutrientes para o desenvolvimento das plantas nas lavouras. O MAP (fosfato monoamônico), por exemplo, teve alta de 92,2% entre julho de 2020 e igual mês de 2021, indicam dados da consultoria GlobalFert.

"A demanda por fertilizantes, desde o final do ano passado, ficou aquecida. Houve impacto de outros fatores importantes, como o dólar, já que importamos muito no país", explica Juliana Lemos, analista-chefe da GlobalFert.

Se não bastasse o aumento nos insumos relacionado à demanda e ao câmbio, variações climáticas também afetaram a produção de alimentos no Brasil nos últimos meses.

A seca prolongada, seguida pelo registro de geadas em julho, danificou plantações nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Culturas como milho, café e hortaliças foram impactadas.

Os estragos, dizem analistas, geram uma pressão adicional para os preços nas gôndolas dos supermercados. A dúvida é saber o nível e a velocidade dos repasses ao longo da cadeia produtiva.

"Neste ano, a agricultura foi atrapalhada pela estiagem, e as geadas também destruíram produtos que iriam logo para o mercado, como hortaliças", diz Cláudio Brisolara, gerente do departamento econômico da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo).

A recente onda de frio intenso afeta ainda a pecuária. Com as geadas, pastagens foram perdidas, e a alimentação do gado precisa ser feita com rações e suplementos. A substituição aumenta os custos para os produtores e deve pressionar os preços de carnes e leite.

O preço do leite, aliás, disparou no campo. Conforme o Cepea, o valor pago ao produtor em julho chegou a R$ 2,3108 por litro no país. É o recorde real --que leva em conta a inflação-- da série histórica, com dados desde 2005.

O preço se refere ao leite captado no mês anterior, junho. A alta é atribuída pelo Cepea ao aumento nos custos de produção, e não a uma rentabilidade elevada para quem vive da atividade.

Outro fator que preocupa produtores é o avanço dos preços da energia elétrica gerado pela crise hídrica. Com a falta de chuvas, a conta de luz ficou mais alta, elevando os custos para irrigação de lavouras, diz Brisolara.

Diante desse cenário, os valores dos alimentos tendem a ficar em nível elevado "por mais algum tempo", projeta o analista. "O dólar não parece que vai voltar para baixo de R$ 5. Os custos devem seguir pressionados, e também é necessário tempo para recuperar parte da produção perdida", afirma.

Barros, do Cepea, tem opinião semelhante. O professor não vê sinais de trégua nos preços pelo menos até o final do ano. Ele frisa que a instabilidade política gera incertezas no mercado financeiro, o que dificulta um recuo mais forte do câmbio.

"O clima de instabilidade se cristalizou. A previsão de preços altos vem principalmente do dólar, que parece não cair. O câmbio precifica grãos e impacta outros produtos", destaca.

Na pandemia, acrescenta Barros, a moeda americana em alta também incentiva exportações, o que pode diminuir a quantidade de commodities direcionada ao mercado interno. Com o impacto na oferta, a perspectiva é de pressão nos preços no cenário local, conclui o professor.

Dentro do grupo de alimentos e bebidas, o óleo de soja é o item que mais subiu durante a pandemia, segundo o IBGE. Em 12 meses até julho, a disparada foi de 84,31%. O repolho (44,21%) veio em seguida.

Tomate (42,96%), feijão fradinho (42,43%) e arroz (39,69%) também ficaram mais salgados.

INFLAÇÃO DO CAMPO ATÉ A MESA

Veja fatores que elevam custos de produção de alimentos e pressionam preços para o consumidor

Insumos mais caros

Os fertilizantes, usados na preparação da terra para o plantio, subiram com a demanda e o dólar em patamar elevado, já que boa parte dos produtos é importada. O MAP (fosfato monoamônico), por exemplo, teve alta de 92,2% entre julho de 2021 e igual mês de 2020, indicam dados da consultoria GlobalFert

Peso do combustível

O óleo diesel, utilizado em tratores, avançou com a recuperação do petróleo. O litro custou R$ 4,600, em média, entre os dias 8 e 14 de agosto. O valor é 26,8% maior do que o verificado ao fim de 2020 (R$ 3,628), indicam dados da ANP

Perdas com seca e geadas

Variações climáticas geraram pressão adicional para a produção de alimentos. A seca deste ano danificou plantações de grãos como café e milho, e geadas em julho agravaram o quadro de oferta. Hortaliças também foram prejudicadas

Alimentação animal com custo maior

A falta de chuva e o frio intenso ainda afetam a alimentação do gado. Com perda de pastagens, produtores gastam mais com rações e suplementos, o que impacta os setores de carne e leite

Conta de luz mais alta

A crise hídrica também encarece as tarifas de energia elétrica. A conta de luz mais alta afeta os custos para quem precisa armazenar mercadorias no campo ou irrigar plantações, por exemplo

Reflexos na indústria e no varejo

Os aumentos em série geram reflexos nos demais elos da cadeia produtiva. Assim, as indústrias de alimentos e o varejo, que inclui supermercados, tendem a fazer repasses para os preços cobrados do consumidor

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos