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Enquanto a vacina não chega: como melhorar a imunidade?

Ava Freitas
·4 minuto de leitura
Exercícios ajudam manter a mente sã (Foto: Getty Images)
Exercícios ajudam manter a mente sã (Foto: Getty Images)

As primeiras doses da vacina contra a covid-19 estão sendo aplicadas, mas até toda a população ser imunizada, há um longo caminho. Nesse cenário, você deve estar se perguntando: o que faço para melhorar a imunidade?

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“Em um contexto saudável, o sistema imunológico está preparado para enfrentar ameaças como a covid-19. O que acontece é que nosso estilo de vida acaba prejudicando-o”, afirma a médica infectologista Ana Caetano Faria, professora titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).

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Segundo a especialista, há quatro aspectos da vida que devem ser cuidados para que o sistema imunológico seja capaz de funcionar corretamente. O primeiro é o manejo do estresse.

“O estresse é uma reação fisiológica, na qual uma série de substâncias são liberadas no corpo para nos ajudar a lidar com situações adversas. Acontece que, quando ele se torna crônico, a liberação contínua de hormônios como o cortisol e a adrenalina prejudicam o sistema imune”, explica a infectologista.

Ana sabe que, ainda mais no momento em que vivemos, evitar o estresse é impossível, mas temos de aprender a manejá-lo para driblar o efeito nocivo de um constante estado de vigilância.

Sedentarismo

A infectologista afirma que exercícios moderados de baixa intensidade aumentam em cerca de três vezes o fluxo da linfa, líquido que circula nos vasos linfáticos e transporta glóbulos brancos (linfócitos), células do sistema imunológico.

A atividade física ainda aumenta a liberação de endorfina, hormônio que contrapõe o efeito do cortisol, ou seja, acaba sendo um agente antiestressante.

E sair do sedentarismo pode ser mais simples do que você imagina. Segundo Ana, estudiosos do tema já constataram que há benefícios para o corpo se a pessoa se exercita por 20/30 minutos, três vezes por semana.

Sono

Engana-se quem pensa que o sono é um momento de inércia para o corpo. “Quando estamos dormindo, várias atividades importantes acontecem no organismo”, diz Ana.

A médica conta que é à noite que a medula óssea tem seu funcionamento mais intenso. Dentre outras funções, é nesse órgão que acontece a produção dos glóbulos brancos, as nossas células de defesa. Além disso, é durante o sono que o sistema imune libera substâncias anti-inflamatórias no corpo. Qual a importância disso? Bom, para ficar no exemplo da covid-19, é uma intensa reação inflamatória que provoca o quadro mais grave da doença.

“Quando você dorme menos do que cinco horas por noite, tem mais chance de pegar gripes e resfriados. Dormir pouco pode até prejudicar a resposta do organismo quando toma uma vacina”, afirma Ana.

De acordo com a infectologista, o ideal é dormir entre sete e oito hora por noite. “Se você perde uma noite de sono, seu corpo demora quatro dias para se recuperar”, diz.

Alimentação

O quarto e último aspecto que influencia no bom funcionamento do sistema imunológico é o que se come.

“As pessoas estão comendo muito e mal, dando preferência para produtos industrializados, com muita gordura saturada e sal”, diz Ana Caeatano. O resultado? Aumento da parcela da população obesa e da incidência de doenças como diabetes tipo 2. Outro prejuízo é no funcionamento do sistema imune.

“O assunto alimentação saudável é amplo, mas o básico é consumir em maior quantidade: frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas [como o azeite extra-virgem]”, afirma a nutricionista Lícia D’Ávila, especialista em nutrição funcional pelo Instituto de Nutrição Avançada e em imunologia pela Harvard Medical School.

Com a preocupação com o coronavírus rondando nosso dia a dia, Lícia indica que uma alimentação antioxidante pode ajudar o sistema imunológico a combater infecções virais e bacterianas. “Você pode comer alimentos com fitoquímicos [substâncias que dão pigmento de cor] que são agentes antioxidantes, como frutas vermelhas e arroxeadas (amora, mirtilo, jabuticaba), cacau em pó, chá verde e outros alimentos dessa categoria”, sugere Lícia.

A nutricionista ainda indica fazer com regularidade exames de sangue para verificar possíveis deficiências de vitaminas e sais minerais. “A gente sabe que parte significativa da população tem deficiência de vitamina D e que esta tem papel importante no bom funcionamento do sistema imune.”

Quando se trata de saúde via alimentação, outro ponto imprescindível é o bom funcionamento do intestino. “Existe uma população enorme de bactérias na flora intestinal que produzem substratos ora benéficos ora maléficos. É importante cuidar do que se come para que a microbiota [nome dessa população] seja de boa qualidade”, explica Lícia. Mais uma vez, a conversa é sobre menos alimentos processados, doces, massas, bolos e pães.

“O intestino é o maior órgão do corpo humano e nele há mais células do sistema imune do que em outros. É ele que faz com que o que você come se propague pelo corpo. Por isso cuidar bem dele é importante para a saúde do corpo”, finaliza a médica infectologista.

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