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Entenda como o furacão Ida evoluiu para categoria 4 em tão pouco tempo

·5 minuto de leitura

No último dia 29 de agosto, o furacão Ida, que até então se aproximava do Golfo do México com intensidade relativamente fraca, encontrou em seu caminho uma “piscina” gigante de água quente girando lentamente. Conhecida como Corrente de Loop, a corrente circular foi responsável por alimentar a força de Ida, elevando-o a um furacão de categoria 4 e provocando destruição por onde passar.

O oceanógrafo Nick Shay, da Escola Rosenstiel de Ciências Marinhas e Atmosféricas da Universidade de Miami, explica que a força da Corrente de Loop está relacionada ao fluxo de água quente que sai dos trópicos e do Mar do Caribe em direção ao Golfo do México e, novamente, pelo Estreito da Flórida, entre Flórida e Cuba. Então, essa corrente forma o núcleo da Corrente do Golfo que segue para o norte.

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No Golfo, essa corrente pode produzir grandes redemoinhos quentes quando chega ao norte. Shay diz que o problema é quando esses redemoinhos surgem durante a temporada de furacões. Segundo ele, a água subtropical tem temperatura e salinidade diferentes da água comum do Golfo e, por isso, é mais fácil de identificar esses fluxos circulares, os quais têm cerca de 26 °C nas águas de sua superfície, que se estendem até 150 metros de profundidade.

A grande salinidade dessas águas impede que elas se misturem e, assim, resfriem. Com isso, os redemoinhos passam a reter uma quantidade considerável de calor. “Quando o calor na superfície do oceano está acima 26 °C, os furacões podem se formar e se intensificar. O redemoinho pelo qual Ida passou tinha temperaturas de superfície acima de 30 °C“, acrescenta o oceanógrafo. Para avaliar o risco que esta “piscina” quente representava para o furacão Ida, Shay e sua equipe sobrevoaram os redemoinhos e lançaram dispositivos de medição.

(Imagem: Reprodução/NASA)
(Imagem: Reprodução/NASA)

Através de um paraquedas descartável descendo em direção à superfície, uma sonda foi liberada, a qual desceu entre 400 a 1.500 metros de profundidade. Então, ela enviou de volta dados como temperatura e a salinidade daquelas águas. “Mesmo que o vento da tempestade causasse alguma mistura com a água mais fria na superfície, aquela água mais profunda não iria se misturar completamente”, ressalta Shay. Em outras palavras, o redemoinho permaneceria aquecido e continuaria a alimentar o furacão com calor e umidade.

Quando as águas quentes alcançam uma grande profundidade, a pressão atmosférica daquela região começa a cair. Isso porque as transferências de umidade do oceano para a atmosfera (conhecidas como calor latente) são mantidas pelos redemoinhos quentes. “À medida que essa liberação de calor latente continua, as pressões centrais continuam diminuindo”, aponta Shay. Eventualmente, os ventos da superfície são afetados pela mudança de pressão horizontal durante as tempestades — que começam a acelerar.

Tudo isto foi observado antes do dia em que o furacão Ida atingiu a costa. “Quando fui para a cama à meia-noite naquela noite, a velocidade do vento era de cerca de 168,9 km/h. Quando acordei algumas horas depois e verifiquei as atualizações do National Hurricane Center, eram 233,3 km/h, e Ida havia se tornado um grande furacão”, acrescenta Shay.

Esta dinâmica não é novidade

Há muito tempo os meteorologistas sabem dos efeitos que estes redemoinhos desempenham nos furacões, mas apenas recentemente eles começaram a prestar atenção ao calor das águas superficiais do oceano e seu rápido impacto. Hoje, conforme relata o oceanógrafo Nick Shay, os pesquisadores ficam de olho onde estão as piscinas de calor.

Furacão Ida avançando sobre a costa dos Estados Unidos (Imagem: Reprodução/NOAA)
Furacão Ida avançando sobre a costa dos Estados Unidos (Imagem: Reprodução/NOAA)

Como exemplo, Shay diz que os furacões Katrina e Rita, de 2005, tinham as mesmas características de Ida e se intensificaram após o encontro com a Corrente de Loop. Além disso, os pesquisadores acreditam que, mesmo que o aquecimento global esteja elevando a temperatura das águas no Golfo e em vários lugares do mundo, esta intensificação rápida, no entanto, é um evento local. “A importância do aquecimento global ainda não está clara”.

Shay espera que, através dos mais de 20 anos de dados de monitoramento do calor das águas do Golfo, somados às medições durante o Ida e outros furacões, os cientistas possam entender melhor o papel dos oceanos nessa dinâmica. “Assim que tivermos esses perfis, os cientistas podem ajustar as simulações de modelos de computador usadas nas previsões para fornecer avisos mais detalhados e precisos no futuro“, acrescenta.

A conta do furacão Ida

Do espaço, o satélite GOES-East, operado pela parceria entre NASA e Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos EUA, observou o grande furacão Ida avançar sobre a Louisiana, Mississípi e Alabama nas primeiras horas da manhã do último dia 30 de agosto. Mesmo diminuindo sua intensidade ao avançar sobre a terra, a tempestade se manteve grande e forte.

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A totalidade da extensão da destruição provocada pelo Ida ainda precisa ser avaliada. Até agora, foram confirmadas duas mortes, mas este número ainda pode aumentar. Pelo menos até o dia 31 de agosto, cerca de 1 milhão de pessoas permaneceram sem energia elétrica.

O National Hurricane Center afirmou que "conforme o Ida se move para o interior, chuvas fortes e impactos de inundações devem se espalhar pelos vales do Tennessee e Ohio, nos Apalaches centrais e do sul e no meio do Atlântico até quarta-feira (1º)".

Fonte: Canaltech

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