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Entenda como a saída de Carlos das redes afeta Bolsonaro

(SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Desde que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) desativou suas contas nas redes sociais na terça-feira, os perfis do presidente Jair Bolsonaro passaram a ter uma frequência menor de postagens. Entre publicações de feitos do governo federal, entrevistas e republicações, Bolsonaro mantinha uma média de 13 posts por dia no Twitter — rede em que ele é mais ativo — de 1º de novembro até segunda-feira, véspera da pausa de Carlos dos meios digitais. De lá pra cá, o presidente tuitou apenas duas vezes na terça-feira e quatro na quarta.

No Twitter, o presidente costuma fazer de 8 a 10 publicações por dia. Foco de polêmicas e princípios de crises que chegam ao governo federal, os posts do presidente desde o início de novembro têm se restringido a divulgação de obras e medidas da gestão Bolsonaro na Presidência.

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Houve também comentários críticos à saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, após 580 dias preso. Foi pelas redes que o presidente se manifestou pela primeira vez após Lula deixar a cadeia. No sábado (9), o presidente publicou um vídeo no Twitter em que elogia o trabalho do ministro da Justiça, Sergio Moro, e, sem citar o nome de Lula, escreveu: 'Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa".

"Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", escreveu o presidente no Twitter.

Lula foi solto na sexta-feira, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reverteu o entendimento da Corte sobre a prisão após condenação em segunda instância. Ao ser questionado por jornalistas na manhã de sábado se o comentário se referia ao ex-presidente petista, Bolsonaro confirmou.

Bolsonaro também usou as redes sociais para comentar a eleição do presidente da Argentina, o kirchnerista Alberto Fernandez, com quem tem mantido uma relação conflituosa desde a campanha, no domingo, e a renúncia do presidente da Bolívia, Evo Moralez, em meio à crise social no vizinho latinoamericano, na terça-feira.

O presidente publicou na madrugada de quarta-feira que a L’Oreal, a Honda e a MWM, uma fábrica de motores, haviam anunciado o fechamento de fábricas na Argentina e a instalação no Brasil, após a eleição de Fernandez. As empresas negaram a transferência das fábricas e, horas depois, a publicação de Bolsonaro no Twitter foi apagada. Na noite do mesmo dia, o presidente pediu desculpas pela postagem, por meio do seu porta-voz.

“MWM, fábrica de motores americanos, a Honda, gigante de automóveis, e a L’Óreal anunciaram o fechamento de suas fábricas na Argentina e instalação no Brasil. A nova confiabilidade do investidor vem para gerar mais empregos e maior giro econômico em nosso país”, dizia a publicação.

Bolsonaro demonstrou incômodo com atuação de Carlos nas redes

Carlos suspendeu suas páginas no Twitter, Facebook e Instagram. A assessoria do parlamentar não soube informar o motivo. Interlocutores de Bolsonaro no Palácio do Planalto atribuem ao presidente a saída do filho das redes sociais. Segundo esses aliados, Bolsonaro vinha mostrando incômodo com as publicações do “02”, em especial aquelas que criticavam o STF, instituição que ele vem deixando fora da linha de tiro, como informou a colunista Bela Megale. O chefe de gabinete de Carlos, Jorge Fernandes, foi avisado pelo GLOBO.

Bolsonaro também se queixou com o filho da atuação de Carlos nas redes em relação ao STF. E, mais de uma vez, mandou que ele moderasse e até se retratasse.

De estilo excêntrico, Carlos abastece as redes sociais da família e produz, de forma amadora, com um celular na mão, as transmissões ao vivo do pai na internet. O vereador deflagrou a primeira crise no coração do Palácio do Planalto ao usar o Twitter para atacar Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

É de Carlos também a ideia de atacar mais ferozmente adversários de esquerda e a imprensa. A conduta causou conflito entre os que sempre defenderam uma estratégia mais moderada para Bolsonaro.

Da AGÊNCIA O GLOBO